O renovado Sports Utility Vehicle (SUV) Chevrolet Captiva já está à venda em Portugal. A Fugas pôde conduzir a versão de sete lugares com tracção dianteira, novo motor de 163cv e o nível de equipamento Xtreme, aquela em que a marca aposta mais e cujo preço-base é de 36.950 euros. Esta variante 4x2 no nível de entrada, Seven, custa 34.750 euros. Dotado do mesmo bloco 2.2 a gasóleo, mas com 184cv e tracção integral, o preço do Captiva sobe para 46.950 euros.
De série, este Chevrolet traz uma caixa manual de 6 velocidades. Por mais 3250 euros, no Xtreme 4x2, ou 4650 euros, no LTZ 4x4, o Captiva pode vir equipado com uma caixa automática de 6 relações, que penaliza as performances e aumenta os consumos e emissões.
Por fora, o Captiva tem agora um visual mais dinâmico e robusto, com a linha de cintura a subir suavemente da frente para trás, a grelha, capot e ópticas frontais de acordo com o novo estilo da Chevrolet e a traseira onde se destacam os dois escapes colocados um de cada lado. Apesar de ter 4673 mm de comprimento, 1849 mm de largura e 1727 mm de altura, a elegância e o equilíbrio das suas linhas fazem com que, visto do exterior, pareça menor do que realmente é.
É no interior, em especial no posto de condução, que nos apercebemos das dimensões reais deste SUV. A primeira sensação é de que quase não cabe numa rua estreita (o que, por vezes, corresponde à realidade) e de ocupar toda uma faixa da auto-estrada. Depois habituamo-nos e o facto de trazer auxílio ao arranque em subida e câmara de visão traseira ajuda muito ao estacionamento em cidade (desde que se encontre um espaço com mais de 5 metros...).
No entanto, dada a sua grande frente, também seriam bem-vindos uns sensores de estacionamento dianteiros. Devido ao seu tamanho, precisa de espaço para virar, pelo que, dobrar uma esquina numa viela é algo que pode exigir mais do que uma manobra: não é um carro para circular no Bairro Alto lisboeta... Também apresenta algumas dificuldades em estradas estreitas e sinuosas.
O habitat natural deste SUV "americano" é a auto-estrada, onde, na variante com tracção dianteira, o motor 2.2 a gasóleo pode oferecer todos os seus 163cv de potência, não se sentindo a mínima perda de força, mesmo em sexta, face a subidas mais íngremes. Mas como quem muito trabalha muito come, a média de consumos verificados - 8,8 l/100 km em percurso misto com bastante condução em auto-estrada -, está longe dos 6,4 l/100 km anunciados pela marca.
Em relação à anterior geração, o Captiva está muito menos susceptível aos ventos laterais, tem uma suspensão mais macia e está mais bem insonorizado, pelo que a condução é agora mais confortável, em especial em viagens longas.
Em termos de equipamento, na tradição da Chevrolet de boa relação preço/equipamento, o Captiva que conduzimos, com o nível Xtreme, vem bem recheado de série e são poucas as opções, pelo que o preço de aquisição corresponde à realidade e não é engordado pelos muitos itens opcionais que se torna necessário adquirir em veículos de outras marcas.
A qualidade dos materiais e acabamentos é razoável, sendo os bancos forrados a pele preta, com os dianteiros aquecidos. O design do tablier cria o efeito de duplo cockpit e a iluminação do painel de instrumentos é em azul-gelo (à semelhança de outros modelos da Chevrolet). Os comandos no volante, além do sistema áudio e da conexão Bluetooth, também integram o programador/regulador de velocidade. Um pormenor curioso é o facto de o computador de bordo, entre a muita informação disponível, não incluir a do consumo instantâneo (será que é para não assustar?...).
Há bastantes espaços para arrumar objectos no interior do habitáculo, onde se sentam sete pessoas confortavelmente (nesta configuração, em detrimento do espaço para bagagens). O veículo que a Fugas conduziu trazia tecto de abrir eléctrico (um dos poucos opcionais oferecidos, por 590 euros), em vidro e com uma cortina manual que se pode fechar em dias de sol intenso. Este tecto de abrir aumenta a luminosidade interior.
Barómetro
+ Nível de equipamento, espaço interior, relação preço/equipamento
- Consumos, kit de reparação de pneus
Toda a informação necessária
Um grande visor táctil, a cores, de sete polegadas, no centro do tablier, fornece todas as informações necessárias para o condutor. Num primeiro ecrã, pode-se consultar o computador de bordo. Com um simples toque, aparece o mapa do sistema de navegação, com indicação dos limites de velocidade, que oferece possibilidade de, por meio de um sinal sonoro, o condutor ser avisado se os está a exceder. Quando se engrena a marcha-atrás, a câmara de visão traseira dá uma imagem com guias de proximidade, para facilitar o estacionamento.
Poupar espaço ou outra coisa?
Não se aceita, mas pode-se compreender que num carro de dimensões reduzidas o fabricante inclua um kit de "reparação" de pneus com o discutível propósito de ganhar espaço. Agora, num familiar como o Captiva não haver lugar para um pneu sobresselente normal ou uma roda de emergência é algo de inaceitável. O chamado "kit de reparação de pneus" só serve para resolver pequenos furos, sendo inoperante em buracos maiores, rasgões ou rebentamento de pneus. Além disso, danifica o pneu "reparado", que deverá ser substituído por novo a curto/médio prazo (a isto acresce o custo de um novo kit ou do seu reenchimento).
É só escolher
A modularidade é um dos pontos fortes deste veículo de características familiares. Pode-se optar entre dois, cinco ou sete lugares. Noutros mercados, o Captiva oferece uma variante só com cinco lugares, mas, em Portugal, a marca optou por comercializar apenas a versão de sete. Um dos motivos é a modularidade; o outro é o invulgar regime fiscal português. Na versão de cinco lugares, o Captiva é classe dois nas portagens; na variante de sete, com Via Verde, paga classe um (no pagamento manual, continua a ser classe dois).
Esqueceram-se da caixa manual...
O Chevrolet Captiva, com as suas dimensões e a potência do seu motor, sente-se como peixe na água em auto-estrada ou estradas com faixas amplas - o cenário que ocorre no subcontinente norte-americano. Aí, onde as caixas automáticas imperam, basta ao condutor accionar o cruise-control e fazer longos quilómetros, comodamente sentado, com o braço direito a descansar no apoio central (que tapa um compartimento para objectos). Porém, com caixa manual e no trânsito das ruas estreitas das cidades europeias, onde se torna necessário mexer frequentemente na alavanca das mudanças, este apoio de braço torna-se um estorvo e nem sequer há possibilidade de o levantar para ele não colidir com o cotovelo.
FICHA TÉCNICA
Mecânica
Cilindrada: 2231cc
Potência: 163cv às 3800 rpm
Binário: 350 Nm às 2000 rpm
Cilindros: 4 em linha
Válvulas: 4 por cilindro
Combustível: Gasóleo
Alimentação: Injecção directa por conduta comum; turbo de geometria variável; intercooler
Tracção: Dianteira
Caixa: Manual de 6 velocidades
Suspensão: independente, do tipo McPherson, com molas helicoidais, à frente; independente de quatro braços, atrás
Direcção: Pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica
Raio de viragem: 11,87m
Travões: Discos ventilados à frente (296 mm) e atrás (303 mm)
Dimensões
Comprimento: 4673 mm
Largura: 1849 mm
Altura: 1727 mm
Peso: 1355 kg
Pneus: 235/55 R18 (kit de reparação de pneus)
Capac. depósito: 65 litros
Capac. mala: 97 litros (7 lugares); 477 litros (5 lugares); 942 litros (2 lugares)
Prestações*
Velocidade máxima: 200 km/h
Aceleração 0 a 100 km/h: 9,4s
Consumo misto: 6,4 litros/100 km
Emissões de CO2: 170 g/km
Preço: 36.950 euros (viatura ensaiada, 37.540 euros)
* Dados do construtor
EQUIPAMENTO
Segurança
ABS: Sim
Airbags dianteiros: Sim
Airbags laterais: Sim, à frente
Airbags de cortina: Sim
Airbag de joelhos para o condutor: Não
Aviso de colocação dos cintos de segurança: Sim
Controlo electrónico de estabilidade (ESP): Sim
Controlo de tracção: Sim
Assistência ao arranque em subida: Sim
Função Start/Stop: Não
Indicador de pneu vazio: Não
Travão de estacionamento eléctrico: Sim
Vida a bordo
Vidros eléctricos: Sim
Vidros escurecidos: Sim
Fecho central: Sim
Comando à distância: Sim
Retrovisores rebatíveis electricamente: Não
Ar condicionado: Sim, automático, de duas zonas
Abertura do depósito no interior: Não
Abertura da mala no interior: Não
Bancos: em pele e dianteiros aquecidos
Fixações Isofix: Sim
Jantes em liga leve: Sim, de 18 polegadas
Rádio/CD: Sim (com Bluetooth e ficha USB)
Comandos áudio no volante: Sim Volante regulável em altura: Sim
Volante regulável em profundidade: Sim
Botão de ignição Start/Stop: Não
Computador de bordo: Sim
Alarme: Não
Tecto de abrir eléctrico: Opção (590 euros)
Navegação por GPS: Sim
Regulador/limitador de velocidade: Sim
Sensor de chuva: Sim
Sensor de luminosidade: Sim
Sensores de estacionamento: Sim, atrás, com câmara de estacionamento
Sistema de estacionamento automático: Não
Faróis de nevoeiro dianteiros: Sim
Faróis de xénon: Não