Fugas - motores

Honda VFR 1200F: Revolucionária ou algo completamente diferente?

Por Paulo Curado

A Honda revolucionou um dos seus principais emblemas de duas rodas. A VFR 1200F pretende marcar uma nova era, mas para muitos puristas do modelo, que está perto de festejar um quarto de século, do passado ficou apenas a designação. Paulo Curado foi experimentar as emoções desta turística que continua a manter toda a sua vocação desportiva. Ou será o contrário?

O conceito surgiu na década de 80 do século passado: sintetizar numa única moto o prazer e conforto das grandes viagens turísticas, não hipotecando as emoções de uma condução desportiva. Uma lógica que levou ao nascimento da VFR, em 1986, que rapidamente se tornou num sinónimo de qualidade, fiabilidade e avanço tecnológico da Honda, que sofrera um forte revés na sua reputação e fiabilidade, após os fracassos dos modelos VF em 1984 e 1985. Em vésperas de festejar um quarto de século, o modelo conheceu a mais drástica (r)evolução da sua história. E as mudanças foram tantas que muitos puristas falam num novo paradigma de moto, que manteve apenas as iniciais de sucesso reconhecido.

Guardada com sucesso longe das objectivas mediáticas, o lançamento da nova VFR não deixou ninguém indiferente no mundo das duas rodas. Entre críticas e elogios, as opiniões foram surgindo em catadupa, com a Honda a desdobrar-se em apresentações mais ou menos personalizadas nos últimos meses, nomeadamente nos clubes de VFRs espalhados pelo mundo. Ao contrário de anteriores evoluções, a actual deixa poucas lembranças em relação às suas antecessoras.

Para além das alterações já anunciadas, como o aumento significativo de cilindrada, que saltou dos 800 para superar os 1200cc, são inúmeras as restantes mudanças, do pormenor ao "pormaior". A começar pelo design arrojado (que demorou a assimilar), destacando-se a carenagem dianteira, onde houve a preocupação de deixar longe da vista qualquer sinal de parafusos ou mesmo qualquer cabo e fio eléctrico menos estético. Pouco consensual será o original tubo de escape em formato compacto e triangular, que capta desde logo a atenção (denominado "bacalhau" ou "presunto" pelos críticos).

Mais robusta do que os modelos anteriores, a nova VFR lembra, por vezes uma fusão com a CBR 1100XX, nomeadamente quando observada de frente. Apesar dos seus 267 kg, acaba por ser surpreendente a estabilidade e segurança que transmite, com o peso muito bem distribuído, contribuindo para o equilíbrio e facilidade de condução.

Qualificada, desde o seu nascimento, como a máxima expressão da capacidade tecnológica da Honda, a versão 1200F não desilude neste capítulo. Um sistema de acelerador electrónico (que permite dosear o combustível) e uma embraiagem deslizante (que desliza durante as reduções rápidas, impedindo a roda traseira de bloquear) marcam a versão mais clássica deste modelo, que apresenta uma opção (mais onerosa), equipada com um revolucionário sistema de Transmissão de Dupla Embraiagem (VFR 1200 DCT: "Dual Clutch Transmission").

Uma tecnologia que está, pela primeira vez, disponível numa moto, com embraiagem e mudanças automatizadas. Nesta versão, o condutor pode escolher entre uma condução desportiva ou turística (que pode ser alterada em andamento), que permite obter consumos iguais ou melhores do que os das motos equipadas com transmissão manual convencional. Mecanicamente, este sistema é semelhante às transmissões de dupla embraiagem maiores instaladas nos automóveis, mas mais compacto e adaptado à realidade e limitações de espaço das duas rodas.

Para além dos dois modos de funcionamento totalmente automáticos (o "D" para um funcionamento descontraído e económico; o "S" para uma condução desportiva) existe ainda a possibilidade de um terceiro, de selecção manual de seis velocidades, com que permite um controlo total ao condutor, através de comandos electrónicos, com respostas idênticas a uma transmissão manual.

Maiores reservas suscita a capacidade reduzida do depósito de combustível, de 18,5 litros (menor do que a antecessora 800cc), que limita substancialmente a autonomia da moto.

Mas a pergunta inicial, persiste: é uma VFR? "Na frente ainda se pode admitir que é uma VFR, mas na traseira parece uma R, não tem um banco de turismo", analisou ao FUGAS Mário Bernardino, presidente do Clube VFR Portugal. Fora a estética, as opiniões gerais dos membros do clube foram mais positivas em relação à mecânica e ciclística: "Eu não a vejo como uma VFR. Deram-lhe potência e o mesmo nome, por ser um modelo muito prestigiado da Honda."

FICHA TÉCNICA

Motor

Tipo: 4 cilindros em V, 4 tempos, refrigeração líquida, UNICAM
Cilindrada: 1.237cc
Potência máxima: 172cv às 10.000 rpm
Alimentação: Injecção electrónica de combustível PGM-FI com IACV
Caixa: 6 velocidades
Peso em ordem de Marcha: 267 kg
Preço: 15.000 euros (16.450, na versão DCT)

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