Barómetro
+ Motor, travões, suspensão, qualidade geral, economia, conforto
- Pormenores de equipamento, bancos traseiros só para dois, caixa melhorável, insonorização, manobrabilidade
É sentimento generalizado entre a comunidade "motorizada" que a BMW e a Mercedes representam, actualmente, a vanguarda do que se faz e desenvolve em termos de tecnologia automóvel aplicada ao quotidiano. Mas essa distinção vem normalmente acompanhada de uma ressalva: um bocadinho à frente da Audi. O novo A6 não dá grande espaço de manobra aos rivais e ganha mesmo vantagem em dois aspectos: a economia e a universalidade. Num Audi, toda a gente se sente bem.
Falamos de carros que custam mais de 50 mil euros e exibem listas de extras a pagar à parte que são capazes de assustar os mais incautos. Carros que estabelecem parâmetros elevadíssimos de conforto, comportamento e excelência tecnológica. Com interiores luxuosos, mordomias generosas e qualidade de construção acima de qualquer suspeita. Carros que, não fosse pelo preço (e, vá lá, pelo tamanho...), todos gostaríamos de conduzir.
Mas então o que diferencia o Audi A6 dos seus adversários Mercedes classe E e BMW série 5? Apenas detalhes. E nem podia ser de outra maneira. A sensação final ao cabo de alguns dias ao volante é que parece haver pequenas coisas que não estão à altura das ambições da marca. A saber: a caixa (manual de seis velocidades) não é brilhante, a insonorização parece pouco cuidada, a direcção "bate" quando o volante chega ao fim do seu curso, há pormenores de equipamento que bem podiam vir de série.
Depois desta "heresia", fica a homenagem: estamos em presença de um carro muito equilibrado, sensato e "amigo". E estes adjectivos não representam qualquer menosprezo, porque é mesmo desta sensação de boa companhia que estamos a falar.
Os BMW são mais agressivos, os Mercedes muito elitistas. Neste selecto grupo, o Audi é mesmo o carro mais universal, mais acessível. Carregando no botão da ignição, fica a certeza de que este motor TDI de 177cv não se envergonha perante a concorrência. Muito antes pelo contrário: é alegre, disponível, elástico. E económico. E pouco poluente - em tudo isto ajuda o facto de estarmos perante um carro bastante leve (graças ao uso abundante do alumínio na estrutura e carroçaria) para a sua corpulência.
Por falar nisso, há duas coisas que os quase cinco metros de comprimento exigiriam: maior brecagem no volante e uma câmara de estacionamento traseira (só disponível em opção). Naturalmente, o espaço interior é generoso e o ambiente a bordo respira qualidade. Teria mesmo de ser assim, num carro muitas vezes comprado para se ser conduzido. Esta possível vocação de carro para motorista fica bem evidente no desenho dos bancos traseiros, onde duas verdadeiras poltronas marcam presença, mas é de todo desconfortável sentar três pessoas. Lá atrás, há comandos e saídas independentes para o ar condicionado, excelentes luzes de leitura, um apoio central de braços que pode ser utilizado como mesa de trabalho. Já agora, mais um reparo: as cortinas laterais não podiam vir de série?
O A6 é um carro baixo, por definição, mas a sua posição de condução nunca se assemelha à de um desportivo. Apesar das múltiplas possibilidades de afinação proporcionadas pelos bancos e coluna da direcção, não é possível conduzirmos muito perto do fundo do carro. Nem quereríamos, certamente, não só porque a frente é enorme como também porque convém estar sempre atento às solicitações vindas do banco de trás...
Coloquemos então o boné de motorista (passe o estereótipo) e sentemo-nos ao volante. Estamos em presença de um excelente estradista e, mesmo com esta motorização de base, não é difícil perceber que há alma naquele chassis. Também é possível escolher um dos vários modos dinâmicos de condução, embora a opção esteja um pouco escondida.
Os travões são excelentes, a direcção também, a suspensão nunca nos deixa mal (mesmo em mau piso, consegue filtrar a maior parte das irregularidades). Quanto ao comportamento, é tão neutro quanto poderíamos esperar de uma berlina para executivos - presumese que as motorizações mais exuberantes terão outras coisas para nos dizer a este nível.
Resta referir que a gama A6 se inicia, exactamente, com este diesel de 177cv, nos 50.950 euros (haverá que contar com mais uns milhares para extras, tal como acontece na concorrência). Quase ao mesmo nível de um BMW série 5 (51.775 euros) e claramente abaixo do Mercedes classe E (55.237 euros). O Volvo S80 (44.430 euros) e o Saab 9-5 (43.898) são mais baratos; o Jaguar XF (57.435 euros) bastante mais caro. Ou seja, como em tantas outras coisas, a Audi aposta na ideia de que no meio é que está a virtude.
Pouco intuitivo
Podemos optar por cinco modos dinâmicos de condução ("Efficiency", "Comfort", "Auto", "Dynamic" e "Individual"), mas não há comandos evidentes para fazer a opção, como noutros modelos deste nível. Em vez disso, será preciso seleccionar a função Car no menu do computador de bordo e só então fazer a escolha. Não é muito prático, mas os botões com as memórias de rádio são-no ainda menos: teclas pequenas, todas iguais e sem relevo. Mais vale utilizar os comandos no volante, esses sim bastante amigos do utilizador.
Lotação esgotada
Um terceiro passageiro atrás, ao centro, não viajará confortável. Não só o seu assento não tem qualquer preocupação de ergonomia, como o volume da conduta central obriga a pôr uma perna para cada lado. O A6 foi desenhado a pensar em dois selectos ocupantes dos bancos traseiros, no máximo. E, para esses, o cenário é muito agradável. Se dúvidas houvesse, fica assim bem claro que este não é um carro para a família.
Notável
As motorizações diesel da gama para duas rodas motrizes são duas: o 2.0TDI de 177cv e o 3.0 TDI de 204cv. O primeiro tem quatro cilindros, o segundo seis. E foi preciso espreitar debaixo do capô para ter a certeza de que, neste caso, se tratava do motor mais pequeno. Que chega a ser entusiasmante na forma espontânea e imediata como disponibiliza a potência. E isto gastando, de facto, pouco.
Qualquer coisa
Esperava-se mais da única caixa manual da gama (todas as outras motorizações vêm com transmissões automáticas, multitronic ou S tronic). Está bem escalonada (com este motor a ajudar, também não era difícil...), mas mostra-se algo lenta e chega a ser ruidosa em alguns movimentos, pecado que parece inconcebível a este nível. Falta, realmente, qualquer coisa. Em termos mecânicos, está aqui o calcanhar de Aquiles do modelo.
FICHA TÉCNICA
Mecânica
Cilindrada: 1968cc
Potência: 177cv às 4200 rpm
Binário: 380 Nm entre as 1750 e as 2500 rpm
Cilindros: 4 em linha
Válvulas: 16
Alimentação: Turbodiesel de injecção directa múltipla por conduta comum
Tracção: Dianteira
Caixa: Manual, de seis velocidades
Suspensão: Independente, eixo de cinco braços com dois braços transversais superiores
e inferiores, à frente; braços trapezoidais e braço transversal, atrás
Direcção: Electromecânica, com assistência variável
Travões: Discos ventilados à frente, discos atrás
Dimensões
Comprimento: 491,5 cm
Largura: 187,4 cm
Altura: 145,5 cm
Peso: 1575 kg
Pneus: 225/55 R17
Capac. depósito: 65 litros (75 litros, em opção)
Capac. mala: 530 litros
Prestações
Veloc. máxima: 228 km/h
Aceleração 0 a 100 km/h: 8,7s
Consumo misto: 4,9 litros/100 km
Emissões CO2: 129 g/km
Preço
50.950 euros (versão ensaiada: 60.445 euros)
EQUIPAMENTO
Segurança
ABS: Sim
Airbags dianteiros: Sim
Airbags laterais: Sim (à frente; em opção, atrás - 435 euros)
Airbags cortina: Sim (à frente e atrás)
Airbag joelhos condutor: Não
Controlo de estabilidade: Sim
Assistência de arranque em subida: Sim
Controlo de tracção: Sim
Indicador de pressão dos pneus: Sim
Cruise control: Sim
Sistema Start&Stop do motor: Sim
Selecção de modos de condução: Sim
Vida a bordo
Vidros eléctricos: Sim
Fecho central: Sim
Porta-luvas com refrigeração: Não
Comando à distância: Sim
Botão Stop/Start de ignição: Sim
Direcção assistida: Sim
Travão de estacionamento electromecânico: Sim
Aviso de transposição de linhas: Opção (665 euros)
Alerta de objecto em ângulo morto e atrás: Opção (905 euros)
Alerta de aproximação ao veículo da frente: Opção (305 euros)
Head-Up display: Opção (1660 euros)
Sistema de visão nocturna: Opção (com reconhecimento de peões, 2400 euros)
Reconhecimento de sinais de trânsito: Opção (185 euros)
Retrovisores eléctricos (aquecidos, escamoteáveis e com memória): Sim
Ar condicionado (automático de duas zonas): Sim (quatro zonas, em opção: 785 euros)
Tecto de abrir eléctrico: Opção (1360 euros)
Vidros escurecidos: Opção (545 euros; com isolamento térmico e acústico: 1145 euros)
Cortinas: Opção (manuais nos lugares traseiros e eléctrica atrás: 545 euros)
Abertura do depósito no interior: Não
Abertura da mala do interior: Sim
Jantes especiais: Sim
Rádio: Sim (com CD e MP3 e ipod)
Volante desportivo multifunções: Opção (em couro: 140 euros)
Computador de bordo: Sim
Ecrã retráctil: Sim
Sistema de navegação: Opção (2030 euros)
Televisão: Opção (1290 euros)
Regulação do volante em altura: Sim (eléctrica em opção)
Regulação do volante em profundidade: Sim (eléctrica em opção)
Bancos eléctricos com memória: Sim (à frente, aquecidos em opção)
Estofos em pele: Opção (pacote Exclusive: 3850 euros)
Câmara de estacionamento atrás: Opção (545 euros)
Faróis de xénon: Opção (1420 euros; adaptativos, 2210 euros; no pacote Exclusive: 3850 euros)
Faróis dianteiros em LED: Opção (3305 euros)
Sensores de luminosidade: Sim
Sensores de chuva: Sim
Sensores de estacionamento: Sim (atrás e à frente)
Ajuda ao parqueamento: Opção (470 euros)