Fugas - viagens

Luís Maio

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Volta a Paris em bicicleta

Cour de Rohan

Um conjunto de três pátios no coração de St. Germain-des-Près, onde se encontram alguns dos apartamentos mais antigos, pitorescos e caros de Paris. Os pátios, perpendiculares à rua de St. André-des-Arts, são privados e o acesso faz-se por dois portões, quase sempre abertos ao fim do dia (mas nem sempre a outras horas). A construção foi crescendo encostada à muralha medieval e, além de segmentos desta integrados nas casas, vê-se uma torre de pedra, no interior de uma loja, correspondendo ao hotel do bispo de Rouen (século XV), de que deriva o nome do sítio. Também se encontra um pas de mule (que servia de apoio para as donzelas subirem às carruagens), um dos últimos dos 300 poços que houve em Paris, uma casa que serviu de cenário ao filme Moulin Rouge, mais aquelas em que viveram Balthus e o casal Giacommeti. Mesmo em frente à entrada principal da Cour de Rohan fica o Café Procope (13, Rue de L'Ancienne Comédie), fundado em 1686, o que o certifica como mais antigo café em actividade no mundo inteiro. Berço da Enciclopédia e da Revolução Francesa, está classificado como monumento histórico e foi recentemente restaurado ao estilo século XVIII.

Observatório Astronómico da Sorbonne

Abrandamos à passagem da Sorbonne, a universidade de Paris. Não é uma nova janela, mais uma espécie de link que Olivier estabelece ao apontar para duas esplêndidas cúpulas, que coroam a 40 metros de altura a ala direita dos edifícios de finais do século XIX. Se poucos se dão conta da sua existência, menos ainda imaginam que elas encerram um observatório astronómico, o último em funcionamento e aberto ao público em Paris. A cúpula maior abriga uma luneta de observação de 153 mm de diâmetro e 2300 mm de distância focal. Instalada no local em 1935, pertence agora à Sociedade Astronómica de França e todas as segundas e sextas à noite (desde que as condições atmosféricas o permitam) recebe grupos até cinco pessoas (a entrada custa 5€). Também se visita a outra cúpula, dois andares abaixo, que antigamente guardava uma luneta meridiana e hoje serve de sala de polimento de lentes. Uma vez aberta a coberta, proporciona vistas inebriantes sobre a Cidade das Luzes (mais informação em www.saf-lastronomie.com).

Chaminé ao lado da Torre Eiffel

Ainda não foi desta que engrossámos as permanentes filas de turistas à entrada do monumento pago mais visitado de França. Muito pelo contrário: fomos obrigados a cortar caminho com as bicicletas pelo meio da multidão, para chegar a um pequeno bosque recortado à beira do seu pilar sudoeste. Olivier conta-nos de passagem como ganhou um almoço de graça num restaurante de luxo à conta deste sítio. Apostou com um grupo de arquitectos que ao lado da Torre Eiffel há outra mais pequena. Eles andaram a examinar o terreno a pente fino, mas não deram por ela, camuflada que está pelo tal bosque (que, de resto, se encontra vedado). Mesmo assim é incrível não reparar numa chaminé em tijolo vermelho de uns bons 30 metros de altura, rematada por ameias, à maneira de um torreão de uma fortaleza antiga. À revelação seguem-se naturalmente as interrogações: porque terá sido erguida e sobretudo porque se mantém de pé esta vulgar chaminé, ao lado do principal monumento da cidade? E não será esta a tristemente célebre chaminé do estaleiro, que exalava cheiros nauseabundos e fez uma mão cheia de notáveis sair em campanha contra a edificação do "monstro" de Eiffel?

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