Fugas - motores

Enric Vives-Rubio

Jaguar XJ 5.0 V8 SWB Portfolio: Felino de raça superior

Por Luís Filipe Sebastião

Não será a versão mais adequada ao mercado nacional, fruto da gulodice fiscal portuguesa. Mas enquanto se aguarda pela versão mais "plebeia", a diesel, a Fugas aponta os predicados e os (poucos) pecadilhos de um automóvel sedutor

A Jaguar realizou uma profunda renovação do XJ, o seu modelo topo de gama. A estética apurada é apenas um dos fortes argumentos desta berlina de luxo, que exibe toda a sua raça na versão equipada com o possante bloco de 5.0 litros, a gasolina, que a fiscalidade lusa se encarrega de tornar ainda mais exclusivo.

A marca britânica, agora detida pela indiana Tata, assumiu uma arrojada renovação do design dos seus principais modelos, como já havia demonstrado no feliz formato do XF. O aspecto moderno do XJ, rompendo com a anterior imagem bem mais conservadora, traduz-se em linhas esculturais que remetem para um avantajado coupé. Os olhos de gato selvagem enquadram a peculiar grelha escancarada, mas será na forma da secção posterior que as opiniões se poderão dividir. Goste-se ou não, as ópticas traseiras exibem um desenho singular, que recordam as de um velho topo de gama italiano (Lancia Thesis). O que se regista como abonatório.

Entrar no XJ constitui uma experiência sensorial única. A unidade ensaiada, com a carroçaria Standard Wheel Base (SWB), com menos 12,5 centímetros de comprimento do que a versão "longa", possui espaço desafogado para quatro ocupantes. Uma quinta pessoa terá menos conforto no lugar traseiro do meio, limitado devido à largura reduzida e à dimensão do túnel central. O requinte proporcionado pelos revestimentos em couro, aplicações em madeira, peças em metal cromado e forro do tecto e pilares em alcântara, transporta-nos para uma dimensão superior. A elevada qualidade percebida de montagem só sai beliscada pela presença de barulhos parasitas que não se esperava de todo escutar num automóvel deste patamar (e que não se encontram, por exemplo, num S-Type com seis vezes mais quilómetros) ...

O condutor possui motivos para se deslumbrar com o primor tecnológico ao dispor. Desde logo pelo modernismo do painel de instrumentos virtual, uma vez que o velocímetro e o conta-rotações convencionais são "exibidos" num ecrã TFT. Isto combinado com o toque "retro" do relógio analógico, situado entre duas saídas de ar salientes do tablier, por cima do monitor táctil de alta definição do sistema de navegação e configurações do veículo. Sem esquecer a excitação de, após premir o botão Start/Engine/Stop, ver subir o comando rotativo (estreado no XF) da transmissão automática de seis velocidades e dar pelo rugido (de ilusória mansidão) do motor com oito cilindros em V.

O bloco de 5.0 litros aspirado, com 385cv, possui um fôlego impressionante. Numa toada suave e com um ronco progressivo no modo normal, mas que se transfigura numa resposta mais brusca quando se opta pelo modo Sport. O sistema dinâmico optimiza as reacções face às condições do percurso e, com o auxílio do controlo electrónico de estabilidade, faz muitas vezes esquecer que a viatura mede mais de cinco metros. A direcção é precisa q.b. para se rolar na trajectória pretendida em trajectos sinuosos, mas obriga a redobrado afinco em pisos molhados. Para prevenir sobressaltos, o modo de Inverno controla o comportamento do motor e da tracção em situações de menor aderência.

O modo desportivo da caixa pode ainda ser combinado com a função Race, que ajusta os parâmetros da transmissão, da direcção e da suspensão para um comportamento mais eufórico. Nesta altura, o painel de instrumentos assume uma coloração vermelha e a mudança de relações tem de ser comandada sequencialmente através das patilhas atrás do volante. A sensação com que se fica é a de que só em pista se poderá tirar pleno proveito da resposta do vigoroso V8. Mas, em boa verdade, a marca britânica possui no seu catálogo modelos com características mais desportivas. Seja como for, para a maioria bastará saber que este XJ possui têmpera para um desempenho mais "vivaço" do que aquele que lhe estará, à partida, reservado.

Até porque as mordomias a bordo - o sistema de som com 17 altifalantes pode ser ampliado para 20 no opcional Bowers & Wilkins (3050 euros) e a televisão digital (904 euros) pode ser vista pelo passageiro da frente no monitor Dual View (1270 euros), enquanto o condutor só consegue ver a navegação - convidam à descontracção. A moderação impõe-se também pelo facto de os consumos se ressentirem na directa proporção do peso exercido sobre o pedal do acelerador, com médias na ordem dos 15 litros por cada 100 quilómetros percorridos.

Barómetro

+ Resposta do motor, estética apelativa, luxo interior, comportamento dinâmico, escalonamento da transmissão

- Consumos, barulhos parasitas, materiais exteriores, comando manual da caixa só no volante

Sinal dos tempos

O jaguar em posição de corrida há muito que deixou de figurar na ponta do capot dos modelos da marca de luxo britânica. Fosse pelo vandalismo ou pelas apertadas normas de protecção dos peões, um emblema do felídeo passou a ser incorporado no topo da grelha ou, como é o caso, no meio do rendilhado à frente do motor. O Enric, mesmo para quem liga pouco a carros, ficou desapontado com a falta da clássica estatueta da Jaguar. Teve de se contentar com o felino recortado na tampa da bagageira e no meio do volante. Estranha-se, porém, que um automóvel com carroçaria em alumínio e magnésio ostente a imponente grelha cromada em mero plástico.

Exclusivo no pormenor

O ecrã TFT do painel de instrumentos virtual do XJ é apenas um dos pormenores requintados do modelo britânico. A vantagem para o conta-rotações, velocímetro e outros mostradores convencionais reside na redução do peso e na fiabilidade do sistema. A apresentação das informações varia consoante os modos normal, Inverno e dinâmico (Sport/Race). A unidade ensaiada, com a versão de equipamento Portefolio (a segunda mais recheada de entre quatro), somava ao preço base cerca de 14.580 euros de extras, todos relacionados com o conforto. O completo equipamento de série contempla o diferencial com controlo activo e a suspensão dinâmica adaptativa (que substitui o sistema CATS).

Escutar as estrelas

O tejadilho panorâmico em vidro, dividido em dois e com a parte dianteira de abertura e cortina eléctrica, contribui muito para iluminar o ambiente a bordo. Disponível de série nesta versão de equipamento, o tecto de abrir poderá, no entanto, estar na origem dos barulhos parasitas notados na unidade ensaiada, após um exame minucioso efectuado por um mecânico de um concessionário da marca. Um problema que a assessoria de imprensa garantiu resolver prontamente e se espera que não venha a afectar a versão mais "acessível" para o mercado nacional, equipada com o turbodiesel de 3.0 litros V6 de 275cv.

Segurança reforçada

Mandaria a descrição que fosse um pormenor bem guardado. Mas revela bem dos cuidados da marca de luxo britânica em matéria de segurança. Na bagageira, com capacidade de 520 litros, existe da parte de dentro um cabo que acaba num puxador de plástico fluorescente. Trata-se de um simples sistema para abrir a mala por alguém que fique preso no seu interior - por exemplo no caso de uma vítima de "carjacking". A proliferação deste tipo de pequenos dispositivos (cuja eficácia foi comprovada pela FUGAS) pode ajudar na prevenção deste tipo de crimes.

FICHA TÉCNICA

Mecânica

Cilindrada: 5000cc
Potência: 385cv às 6500 rpm
Binário: 515 Nm às 3500 rpm
Cilindros: 8 em V
Válvulas: 32
Alimentação: Injecção directa de gasolina
Tracção: traseira
Caixa: Automática, de 6 velocidades
Suspensão: McPherson, adaptativa e barra estabilizadora, à frente; multi-braços e barra estabilizadora atrás
Direcção: Pinhão e cremalheira
Travões: Discos ventilados à frente e atrás

Dimensões

Comprimento: 512,2 cm
Largura: 189,4 cm
Altura: 144,8 cm
Peso: 1755 kg
Pneus: 245/45 R19 (frente); 275/40 R19 (atrás)
Capac. depósito: 82 litros
Capac. mala: 520 litros

Prestações*

Velocidade máxima: 250 km/h
Aceleração: 0-100 km/h: 5,7s
Consumo combinado: 11,3 litros/100 km
Emissões CO2: 264 g/km

* Dados do construtor

Preço: partir de 145.711 euros
Viatura ensaiada: 160.888 euros

EQUIPAMENTO

Segurança

ABS: Sim
Airbags dianteiros: Sim
Airbag joelhos para o condutor: Não
Airbags laterais: Sim, à frente
Airbags cortina: Sim
Controlo de tracção: Sim
Controlo de estabilidade: Sim
Ajuda ao arranque em subida: Sim
Selector de modos de condução: Sim

Vida a bordo

Vidros eléctricos: Sim
Fecho central: Sim
Comando à distância: Sim
Direcção assistida: Sim
Retrovisores eléctricos: Sim
Ar condicionado: Sim, automático de quatro zonas
Abertura do depósito no interior: Não
Abertura da bagageira no interior: Sim
Jantes especiais: Sim
Rádio: Sim, com interface áudio
Telefone integrado: Sim
Comandos no volante: Sim
Volante regulável em altura: Sim
Volante regulável em profundidade: Sim
Computador de bordo: Sim
Bancos dianteiros eléctricos: Sim
Bancos dianteiros aquecidos: Sim
Bancos dianteiros ventilados: Sim
Estofos em pele: Sim
Alarme: Sim
Tecto de abrir: Sim
Navegação por GPS: Sim
Regulador de velocidade: Sim
Head Up Display: Não
Sensores de chuva: Sim
Sensores de luminosidade: Sim
Sensores de estacionamento: Sim (à frente e atrás), câmara traseira (366 euros)
Faróis de nevoeiro: Sim
Faróis de bi-xénon: Sim, direccionais em opção (953 euros)
Lava-faróis: Incluído nos faróis bi-xénon
Luzes diurnas em LED: Sim

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