Fugas - restaurantes e bares

Apita o clube, à beira do rio...

Por Luís J. Santos ,

E, subitamente, o comboio saiu a apitar da Bica e só parou em Santa Apolónia. Conduzido por Mikas, do Bicaense ou do extinto Terraço, e por quatro companheiros, o novo Clube Ferroviário abriu em Junho e soma atributos: comidinhas Magnólia, dinâmica programação de concertos, DJs e festas, duas salas cenário de cinema para discoteca e eventos e um infinito terraço com vista infinita do Tejo.

Chamemos-lhe o factor Uau. Uma pessoa chega muito descansada a mais um novo bar e de repente descarrila. A sensação começa no bom gosto da simplicidade: vai-se subindo para o céu desta nova atracção da tarde/noite alfacinha através dos sinais de um clube recreativo tradicional. Chegando pela tardinha ao edifício, prolongamento do longo bloco CP de Santa Apolónia (muito para lá da estação) e quase vizinho do Lux, ainda se podem apanhar até vislumbres e sons de aulas de tango.

Depois, podem ouvir-se os matrecos a baterem bolas. E pode ir-se admirando a montra de troféus conquistados pelo velho Clube Ferroviário, grémio recreativo para os trabalhadores do sector homónimo. Logo: sobe-se com o pendor da recreação e dos sinais de outros tempos. E, passado o primeiro contacto com o bar interior, eis que... Uau!, se cruza o portal para uma outra dimensão. Dir-se-ia que não tem nada de mais: é só um terraço e aquilo ali é só o Tejo. Dir-se-ia. Agora, venha cá, cruze o portal, veja o terraço que se alonga a 25 metros de comprido por 10 de largo, leve com o rio nos olhos e depois diga-nos se não lhe aconteceu o mesmo. É o bendito factor Uau que, ainda por cima, se desenvolve ao ritmo dos comboios que passam lá em baixo, connosco sentados em bancos de um comboio Intercidades.

Claro que postais ilustrados alfacinhas, como este, há muitos. É aqui que tudo o resto entra nos carris para fazer a diferença. Entra Mikas, sábio dos bares e culturas várias. No CV: Atira-te ao Rio, Bar das Imagens, Bicaense e sua movida, loja-cabeleireiro-bar WIP e mais recentemente um muito amado O Terraço -, e entram quatro sócios ligados às artes e às publicidades - o realizador João Nuno Pinto, o fotógrafo Nuno O''Neill Pinheiro de Melo e Ricardo Sena Lopes, director-geral da agência Ogilvy. E entra ainda neste clube o programador Sandro Benrós, que assina parte da programação do Bicaense e que no Ferroviário tem a seu cargo dinamizar com festas, DJs convidados e concertos (a que se somarão uma miríade de eventos, de cinema a performances ou expos) mais duas jóias da coroa do edifício: duas cinematográficas salas interiores marcadas por décos 60s/70s - uma delas a discoteca, apropriadamente baptizada de TGV. A rematar tudo isto, a colaboração da cadeia Magnólia Caffé (responsável pelas gastronomias).

Uma nova plataforma cultural

Ainda há pouco mais de um mês, o Clube Ferroviário de Portugal (CFP), clube recreativo nascido em 1961 (da fusão de dois grupos, na altura já com umas três décadas: Grupo Desportivo da CP e Ateneu Ferroviário), vivia na sua activa rotina neste edifício que é a sua sede. Aqui, o CFP continua a realizar diversas actividades (desportivas, musicais, culturais - do remo ao tango, do atletismo às danças de salão) e o novo bar fica no topo do edifício, ocupando também com eventos mais duas grandes salas, sendo gerido autonomamente.

Um casamento da modernidade com o tradicional, que é para manter: "Queremos envolver a comunidade e que as pessoas do CFP se sintam bem-vindas", explica Nuno O''Neill, um dos sócios. "E não queremos que isto seja só mais um bar", explica, "queremos desenvolver uma plataforma cultural", "onde caibam todo o tipo de eventos culturais" - até os mais pequenos poderão vir a ter direito a programação própria. Quando Nuno e companhia chegaram ao espaço, sentiram o tal factor Uau e só pararam quando tornaram o imenso terraço um bar deluxe: "estava praticamente inutilizado, era uma espécie de despensa e ferro-velho", conta.

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