A vida não anda fácil, ao que parece também para os ricos. Depois do Cayenne, a Porsche voltou a vislumbrar, por entre os sinais da crise, uma solução que pode deixar os puristas da marca com menos uns cabelos, mas serve para aliviar a consciência (e pressionar menos a carteira) de quem tenha alguma "vergonha" por andar num veículo de luxo. O Panamera Diesel é a versão mais barata e menos potente da berlina de luxo alemã e ajuda a baixar a factura energética.
A Porsche sempre se mostrou avessa a motorizações a gasóleo, mesmo que agora consiga recuar ao passado para justificar a nova aposta com o fabrico, no passado, de um... tractor agrícola (o detalhe só parecerá bizarro a quem não se recordar, por exemplo, das origens de outra marca de automóveis de sonho a Lamborghini). Seja como for, depois de engolir o orgulho com o Cayenne, o SUV (Sports Utility Vehicle) que abriu as portas do mundo do gasóleo ao emblema de Zuff enhausen, chega agora a vez do Panamera, a berlina de quatro lugares, de também dispor de uma versão movida a combustível mais plebeu.
A resposta da Porsche à crise do(s) mercado(s) não podia revelar-se mais adequada, mesmo havendo sempre quem torça o nariz a olhar para um Gran Turismo desportivo com o apelido de Rudolf Diesel fixado junto às entradas de ar esculpidas atrás das cavas das rodas dianteiras.
Por fora, o Panamera preserva as linhas esbeltas que podem dividir gostos, principalmente quanto à secção posterior, mas que indiscutivelmente concorrem para dar coerência à imagem global desportiva do modelo germânico.
O interior mantém os padrões de qualidade do construtor alemão. Quer em termos de materiais de revestimento, quer no que respeita ao aprumado rigor na montagem. A instrumentação repartida pelo tablier e pela consola central acaba por se mostrar intuitiva na observação e manuseio. A ignição continua do lado esquerdo do volante, com o comando do travão de estacionamento, eléctrico, um pouco mais abaixo.
O bloco de 3.0 litros V6, com injecção directa e turbo de geometria variável, debita 250cv (mais 10cv do que no Cayenne), mas o protagonismo é assumido pelo binário de 550 Nm disponível logo desde as 1750 rotações e mantendo este valor até às 2750, o que se traduz numa pujança invejável, desde o arranque e nas recuperações. A precisa transmissão automática Triptronic S, de oito velocidades que pode ser comandada sequencialmente no volante ajuda a uma progressão consistente. Para tanto há que elogiar a direcção de bom tacto, que permite explorar com afinco, e sem perder a compostura, os trajectos mais sinuosos.
O apoio firme da suspensão também contribui para um desempenho sem mácula em curvas exigentes. No percurso de meia centena de quilómetros efectuado na apresentação da Porsche Ibérica, as viaturas estavam dotadas da opcional suspensão pneumática adaptativa (PASM-Porsche Active Suspension Management). No modo Sport ou Sport Plus é possível escolher uma diferente resposta da direcção, da caixa de velocidades, do pedal do acelerador e do sistema de amortecimento. A par das desenvoltas prestações, a média de consumos beneficia de uma eficiente e suave função startstop, que pode baixar até 6,3 l/100 km com pneus opcionais de baixa resistência ao rolamento. Os cerca de nove litros patentes no computador de bordo, após uma condução mais exigente, não deslustra muito das metas homologadas.