Vamos ser claros: se não fosse a sigla exterior, facilmente poderíamos ser levados a pensar que este é um motor a gasolina. Carrega-se no botão da ignição e um rugido cavo invade o habitáculo. Engrena-se a primeira velocidade, solta-se a embraiagem, carrega-se no acelerador e... eh, lá! Que reacção! Parecido com isto só mesmo o Cooper S, um dos mais portentosos diabinhos que a indústria automóvel libertou para a estrada nos últimos anos. E é mesmo um Cooper S. Com um D como complemento.
A motorização de dois litros turbodiesel debita 143cv, o que, num Mini, é qualquer coisa a ter em conta... Junte-se-lhe um chassis que replica o comportamento dos karts, uma caixa escalonada à maneira, uma direcção fantástica e travões a condizer. Junte-se tudo isto e temos um carro raçudo e seguro, provavelmente o mais divertido de conduzir entre os utilitários - e até para lá disso.
O Mini mostra agora estes predicados sobre uma motorização 2.0 diesel, bem conhecida de modelos BMW, surpreendentemente económica - mesmo com exageros à mistura, o consumo no teste ficou abaixo dos 7,5 litros aos 100 km. E a verdade é que este carro vibra um rude golpe no preconceito de que o gasóleo e o espírito desportivo são duas faces de moedas diferentes, dois mundos que não se misturam. A primeira coisa que se nota é a rapidez de reacção do motor - exactamente o pecadilho que sustentava a posição dogmática dos cépticos. Neste Cooper SD, o pedal da direita comunica directamente com o motor e este devolve o impulso em injecções de adrenalina.
A sensação de conduzir um Cooper S (a gasolina) é inolvidável. Com 184cv e um comportamento exemplar, este pequeno mafarrico parece impossível de levar aos limites e deixa-nos em êxtase enquanto tentamos. E este intróito serve para explicar quão altos são os patamares de expectativa quando nos sentamos ao volante de uma versão que ostenta o tal "S".
À partida, o entusiasmo gerado pelas incríveis sensações de condução já não condiciona o resto da análise. É, portanto, um olhar menos emocional aquele que deitamos à versão diesel desportiva da Mini. Se tal for possível... A verdade é que este é um carro que mantém os pergaminhos do modelo - e, por outro lado, também pouco faz para ultrapassar os problemas da gama.
Dinamicamente, é extraordinário. Fosse a caixa um bocadinho mais suave e não haveria (quase) nada a apontar-lhe. Curiosamente - e tendo, novamente, o Cooper S como termo de comparação - a suspensão parece agora ainda mais devotada aos prazeres do condutor. O compromisso é difícil de explicar: em andamento moderado e bom piso, este até pode ser um carro suave. Mas qualquer irregularidade mostra bem qual é a prioridade: a performance vem bem à frente do conforto.
Só que aqui detecta-se um problema que não parecia tão evidente na versão a gasolina. Se adoptarmos andamentos mais vivos, a reacção a um buraco ou desnível não se limita ao bater seco das suspensões desportivas. Há, também, um efeito claro na direcção. E isso é bastante desagradável. A meio de uma curva podemos sentir o carro a fugir da trajectória, como se estivesse momentaneamente desgovernado. Passa depressa, mas fica a dúvida.
Lá dentro, é um Mini. As mesmas virtudes - qualidade dos materiais, boa montagem, espaço à frente, visual personalizado e atraente - e os mesmos defeitos - lugares traseiros exíguos e de acesso difícil, alguns comandos pouco práticos, muito equipamento a pagar à parte. Justiça lhe seja feita, a Mini não engana ninguém. Com um preço a roçar os 30.000 euros, este carro é bem mais caro do que os rivais do mesmo tamanho. Mas, com esta motorização e a sua filosofia de base, o Cooper SD não tem propriamente rivais.
Ficha Técnica
Cilindrada: 1995cc
Potência: 143cv
Binário: 305 Nm entre as 1750 e as 2700 rpm
Transmissão: caixa manual de seis velocidades
Veloc. máxima: 215 km/h
Acel. 0 a 100km/h: 8,1s
Consumo médio: 4,3 litros aos 100/km
Emissões de CO2: 114 g/km
Preço: 29.900 euros (versão ensaiada: 36.720 euros)