Quem tiver na memória, por o ter frequentado, a cozinha dos anos 90 do século passado deste restaurante Quinta dos Frades, tire o cavalinho da chuva se, regressado lá agora, tiver esperanças de reencontrá-la. As mudanças são grandes, a começar na decoração, com destaque para a iluminação dos jantares, que é mínima, mantendo-se da antiga organização o mezanino, agora transformado em sala de refeições para fumadores.
A cozinha abandonou os caminhos da culinária tradicional portuguesa e entregou-se nos braços do chefe de cozinha Chakall, um argentino simpático, conhecido pelos turbantes coloridos com que cobre a cabeça - diz-se que tem uns 365 -, dos mais mediáticos em Portugal na sua profissão, com algum mundo e um gosto particular pelos sabores agridoces e picantes. Ele é o chefe executivo do actual Quinta dos Frades, sendo Igor Martinho, que ganhou o concurso Chefe cozinheiro do ano 2009, o chefe residente, um jovem com 25 anos.
Duas refeições recentes, um almoço no início da semana e um jantar num sábado, permitiram constatar que a comida é descomplicada, de confecção correcta e com um ou outro pormenor mais ousado nos acompanhamentos; que a carne de vaca em bifes, como seria de esperar numa ementa de um chefe argentino, é dominante; que a "modernidade" é sublinhada pela existência de um prato confeccionado com bacalhau fresco, dois com peito de pato, um com foie gras, bem como dois risotto e, é claro, vieiras. Só falta o lombinho de porco preto para o painel ficar completo.
O couvert do Quinta dos Frades (2,50 euros) inclui bom pão fatiado, de trigo e de centeio com sementes de sésamo, bom azeite e boa mousse de azeitonas pretas. No almoço de quarta-feira - meia dúzia de mesas ocupadas - pediram-se, como entradas, uns saborosos pimentos Padron (5,50 euros), bem fritos em azeite, bem temperados com flor de sal, bem acompanhados por umas amêndoas às falhas torradas e redução de vinagre balsâmico; simpática e saborosa a empanada argentina de carne (7,50 euros), servida com salada de rúcula temperada com azeite e vinagre.
Os pratos principais foram "bacalhau lascado sobre puré de grão-debico, grelos salteados e amêndoas" (18,50 euros), bem confeccionado com bons produtos, uma aposta segura e ganha; e "costeletinhas de borrego grelhadas com hortelã e mel servidas com "mesclum" de batatas e arroz de pinhões e coentros" (18 euros), com a carne rosada pouco marcada pelo mel e hortelã, o que me pareceu bem, arroz sem grande história, cubinhos saborosos de batata frita.
As sobremesas - talvez o sector mais atrevido na ementa - foram a mousse de chocolate gelada servida sobre uma bolacha de massapan e rodeada por framboesas (5 euros), conjunto catita e fresco; e uma excelente tarte Tatin de abóbora com gelado de queijo creme, nozes e massapan (6 euros). O uso da abóbora, em vez das clássicas peras ou maçãs neste doce das manas Tatin, que tem a particularidade de ser feito com a massa a cobrir a fruta, ficando esta em contacto com a tarteira, resulta muito bem. Bebeu-se, além de água, um copo de vinho tinto (5,50 euros), o sempre certo e elegante Duas Quintas, no caso o de 2007, que está gulosíssimo.
- Nome
- Quinta dos Frades
- Local
- Lisboa, Lumiar, Rua Luís de Freitas Branco, 5D
- Telefone
- 217598980
- Horarios
- Segunda a Sexta das 12:30 às 15:30
Segunda a Quinta das 19:30 às 23:30
Sexta e Sábado das 20:00 às 01:00
- Website
- http://www.quintadosfrades.com
- Preço
- 45€
- Cozinha
- Portuguesa
- Espaço para fumadores
- Sim