Fugas - Motores

  • Enric Vives-Rubio
  • Enric Vives-Rubio

Um brinquedo para os mais crescidos

Por João Palma

Não só as crianças gostam de brinquedos. E se o Mini, nas suas várias versões, é um meio de diversão para adultos, o John Cooper Works é a essência de tudo o que idealizamos num Mini: design, divertimento e desportividade.

Há carros cujo objectivo principal é ser um meio de transporte funcional. Não é o caso do Mini John Cooper Works. Por acaso, até pode transportar quatro pessoas (embora as que se sentam atrás fiquem bem apertadas) e tem uma bagageira onde cabem dois (pequenos) trolleys. Porém, esta versão desportiva do Mini é muito mais que um meio de transporte – é um meio de diversão que faz despertar a criança que há dentro de todos nós. Um bonito brinquedo, que, com 211cv de potência, convida a fazer travessuras.

O Mini John Cooper Works presta tributo a uma herança desportiva com mais de 50 anos, com origem no lendário designer de carros desportivos John Cooper, que, nos anos 1950, ao criar um chassis onde o motor se situava na traseira, revolucionou o desporto automóvel ao mais alto nível, desde a Fórmula 1 às 500  Milhas de Indianápolis. Na mesma época, desenvolveu uma versão desportiva do clássico Mini, o Mini Cooper, que se iria tornar uma referência não só na versão desportiva, vencedora por três vezes do Rali de Monte Carlo, mas também na variante comercial. O moderno Mini continuou esta tradição e o Mini John Cooper Works, nas suas versões de competição e comercial, continua a ser sinónimo de carro desportivo divertido de conduzir.

Este pequeno e potente veículo pode não ser muito prático para famílias compostas por mais que o casal e um filho – duas pessoas é mesmo o ideal. A bagageira, com 160 litros, é menor que a de muitos citadinos. E nem sequer é o mais económico dos Minis, com uma média anunciada de 6, 6 l/100km com a caixa manual de seis velocidades. Na prática, apesar de dispor de sistema Start & Stop (paragem e arranque automáticos do motor) e de indicador de mudança de velocidade no visor do computador de bordo, o consumo médio, dependendo da condução, oscila entre os 7,5 l/100km e os 8,5 l/100km, o que ainda assim não é excessivo, se considerarmos a potência e as características deste desportivo.

E, no entanto, o segundo mais potente Mini, só superado pelos 218cv do Mini John Cooper Works GP (uma edição limitada, só disponível por encomenda), é um carro que suscita paixões mesmo em pessoas que, em geral, olham para os automóveis como objectos utilitários. Numa definição de prazer de condução, o Mini John Cooper Works pode ser considerado um paradigma. Pese a potência, é muito fácil e divertido de conduzir. E não é por ser um desportivo – qualquer que seja o tipo de condutor que se senta atrás do volante fica imediatamente conquistado. É algo que não se pode definir com precisão, um conjunto de qualidades enquadrado por um design muito feliz que torna este carro muito apetecível.

Tem defeitos? Claro que sim. O já referido espaço reduzido para ocupantes e bagagens, o consumo e também a localização da marcha-atrás na caixa de velocidades manual.

Depois há ainda a questão da longa lista de equipamento opcional, típica dos modelos da BMW, em que, num carro que custa 34.000€, há que pagar à parte coisas como os comandos no volante, os sensores de chuva e de luminosidade, a conexão Bluetooth e outros “extras” que são de série noutros veículos deste nível de preço. Mesmo no carro que conduzimos, relativamente desprovido de equipamento opcional, havia um acréscimo de 3000€ em relação ao preço-base.

Mas esqueça-se tudo isto. O Mini John Cooper Works não obedece aos parâmetros habituais de avaliação de carros. E não é pelo seu comportamento irrepreensível em curva, ou pelo facto de, com a sua potência, transformar as mais íngremes subidas em rectas planas onde vai sempre a acelerar. Basta sentarmo-nos ao volante e premir o botão de arranque para percebemos que este carro tem um encanto muito particular.

 

BARÓMETRO
Design, qualidade dos materiais e acabamentos, resposta do motor e prazer de condução
- Equipamento opcional que deveria ser de série, espaço reduzido nos bancos traseiros e na mala

PORMENORES

Quase perfeita
A caixa de seis velocidades manual, nas mudanças para a frente, com relações curtas como convém a um desportivo, é precisa e bem escalonada. Porém, a posição da marcha-atrás (à frente e ao lado da primeira) não está muito bem definida e, com o carro parado, é possível engrenar-se a primeira pensando que se está a meter a marcha-atrás. À frente da alavanca de velocidades situam-se três botões: um acciona o modo Sport, tornando o carro (ainda) mais vivo, alterando a resposta do acelerador e da direcção; outro desconecta o controlo de estabilidade (para quem queira fazer uma condução desportiva); e o terceiro desliga a função de Start/Stop.

Tudo à mão
Há veículos que requerem a leitura aprofundada de um grosso manual de instruções para se poder conhecer e usufruir de todas as suas potencialidades. Não é o caso deste pequeno desportivo. Os grandes visores circulares do velocímetro e do conta-rotações são de muito fácil leitura. Além disso, os comandos dos vidros, do climatizador, etc,. estão todos à mão ao centro da consola e são de fácil e intuitivo accionamento. E os comandos que não se situam ali estarão no volante (se se desembolsar os 200€ do custo deste “luxo” opcional).

Não é um meio de transporte
A bagageira, com 160 litros (680 litros com os bancos rebatidos), é pouco mais que nominal: cabem lá 2 trolleys pequenos ou uma mala média. E note-se que, como este carro traz pneu run-flat (à prova de furo), não tem pneu sobresselente, nem sequer o denominado kit de reparação de pneus. Os bancos da frente são confortáveis e envolventes, como convém a um desportivo. Já atrás, o espaço para os dois ocupantes é escasso e se o condutor  tiver 1,80m ou mais, quem se sentar atrás dele não terá sítio para colocar as pernas. Mas é óbvio que este Mini JCW não serve para transportar famílias: o ideal são duas pessoas; num trajecto curto pode albergar quatro ocupantes.

Coração de leão
Este motor 1.6 a gasolina, fruto de uma cooperação entre a BMW e o grupo PSA, é muito versátil e pode ter várias potências e binários. A variante John Cooper Works, disponível nas seis carroçarias da gama Mini –Mini,  Clubman,  Cabrio, Countryman, Coupé e Roadster – com 211cv  (218cv no caso do Clubman) é a segunda mais potente da gama, só superada pela do Mini John Cooper Works GP, uma edição limitada só disponível por encomenda. Para além de modificações no bloco 1.6 para lhe aumentar a potência e o binário, suspensão, travões e controlo de estabilidade também foram alterados para se adequarem a uma condução desportiva.


FICHA TÉCNICA

Mecânica

Motor
Cilindrada: 1598cc
Potência: 211cv às 6000 rpm
Binário: 260 Nm às 1750-5500 rpm (com overboost 280 Nm às 2000-5100 rpm em 1 minuto)
Cilindros: 4 cilindros em linha
Válvulas: 4 por cilindro
Combustível: Gasolina
Alimentação: Injecção directa. Turbocompressor Twin Scroll. Intercooler
Tracção: Dianteira
Caixa: Manual de 8 velocidades
Suspensão: Tipo McPherson com molas helicoidais e barra estabilizadora à frente; paralelograma deformável com molas helicoidais e barra estabilizadora atrás
Direcção: Pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica
Diâmetro de viragem: 11,3m
Travões: Discos ventilados (316mm) à frente e discos sólidos (280mm) atrás

Dimensões
Comprimento: 3758mm
Largura: 1683mm
Altura: 1407mm
Peso: 1160 kg
Pneus: 205/45 R17 84W. Pneus run flat
Capac. depósito: 50 litros
Capac. mala: 160 litros (680 litros com bancos traseiros rebatidos)

Prestações*
Velocidade máxima: 238 km/h
Aceleração 0 a 100 km/h: 6,5s
Consumo misto: 6,6 litros/100 km
Emissões de CO2: 153 g/km
* Dados do construtor

Preço: 33.900€(viatura ensaiada, 36.860€)


EQUIPAMENTO

Segurança
ABS: Sim
Airbags dianteiros: Sim
Airbags laterais: Sim, à frente
Airbags de cortina: Sim
Airbag de joelhos para o condutor: Não
Aviso de colocação dos cintos de segurança: Sim
Controlo electrónico de estabilidade (ESP): Sim
Controlo de tracção: Sim
Controlo de travagem em curva: Sim
Assistência à travagem de emergência: Sim
Assistência ao arranque em subida: Não
Função Start/Stop: Sim
Indicador de pressão dos pneus: Sim
Travão de estacionamento eléctrico: Não

Vida a bordo
Vidros eléctricos: Sim
Vidros escurecidos: Opção (162€)
Fecho central: Sim
Comando à distância: Sim
Retrovisores rebatíveis electricamente: Não

Climatizador bizona: Opção (276€ ouPack Chili II, 2150€)

Abertura do depósito no interior: Não
Abertura da mala no interior: Sim, com o comando
Bancos aquecidos e em pele: Opção (pacote bancos desportivos Recaro, 2400€)
Fixações Isofix: Sim
Jantes em liga leve: Sim, 17’’
Apoio de braços amovível à frente: Opção (170€)
Rádio/CD com MP3: Sim
Conexão Bluetooth: Opção (430€ou Pack Wired, 1150€)
Conexões iPod/iPhone: Opção (Pack Wired)
Comandos no volante: Opção (inclui cruise control, 200€)
Volante em pele: Sim
Volante regulável em altura: Sim
Volante regulável em profundidade: Sim
Botão de ignição Start/Stop: Sim
Computador de bordo: Sim
Alarme: Opção (Pack City, que inclui retrovisores eléctricos e sensores de estacionamento traseiros, 930€)
Navegação por GPS: Opção (620€)
Regulador/limitador de velocidade: Opção (200€ou Pack Chili II)
Sensores de luz e de chuva: Opção (130€ou Pack Chili II)
Sensores de estacionamento: Opção (276€ou Pack Chili II)
Faróis de nevoeiro dianteiros: Sim
Luzes de dia: Sim
Faróis de xénon: Opção (577€ ou Pack Chili II)
Tecto de abrir eléctrico: Opção (1020€)

--%>