Fugas - motores

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Um carro que é um mimo

Por Carla B. Ribeiro

Poderia ter uma vocação mais hedonista, não fossem as cinco portas. Ou uma berlina familiar não fosse o espaço do banco traseiro tão apertado. Entre as dúvidas, a Fugas arrisca-se a catalogar o novel DS4, que a Citroën apresenta como um híbrido, no segmento do mimo

A Citroën não hesita em designar o novo DS4, que deverá começar a chegar a Portugal a partir de 17 de Junho, como um híbrido. Isto é, com o DS4, a marca, ao invés de usar as classes a que nos habituámos, baralha e volta a dar. Desta vez, o objecto é um modelo com 1,53m de altura que passa por um coupé, apesar das suas cinco portas (com as duas traseiras convenientemente disfarçadas), mas que não deixa ao acaso o conforto da condução, com a elevação da respectiva postura - graças a uma subida da suspensão face ao C4.

No fundo, o DS4 é um derivado do C4, mas destinado a uma condução mais individualista - e muito a quem gosta de exibir o que conduz. É que, embora a marca garanta que três pessoas se sentam no banco traseiro (e, de facto, até se sentam, sendo que inclui sistema ISOFIX para as cadeiras infantis), o certo é que o espaço é curto e até as janelas são fixas, deixando os passageiros do banco de trás à mercê das vontades de quem segue à frente, estes sim, com espaço de sobra para esticar as pernas.

De qualquer das formas, a ideia da Citroën não era construir nem um desportivo nem um monovolume, mas antes uma espécie de mimo, a começar pelo design das suas linhas exteriores, concebidas pelo francês Olivier Vincent, a partir dos velhinhos mas ainda muito charmosos DS. Depois houve o trabalho de dar ao carro personalidade própria: apesar de partilhar o capot com o C4, cumpriu-se o desafio de enfiar as duas portas traseiras sem que se desse por elas. Já as linhas foram todas arredondadas, retirando agressividade ao veículo, mas sem comprometer a sua masculinidade, garantida na linha inclinada do vidro pára-brisas, que, como noutros Citroën, pode ser mais alto, proporcionado a sensação de céu aberto, nos faróis rasgados ou nas jantes que chegam às 19 polegadas.

Depois, os detalhes dos interiores, que podem ser escolhidos ponto a ponto, dependendo da carteira (o DS4 será comercializado entre os 28.000 e os 37.000 euros, com versões Chic, So Chic e Sport Chic). Debruado a cromado e forrado a pele, destacam-se pormenores como o pesponto à vista dos forros dos bancos, os pedais cromados, o punho da caixa de velocidades em forma de bola ou o volante de pele cortado em baixo a cromado.

O DS4 surge com cinco motorizações, servidas por uma caixa de seis velocidades: duas a diesel (HDi 110 e 160) e três a gasolina (VTi 120 - que deverá ficar de fora do mercado luso -, THP 155 e THP 200). No diesel, há ainda uma versão e-HDi 110, que permite reduzir as emissões de CO2 ao desligar e voltar a ligar automaticamente o motor sempre que o carro se encontra parado.

Em todas as versões, a Citroën preocupou-se em não descurar o prazer da condução, o que se nota nalguma vivacidade, particularmente na versão mais musculada do THP, evidenciada pelo trovejar de um motor de 1.6 com uma potência de 200cv e 275 Nm de binário máximo, garantindo uma condução energética mesmo a baixa rotação. Em curva e contra-curva a resposta deste THP é garante de segurança. Na aceleração, a resposta é rápida para o uso quotidiano, mas as estradas barcelonesas, onde o carro teve a sua apresentação, não permitiram, nem de perto, atingir a sua velocidade máxima: 235 km/h.

A versão diesel, no caso o HDi de 160cv, revelou-se mais calma e subtil. Quer pelo motor hipersilencioso, quer pelas prestações: o binário máximo de 340 Nm chega às 2000 rpm e o auge da sua potência é atingida às 3750 rpm, com uma velocidade máxima anunciada de 212 km/h. E, embora permita algumas brincadeiras, não se predispõe a grandes aventuras: os travões, por exemplo, parecem comportar-se de forma mais suave (menos indicado a uma condução desportiva, mas ideais para quem busca comodidade). Nos consumos, a versão diesel ganha pontos importantes, especialmente se em circuito urbano. Já em percurso misto, as diferenças já não são tão expressivas.

Por tudo isto, o DS4 surge pronto a trocar as voltas a muitos, fazendo uso das suas características que, como sublinha a marca, num vídeo de apresentação, casam "o rigor alemão ao carácter latino". Acrescentaríamos que este DS4 combina ainda, em versão mimo, sobriedade e luxo.

Motor | Velocidade Máxima. | C. Médio | Emis. CO2 | Preço
1.6 HDi 110cv Caixa Manual de 6v. | 190 km/h | 4,7 l/100 km | 122 g/km | 29.142,80€*
1.6 e-HDi 110cv C.M. Pilotada de 6v. | 190 km/h | 4,4 l/100 km | 114 g/km | 29.692,80€*
2.0 HDi 160cv Caixa Manual de 6 v.| 212 km/h | 5,1 l/100 km |134 g/km | 37.192,80€*

1.6 VTI (120cv) | 193 km/h | 6,2 l/100 km | 144 g/km | não disponível
1.6 THP (155cv) | 214 km/ h | 6,5 l/100 km | 149 g/km | n.d.
1.6 THP (200cv) |235 km/h | 6,4 l/100 km | 149 g/km | n.d.

* preços disponibilizados a 1 de Junho de 2011

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