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A esplanada da Soundwich, a sande que dá música
Uma esplanada especial no Parque da Cidade da Invicta onde as sandes chegam em "caixas de música". Cada "soundwich", o seu chef e a sua música. Depois do Porto, também Lisboa poderá ter as suas sandes musicais. Mas há mais para descobrir neste Soundwhich.
Joana Lencastre e António José Teixeira estão declaradamente a dar-nos música. E não é que gostamos?Já terminámos a refeição de mais de três horas e estamos praticamente sós na esplanada Soundwich. António José carrega uma pilha de caixas metálicas e pousa-as na mesa. Abre uma e ouve-se uma voz masculina: "Olá, sou o Nuno Inverneiro e preparei-lhe esta soundwich de sabores portugueses e pronúncia do Norte. Desfrute, aproveite o bom tempo e as coisas boas da vida e vai ver que o sol brilhará." De seguida, os Beatles cantam Here comes the sun.
Abrimos outra caixa. "Olá, eu sou o Luís Américo e espero muito sinceramente que lhe dê tanto prazer a comer esta soundwich como me deu a mim criá-la. Bom apetite" - e entram em cena Louis Armstrong e Ella Fitzgerald, Cheek to cheek. Podemos multiplicar o exercício por sete, mas por agora pedimos um ponto de ordem à mesa.
Há soundwiches no Porto há dois meses - e elas andam nas bocas do mundo. As coordenadas são fáceis de decorar: Parque da Cidade, Núcleo Rural, loja 1000 Paladares. Localizados? Agora vamos ao que realmente interessa: a esplanada que nos habituámos a ver naquela eira desafogada abriu este Verão com novo figurino. Numa piscadela de olho à pronúncia do Norte, Joana Lencastre e António José Teixeira apostaram forte no conceito soundwiches.
Microfone aberto para António José Teixeira: "Desenvolvemos um conceito onde a música e a gastronomia de assinatura se unem para proporcionar momentos de fruição". Sete chefs com créditos firmados na praça portuense (e não só) foram convidados a criar sanduíches que chegam à mesa em caixas metálicas. Uma vez abertas, um chip põe o cliente a ouvir a saudação que cada cozinheiro preparou, bem como uma das suas músicas de eleição.
Mas, em abono da verdade, está no ar há relativamente pouco tempo - no dia em que visitámos a Soundwich as caixas com os chips estavam mesmo, mesmo a chegar (António José garante que a Fugas foi a primeira a vê-las prontinhas), pelo que não tivemos a experiência de provar a sanduíche com direito à banda sonora do chef. Nesse dia, a música era outra: a Smooth FM (Porto, 89.5; Zona Centro, 92.8; Lisboa, 103.0) é, desde o dia da abertura, a 9 de Junho, a rádio de casa da esplanada.
As referências musicais não se esgotam aqui. As ementas chegam em discos de vinil - calhou-nos um álbum de Falco - e a clientela com mais de 30 anos manuseia com cuidado estas peças (quase) de museu que os dois sócios foram comprar à feira da Vandoma. Há mais coisas nesta Soundwich respigadas dos baús de leiloeiras e afins: por exemplo, o champanhe com que iniciamos a refeição vem à mesa num bacio pintado à mão do século XIX, agora convertido em frappé; e os pratos são quase todos desirmanados, resultado, também, de mergulhos nos sótãos.
António José já nos explicou isto tudo - e entretanto a mesa começa a compor-se. Para além das soundwiches, há ainda as tapewiches, também com a assinatura dos mesmos chefs. Provamos um carpaccio de polvo em marinada de pimentos com salada (da autoria de Nuno Inverneiro), um carpaccio de novilho em salsa tartufo com rúcula e queijo velho de vaca (Luís Américo), mas é a proposta de Camilo Jaña que mais nos surpreende: mil folhas de salmão fumado com ricotta e ervas. Acompanhamos com sangria de espumante (recomendável) mas a boa notícia é que na Soundwich quem quiser trazer o seu vinho de casa é bem-vindo.
