Fugas - motores

Fábio Teixeira

Opel Astra Sports Tourer 1.7 CDTI Cosmo: Armas de peso para manter a tradição

Por Luís Francisco

A Opel é o construtor automóvel que mais carrinhas vende em Portugal, uma coroa que enverga desde 1988, garantem os responsáveis da marca. A nova geração Astra tem, por isso, uma tradição a defender. E apresenta argumentos à altura da missão. A começar pelo preço.

No princípio - e estamos a falar da década de 50 do século passado - o próprio nome desvendava a filosofia do modelo. Quando a Opel lançou a Kadett Caravan, estava dado o pontapé de saída para uma tendência de mercado que hoje se manifesta com cada vez maior evidência: as carrinhas vendem mais do que as versões que lhes estão na base. Para a nova Opel Astra Sports Tourer, a previsão é que represente 65 por cento do total do modelo em Portugal.

Já agora, e antes que fique por explicar, Caravan é a aglutinação de duas palavras, "car" e "van", carro e carrinha. Essa capacidade para ser o veículo da família e, ao mesmo tempo, possibilitar utilizações, digamos, mais laborais explicou inicialmente o sucesso das station wagon, o nome que veio do outro lado do Atlântico. Mas depois a realidade foi mudando e a mera disponibilidade de espaço extra tornou-se um pormenor fulcral no momento de escolher um carro para a família.

Em Portugal, a Astra Caravan oferecia espaço, mecânica interessante e uma relação preço/qualidade imbatível, argumentos que explicam a sua enorme popularidade. Para o século XXI, porém, a denominação alterou-se: foram-se as Caravan, vieram as Sport Tourer. O nome parece algo rebuscado, como que à procura de mascarar alguma mudança de filosofia. Somos desconfiados, os portugueses em geral e os jornalistas em particular. Mas bastam alguns quilómetros ao volante para sossegar os espíritos: esta é uma herdeira à altura do passado da marca.

A nova geração Astra faz questão de acompanhar (e até acelerar) a tendência para a incorporação de tecnologia de ponta em modelos mais populares. A versão carrinha não foge a esta regra e junta-lhe uma boa capacidade para gerir espaços interiores, mecânica apurada e uma estética bem mais evoluída do que a dos modelos anteriores. Tudo somado, temos um bom carro, à altura do que o construtor alemão nos habituou.

Mas estará a Sports Tourer bem posicionada no que terá sido o seu verdadeiro campeonato, o da relação preço/qualidade? Ora bem, a versão testada, com 1700cc de cilindrada e 125cv de potência, fica a meio de duas especificações que dominam o mercado dos turbodiesel: os 1.5 ou 1.6, normalmente com potências a rondar os 110cv; e os 2.0, a partir de 140cv. Vejamos dois exemplos, sempre considerando as versões mais equipadas. A Volkswagen tem a Golf Variant 2.0 TDI a 35.034 euros e a 1.6TDI a 28.377; a Renault apresenta a Megane Sport Tourer 2.0 dCi por 35.200 euros e a 1.5 dCI a 27.950. Notavelmente, a nova Opel Astra Sports Tourer 1.7 CDTI, de 125cv, custa 27.500 euros.

Ou seja, é mesmo mais barata do que as versões menos potentes da concorrência. Será que oferece o mesmo que as suas rivais? Aí, a resposta já não pode ser absoluta nem baseada em números. Há listas de equipamento para conferir - a Astra pode disponibilizar alguns dos extras de ponta presentes no modelo superior, o Insígnia, mas muitos deles pagam-se à parte. E ainda a avaliação sempre pessoal de quem se senta ao volante ou se deixa conduzir.

Este não é o motor mais interessante da Opel, explique-se desde já. Ruidoso, pouco dado a esforços súbitos e fonte de muitas vibrações, está a dar sinais de idade. Mas, enquanto não se vai embora, é com ele que a marca conta para garantir a fatia mais generosa das suas vendas. Tal como sucede com a berlina, é aqui que reside o ponto mais fraco do modelo. O resto da mecânica comporta-se com galhardia, destacando-se a suspensão e a direcção, ambas excelentes exemplos da forma equilibrada como se conseguiu conciliar o bom desempenho com uma notável sensação de solidez.

Os interiores reforçam a sensação de que o Astra (e ainda mais nesta versão carrinha) está mais perto dos modelos de segmento superior. Os materiais são genericamente bons. A montagem não oferece dúvidas. O espaço a bordo é muito agradável à frente, apenas razoável atrás em largura e a bagageira está à altura do que por aí se vende. Com uma vantagem: é muito prática, graças a um fundo plano e de fácil acesso, e introduz novidades interessantes em termos de utilização.

Ou seja, sem dar parte de fraca perante a concorrência, a nova carrinha Astra apresenta os seus argumentos com um sublinhado especial, o de um preço competitivo. Nos tempos que correm, é um cartão-de-visita irrecusável.

Barómetro

+ Preço, conforto, visual exterior, bons interiores, bagageira prática, solidez geral

- Motor "velho", espaço para passar os pés nas portas, largura dos lugares traseiros, alguns (poucos) materiais, extras pagos à parte

Precioso

A suspensão de controlo electrónico Flex Ride custa mais 750 euros, mas é a solução para os problemas de genica deste motor. Tem duas opções, Sport e Tour, para além do modo normal Standard. A sua acção fundamental incide na pressão dos amortecedores, mas há um truque precioso: no modo Sport (as luzes do tablier passam do branco a vermelho), as reacções do acelerador são optimizadas. E basta isso para ultrapassar a falta de resposta do motor a baixa rotação, aumentando exponencialmente o prazer de condução.

Complicativo

Atrás e à frente, não há volta a dar. As portas da Astra são pequenas (o que até dá jeito nos modernos parques de estacionamento...) e o piso do habitáculo fica uns bons centímetros abaixo da moldura. O resultado é uma grande chatice: serão precisas muita habituação e uma generosa paciência para as vicissitudes da tentativa/erro até se conseguir evitar que os pés encalhem no momento de sair do carro.

Boa ideia

O sistema que permite abrir a cortina da bagageira em dois ângulos é um bom exemplo daquelas coisinhas que não parecem complicadas mas revelam preocupação com o utilizador. Em vez de deixar correr a tampa pela calha até às costas dos bancos, pode optar-se por fazê-la deslizar em ângulo ascendente ao longo dos pilares traseiros, garantindo o acesso à zona de bagagem sem nos vermos forçados a "atirar-nos" lá para dentro no momento de a recolher.

Prático

E se é verdade que uma carrinha é o carro familiar por excelência, então a Opel fez bem o trabalho de casa e concentrou esforços na zona da bagageira, cujo tamanho, por si só, não impressiona. Um extra ainda mais interessante do que o sistema de abertura da cortina é o do rebatimento dos bancos traseiros. Em vez de uma ginástica confusa entre o portão e a porta traseira, com cliques e torções pelo meio, um simples botão, colocado junto à área de bagagem. Carrega-se e já está.

FICHA TÉCNICA

Mecânica

Cilindrada: 1686cc
Potência: 125cv às 4000 rpm
Binário: 280 Nm entre as 2000 e as 2700 rpm
Cilindros: 4 em linha
Válvulas: 16
Alimentação: Injecção directa de gasóleo por conduta comum, turbo de geometria variável
Tracção: Dianteira
Caixa: Manual de 6 velocidades
Suspensão: Independente, tipo McPherson, à frente; semi-independente, com eixo de torção composto e braços Watt, atrás
Direcção: Pinhão e cremalheira, assistida
Travões: Discos ventilados à frente, discos atrás

Dimensões

Comprimento: 469,8 cm
Largura: 181,4 cm
Altura: 153,5 cm
Peso: 1318 kg
Pneus: 215/50 R17
Capac. depósito: 56 litros
Capac. mala: 500 litros

Prestações*

Velocidade máxima: 192 km/h
Aceleração 0-100 km/h: 11,7s
Consumo misto: 4,5 litros/100 km
Emissões CO2: 119 g/km
* Dados do construtor

Preço: 27.500 euros ?(viatura ensaiada: 29.460 euros)

EQUIPAMENTO

Segurança

ABS: Sim
Airbags dianteiros: Sim
Airbags laterais: Sim
Airbags cortina: Sim (à frente e atrás)
Controlo de tracção: Não
Controlo de estabilidade: Sim
Controlo de velocidade: Sim
Assistência ao arranque em subidas: Sim
Reconhecimento de sinais de trânsito: Opção (500 euros)
Suspensão de controlo electrónico: Opção (750 euros)

Vida a bordo

Vidros eléctricos: Sim
Fecho central: Sim
Comando à distância: Sim
Direcção assistida: Sim (variável)
Retrovisores eléctricos: Sim (e aquecidos)
Ar condicionado: Sim (automático de duas vias)
Abertura depósito interior: Não
Abertura mala do interior: Não
Travão de mão eléctrico: Sim
Estofos em couro e tecido: Sim
Bancos desportivos: Opção (forrados a couro perfurado, 1000 euros)
Bancos traseiros rebatíveis: Sim
Jantes especiais: Sim
Rádio: Sim (com CD e MP3)
Comandos no volante: Sim
Volante regulável: Sim (em altura e profundidade)
Computador de bordo: Sim
Sistema de navegação: Opção (entre 750 e 1200 euros)
Alarme: Opção (400 euros)
Tecto de abrir: Opção (eléctrico, 900 euros)
Sistema de transporte de bicicletas: Opção (600 euros)
Sensores de chuva: Sim
Sensores de luminosidade: Sim
Sensores de estacionamento: Opção (à frente e atrás, 350 euros)
Monitorização da pressão dos pneus: Opção (200 euros)
Faróis de xénon: Opção (adaptativos, 950 euros)
Pneu suplente: Opção (40 euros)

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