Fugas - motores

  • Pedro Maia
  • Pedro Maia
  • A capacidade da mala sofre uma forte redução
    A capacidade da mala sofre uma forte redução Pedro Maia
  • Por um lado, há espaço. Por outro, está longe de ser o ideal para circular nas ruas estreitas das cidades
    Por um lado, há espaço. Por outro, está longe de ser o ideal para circular nas ruas estreitas das cidades Pedro Maia
  • Bocal do
    Bocal do "depósito de combustível" Pedro Maia
  • Onde está a poupança do espaço para o motor?
    Onde está a poupança do espaço para o motor? Pedro Maia
  • Pedro Maia

Um carro convencional adaptado a eléctrico

Por João Palma

O Fluence Z.E. é um estradista adaptado e não é, segundo João Palma, o ideal para circular em cidade, o habitat dos carros eléctricos. Em contrapartida, é espaçoso e pode transportar cinco pessoas.

Um veículo 100% eléctrico, como o Renault Fluence Z.E., tem dois óbices: a autonomia e o custo das baterias, a fatia maior do preço do carro. O primeiro só terá resolução com o aumento da eficiência das baterias (o Renault ZOE, por exemplo, um eléctrico compacto construído de raiz já terá mais autonomia). Para o segundo, a Renault propõe um sistema em que só se compra o carro. A bateria é alugada por 82€/mês. Assim, o preço do Fluence Z.E. Dynamique baixa para 27.700€, mas há que somar a este o custo mensal do aluguer da bateria.

O sistema de aluguer de baterias é vantajoso para o cliente, dado que a bateria será substituída quando a capacidade de carga diminuir para menos de 75% e durante toda a vida útil do carro. Isto é, não se põe o problema de o que fazer quando a bateria, o componente mais caro do veículo, deixar de estar operacional. Em custos de utilização, para 100 km, aos 1,5- 2€ da carga da bateria, há que acrescentar 0,10€ do aluguer (considerando 10.000 km/ano), inferior aos cerca de 9€ de gasto em gasóleo para fazer os mesmos 100 km.

Mesmo assim, tendo em vista que o Fluence Z.E. será sempre um segundo carro com autonomia limitada e o mesmo modelo a gasóleo custar 24.850€, só em circunstâncias específicas é vantajosa a sua aquisição.

O cenário seria diferente se o Governo português não tivesse abolido o incentivo fiscal de 5000€ para aquisição de veículos eléctricos por particulares, que fazia com que este mesmo Fluence Z.E., até Dezembro de 2011, custasse 22.700€ (preço de entrada, nível Expression, 21.600€). Em Espanha, o Fluence Z.E. Dynamique custa 20.900€ (Expression, 19.800€), pois não paga Imposto de Circulação e tem uma subvenção de 6000€...

O Fluence Z.E. faz parte da gama Renault de veículo eléctricos que engloba ainda o comercial ligeiro Kangoo Z.E., o pequeno Twizy (dois lugares), a lançar em Abril, e o ZOE, que virá no 2.º semestre de 2012. Ao contrário dos dois modelos a lançar, tanto o Fluence Z.E. como o Kangoo Z.E. são adaptações de modelos já existentes com motores de combustão interna.

No caso do Fluence, um quatro portas do segmento C, a adaptação a eléctrico teve em vista um cliente e um país específico - a Better Place e Israel. A Better Place, uma empresa americana, construiu em Israel uma rede de postos de carga e de troca rápida de baterias, tendo em vista as especificidades do país - distâncias curtas entre cidades e custo elevado do combustível, alugando os Fluence Z.E. aos clientes.

Já no que se refere a Portugal, pelas suas dimensões, o Fluence, sendo um citadino (devido à autonomia), não está vocacionado para circular nas ruas estreitas das nossas cidades. Quanto à autonomia, a marca anuncia 185 km. Na realidade, num percurso de Cascais a Alcochete e volta (130 km), em que à ida não se excederam os 100 km/h, na volta só a muito custo e não passando dos 70 km/h (o que nos valeu algumas buzinadelas de outros condutores) é que foi possível regressar à base. A 10 km da "meta", ouviu-se um sinal sonoro, acendeu-se uma luz vermelha e o sistema de navegação sugeriu os postos de carga mais próximos. Mesmo assim ainda houve autonomia para os últimos quilómetros. Isto é, numa utilização normal, a carga da bateria dá para pouco mais de 100 km.

--%>