OK, o motor é igual, a plataforma é a mesma, os materiais e as soluções interiores são idênticos... Sim, mas este é um Seat e o termo de comparação pertence à casa-mãe, a Volkswagen. Se ainda existe alguma lógica nisto, então o Sharan terá de ser melhor do que o Alhambra, porque é destes dois monovolumes - ambos fabricados em Palmela - que estamos a falar. E a resposta a esta dúvida é: sim, o VW é um carro mais completo do que o Seat. Mas também é bastante mais caro, pelo que o Alhambra se impõe como a opção mais equilibrada entre os dois.
Apesar de dinamicamente não ter as qualidades tão aprimoradas como o seu irmão da Volkswagen, a verdade é que a política de equipamento e opções favorece o Seat, criando um produto mais acessível e com melhor relação preço qualidade. Como o Sharan já estava bem colocado em termos de mercado global, esta vantagem do Alhambra estende-se a toda a restante concorrência directa, tanto mais que Renault (Grand Espace, 54.400 euros), Peugeot (807, 47.288 euros) e Citroën (C8, 52.078 euros) só disponibilizam a caixa automática em motorizações mais potentes.
Esta, a dois litros turbodiesel com 140 cv, é muito alegre e proporciona excelentes andamentos e recuperações notáveis (menos impressionantes à medida que se aumenta a carga a bordo, naturalmente). Os consumos são comedidos e o sistema Start/Stop, que desliga o motor quando estamos parados, ajuda a poupar combustível.
Tal como aconteceu com o Sharan, a grande novidade estética (e funcional) do Alhambra prende-se com a adopção das portas laterais de correr, eléctricas numa opção quase incontornável. Os ganhos em termos de eficácia e ergonomia são indiscutíveis, mais a mais num carro que conta com uma terceira fila de bancos - estão embutidos no fundo da bagageira, montam-se muito facilmente e são adequados para adultos mesmo em viagens mais longas.
Tal como acontece com o Sharan (e perdoem a insistência, mas aqui podia ter sido feito mais qualquer coisinha para diferenciar os dois modelos...), os interiores são funcionais, mas não mostram qualquer chama. Está tudo no sítio, tudo funciona, os materiais não merecem reparos (talvez no modelo da VW tenham um bocadinho mais de brilho, ou será apenas sugestão...) e sentimo-nos genericamente bem a bordo, porque o habitáculo é iluminado (ainda mais, se optarmos pelo tecto panorâmico), espaçoso, modulável e bem equipado. Mas não é propriamente alegre.
Há, do ponto de vista do condutor, uma coisa em que o Alhambra surpreende: o posto de condução parece mais baixo do que o normal neste tipo de veículos. Nota-se ao subir para o carro, mas, curiosamente, não tem grandes consequências no ângulo de visão para o trânsito. Não é complicado encontrar uma boa posição de condução e os bancos são muito competentes.
Listar as possibilidades de configuração das duas filas traseiras seria fastidioso. Mas basta dizer que o Alhambra pode transportar de um a sete passageiros e o piso de carga fica sempre plano qualquer que seja a lotação adoptada. Está pensado para responder a todas as solicitações e é, claramente, fora das cidades que se sente como peixe na água. Em ambientes mais claustrofóbicos, as suas limitações de manobrabilidade vêm ao de cima.
A caixa automática é bastante eficiente e, graças a uma insonorização que bate aos pontos a do Sharan, conduzir o Alhambra é uma tarefa repousante. Desde que se vá a direito. Quando é necessário rodar o volante, o cenário muda: a direcção é muito sensível a toques bruscos, mesmo que pequenos, e, com uma suspensão bem mais dirigida para o conforto do que a do seu irmão gémeo, podemos dar por nós a estragar a magia de uma bela viagem com safanões despropositados. Já agora, uma referência ao carácter pouco "proactivo" dos travões, cujo pedal é algo esponjoso.
Serão problemas para se esbaterem à medida que nos habituamos ao carro, mas estarão sempre lá. Não há carros perfeitos. Este não está nada mal; está até bastante bem colocado na escala quando consideramos a relação preço qualidade, mas há alguns detalhes que "borram a pintura". Um deles continua a ser a opção por pneus "run-flat" para não ter pneu suplente. Percebe-se que o espaço faz falta no fundo da bagageira, mas será preciso voltar a lembrar que um rasgão pode estragar um dia de viagem?
Barómetro
+ Motor, espaço a bordo, modularidade, conforto, acessos aos bancos traseiros, insonorização, preço, classe 1 nas portagens
- Direcção demasiado sensível, interiores "cinzentos", inexistência de pneu suplente, manobrabilidade, travões pouco convincentes
Incontornável
As portas laterais de correr e o portão traseiro podem ser de comando manual, mas a opção pelo modo eléctrico é quase incontornável. Ganha-se em segurança (há um sistema anti-entalamento) e em qualidade de vida. As portas podem ser operadas através da chave de ignição, dos comandos no tablier ou do botão situado no pilar central do carro. Para evitar que os miúdos nos surpreendam, o melhor é desactivar esse botão quando estamos em andamento (o comando fica na porta do condutor).
Soluções
Os três bancos da segunda fila podem mover-se individualmente e o do meio transforma-se em mesa. Rebatem-se facilmente para facilitar o acesso à terceira fila e enrolam-se sobre si mesmos para criarem uma plataforma de carga perfeitamente lisa. Lá atrás, dois adultos viajam confortavelmente nos assentos que saem do piso da bagageira. Não há nada como um monovolume para percebermos como um carro pode ser (quase) tudo o que dele esperamos.
Reticências
O comportamento do Alhambra é, genericamente, bastante neutro. Mas há coisas que não agradam quando fazemos solicitações mais radicais: a direcção é muito sensível a golpes bruscos, a suspensão balanceia em excesso e os travões (caso se justifique) exigem habituação, por causa de um pedal algo esponjoso. Ninguém vai andar a fazer ralis com um monovolume, mas um gesto mal calculado pode transformar-se num susto.
Correcto
Os sensores de estacionamento são de série, como deveria acontecer sempre em carros desta dimensão. Aliás, no Alhambra a Seat parece ter acertado na política de extras: pagam-se à parte itens como a câmara de estacionamento, o sistema de navegação, as cadeirinhas para os miúdos, os estofos em pele ou o tecto de abrir panorâmico. Não fosse o "pormenor" de as portas eléctricas também serem opção e não haveria nada a apontar. Assim...
FICHA TÉCNICA
Mecânica
Cilindrada: 1968cc
Potência: 140cv às 4200 rpm
Binário: 320 Nm entre as 1750 e as 2500 rpm
Cilindros: 4 em linha
Válvulas: 16
Alimentação: Injecção directa por conduta comum, turbo de geometria variável
Tracção: Dianteira
Caixa: Automática de 6 velocidades (comando sequencial no volante)
Suspensão: Independente, tipo McPherson, à frente, independente, com braços sobrepostos, atrás
Direcção: Pinhão e cremalheira, assistida
Travões: Discos ventilados à frente, discos atrás
Dimensões
Comprimento: 485,4 cm
Largura: 190,4 cm
Altura: 172,0 cm
Peso: 1803 kg
Pneus: 205
60 R16
Capac. depósito: 70 litros
Capac. mala: 300 litros (sete lugares)
809 litros (cinco lugares)
Prestações*
Velocidade máxima: 191 km/h
Aceleração 0-100 km/h: 10,9s
Consumo misto: 5,7 litros/100 km
Emissões CO2: 149 g/km
* Dados do construtor
Preço: 41.067 euros (versão ensaiada: 44.812 euros)
EQUIPAMENTO
Segurança
ABS: Sim
Airbags dianteiros: Sim
Airbags laterais: Sim (atrás em Opção: 195 euros)
Airbags cortina: Sim
Airbag joelhos condutor: Sim
Controlo de tracção: Sim
Controlo de estabilidade: Sim
Assistência ao arranque em subidas. Sim
Cruise-control: Sim
Função Start/Stop: Sim
Vida a bordo
Vidros eléctricos: Sim
Fecho central: Sim
Comando à distância: Sim
Direcção assistida: Sim
Controlo de pressão dos pneus: Sim
Câmara de estacionamento traseira: Opção (com ecrã a cores, 445 euros)
Retrovisores eléctricos: Sim (aquecidos e escamoteáveis)
Ar condicionado: Sim (automático de três vias)
Estofos em pele: Opção (com aquecimento à frente e regulação eléctrica: 2070 euros)
Abertura depósito interior: Não
Abertura mala do interior: Sim
Bancos traseiros rebatíveis: Sim (e terceira fila)
Banco de criança integrado: Opção (195 euros; dois por 395 euros)
Terceira fila de bancos: Sim
Portas laterais e traseira eléctricas: Opção (930 euros)
Cortina nas janelas da segunda fila: Sim
Jantes especiais: Sim
Rádio: Sim (com CD e MP3)
Sistema de navegação: Opção (945 euros)
Comandos no volante: Sim
Volante regulável: Sim
Travão de mão eléctrico: Sim
Computador de bordo: Sim
Alarme: Sim
Tecto de abrir panorâmico: Opção (eléctrico, no Pacote Avançado Style: 1475 euros)
Sensores de chuva: Sim
Sensores de luminosidade: Sim
Sensores de estacionamento: Sim (à frente e atrás)
Faróis de xénon: Opção (adaptativos e com lava-faróis: 945 euros)
Assistente de máximos: Sim