Fugas - motores

Ford Focus: Chega em Abril em versão high tech

Por Mariana Correia Pinto

Imagine-se um carro de segmento C com uma lista de ajudas à condução e medidas de segurança dignas de figurarem num automóvel maior ou premium. Haverá muitas maneiras de apresentar a terceira geração do Ford Focus, que chega ao mercado português em Abril, mas esta - a do "carro high tech" - talvez seja a mais apropriada.

A estratégia da Ford tem numa câmara digital montada junto ao retrovisor interior um dos elementos centrais. Através dela, a marca desenhou cinco tecnologias de apoio à condução: aviso de saída de faixa e assistência à manutenção de faixa, sistema de alerta de cansaço do condutor, reconhecimento dos sinais de trânsito, controlo automático das luzes de máximos e sistema de assistência ao estacionamento.

É verdade que a montra tecnológica que a Ford apresenta faz quase toda parte da lista de opcionais (o sistema star/ stop é de origem) e não é propriamente uma novidade absoluta, mas, dentro do segmento, os rivais também não disponibilizam a maior parte dessas opções. E há alguns packs bastante acessíveis que, no mínimo, vale a pena pensar em adquirir (porque não optar por um sistema de ajuda ao estacionamento em vez de umas jantes maiores ou estofos em pele?).

Por 450 euros, o Pack Driver I inclui um sistema automático de estacionamento e espelhos retrovisores eléctricos e recolhíveis; por 700, o Pack Driver II junta-lhe o sistema de segurança a baixa velocidade (que trava automaticamente o carro a velocidades baixas, evitando as colisões muito frequentes em cidade); por 1.200, o Pack Driver Plus apresenta sistema de aviso de saída de estrada (inclui alerta condutor e faróis automáticos), detecção de ângulo morto, segurança a baixa velocidade e reconhecimento de sinais de trânsito.

ONE Ford é o nome da estratégia global da marca para a produção de veículos a nível mundial. Produzido em cinco locais e vendido em 120 países, o Focus vai partilhar em todos eles mais de 80 por cento das peças. É uma imagem única que justifica o facto de andarmos a ouvir falar do Focus há um ano, sem que ele esteja realmente disponível no mercado.

O Ford de cinco portas que conduzimos (o quatro portas e a carrinha chegam cerca de um mês depois, em Maio) é 2,1 cm mais comprido e 1,6 cm mais baixo e estreito, com a distância entre eixos a crescer 8 mm. É um plano de combate ao peso que não afecta a habitabilidade (apenas torna a bagageira um pouco mais pequena) e contribui para melhorar consumos e comportamento em estrada. Mesmo a velocidades menos "legais", o carro responde com uma estabilidade invejável, mas é o comportamento em curvas sequenciais que mais impressiona. Um sistema de vectorização de binário, que usa os travões para uma distribuição variável do binário pelas rodas dianteiras consegue maior aderência. A direcção eléctrica, introduzida no Focus pela primeira vez, apresenta uma calibragem afinada e o amortecimento da suspensão em pisos irregulares é também boa.

O Focus surge com uma oferta alargada de motores - três a diesel e dois a gasolina. O 1.6 EcoBoost (de 150 ou 182cv) combina injecção de alta pressão, turbo de baixa inércia e duplo controlo de funcionamento variável de válvulas. O resultado é uma resposta convincente desde os regimes mais baixos até aos mais altos. São 7,9s para chegar aos 100 km/h e um consumo médio de apenas 6 l/100 km com emissões de 139 g/km de CO2, muito graças a uma caixa manual de seis velocidades (em vez das cinco anteriores) perfeitamente escalonada, suave, rápida e silenciosa.

E é essa mesma caixa que surge na versão que será a mais vendida em Portugal: o 1.6 turbodiesel (com 95 ou 115cv). Nestas duas ofertas, estão disponíveis as versões Trend (mais simples) ou Titanium (mais recheada), sendo as restantes apenas propostas com o nível Titanium. A Ford anuncia um preço de 26.560 euros na sua série especial First Edition, para o 1.6 TDCi de 95 cv Titanium, a que acrescem jantes em liga leve de 17 poelgadas, sistema automático de estacionamento, vidros escurecidos, chave inteligente e estofos parcialmente em couro. As restantes versões não têm ainda preços definidos, mas a entrada da gama, na versão Trend, faz-se nos 24 mil euros.

Ser um "world car" exige algumas cedências. O visual exterior do Focus é uma delas: este modelo está, sem dúvida, mais apto a agradar a uma gama alargada de clientes, mas, dirão os adeptos do "visual Focus", menos capaz de se diferenciar. No exterior, reinam as linhas futuristas, que produzem uma ideia de movimento mesmo quando o carro está parado, uma frente agressiva com três entradas de ar de grandes dimensões no pára-choques e faróis rasgados. Por dentro, o painel de bordo apresenta materiais de qualidade e a posição do travão de mão, ao lado da alavanca de velocidades, é uma opção curiosa.

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