O Ampera chega ao mercado nacional em Janeiro próximo. A berlina de quatro lugares da Opel combina um motor eléctrico com um gerador de extensão de autonomia suportado por um bloco a gasolina 1.4. A solução permite andar até pouco mais de 500 km apenas com um depósito de combustível, num veículo movido a electricidade. Só os cerca de 42.900 euros que custa podem arrefecer alguns entusiasmos.
O Ampera é o equivalente da Opel ao Chevrolet Volt. O projecto de mobilidade eléctrica do grupo General Motors assume-se como um novo segmento entre as viaturas híbridas. O Ampera não é um eléctrico "puro" porque possui o apoio de um motor a gasolina. Mas também não é um híbrido "vulgar" porque o bloco de 1.4 litros, a gasolina, fornece energia a um gerador que, por sua vez, alimenta o motor eléctrico. A velocidades mais elevadas, este gerador também contribui para mover as rodas dianteiras.
Ou seja, carregando o Ampera numa ficha de electricidade convencional, é possível percorrer entre 40 a 80 quilómetros exclusivamente a electricidade. Mas quando a bateria fi ca a 23 por cento da sua capacidade, o motor de combustão entra automaticamente em acção. O objectivo consiste em alimentar o gerador para se andar mais cerca de 450 km antes de ser preciso recarregar a bateria e reabastecer de gasolina. O consumo anunciado é de 1,6 l/100 km nos primeiros 100 km.
O sistema Voltec é composto por um motor eléctrico que debita 150cv. A bateria de iões de lítio montada sob o túnel central fornece energia para percursos até 80 km. A Opel lembra que cerca de 80 por cento dos europeus percorre uma média de 60 km/dia. A velocidade mais elevada, ou quando a carga está no nível mínimo, o gerador entra em acção alimentado pelo motor 1.4. A mudança é quase imperceptível e o som do bloco de quatro cilindros só se deixa ouvir pelo contraste com o silêncio do motor eléctrico. Para alertar os peões distraídos pode ser accionado um sinal sonoro no manípulo dos "piscas".
A transmissão da força motriz processa-se através de um sistema de engrenagem planetária (não existe caixa de velocidades), comandada por uma alavanca semelhante à de uma caixa automática tradicional, nos modos P (parqueamento), D (condução normal), R (marcha-atrás), N (ponto-morto) e L (recuperação de energia).
O condutor dispõe de quatro modos de circulação. O Normal garante a máxima eficiência, enquanto o Sport reforça a resposta do acelerador, mas sem retirar mais potência do motor eléctrico. O modo Montanha assegura energia na bateria para um percurso prolongado por estradas íngremes - convém seleccionar a configuração dez minutos antes do troço sinuoso. Já a Retenção de Carga preserva toda a energia da bateria, usando o gerador extensor de autonomia até, por exemplo, se chegar a um centro urbano com restrições às emissões de CO2 (como Londres, Florença ou Estocolmo) e circular apenas a electricidade. Pelas contas da Opel, percorrer os primeiros 100 km no Ampera custará 3,20 euros, contra os 7,25 euros gastos por um veículo similar a diesel. A bateria pode ser carregada numa tomada normal em menos de quatro horas e pode-se programar o carregamento para horas com tarifas mais baratas. A garantia para a bateria é de oito anos ou 160.000 km.
A suspensão McPherson à frente e semi-independente articulada atrás garante um bom apoio em curva. Mas a carroçaria rebaixada requer cuidado na transposição de lombas. O interior, espaçoso, possui quatro lugares e uma mala com 310 litros (sobe para 1005 litros com os bancos rebatidos). A cobertura da bagageira, um pano preso pelas quatro pontas, merecia outra atenção.
A consola central é parca em botões clássicos. Sobreviveram o da "ignição", do travão eléctrico de estacionamento, de fecho das portas e dos "piscas" de emergência. Os restantes comandos, como o ar condicionado e o sistema de navegação, são sensíveis ao toque. Assim como o monitor com as principais informações de consumo e eficiência energética.
Outro monitor policromático, à frente do condutor, substitui o tradicional velocímetro e conta-rotações, exibindo a velocidade de circulação, o estado de carga da bateria ou a autonomia. Um indicador de eficiência mostra como conduzir de forma ecológica a esfera giratória sobe e desce consoante a forma como se acelera ou trava, mantendo-se ao centro numa utilização optimizada da energia. O design exterior vanguardista possui como elementos distintivos as ópticas dianteiras em formato boomerang. A secção posterior incorpora um spoiler no portão da bagageira.
Na segurança passiva estão incluídos oito airbags (frontais, laterais, joelhos e cortina). O controlo de tracção e o programa electrónico de estabilidade são de origem. Disponível no mercado português a partir de Janeiro (o lançamento começa no norte europeu), o preço do Ampera andará pelos 42.900 euros. É a proposta intermédia da Opel antes da chegada de um citadino eléctrico e da ambicionada tecnologia assente no hidrogénio.
Ficha Técnica
Motor: Sistema Voltec com dois motores eléctricos + bloco a gasolina de 1398cc, 4 cil., 16V
Potência: 150cv (86cv às 4800 rpm do motor de combustão)
Binário: 370 Nm (130 Nm às 4250 rpm)
Transmissão: automática através de diferencial e engrenagens planetárias
Veloc. Máxima: 161 km/h
Aceleração 0 a 100 km/h: 9s
Consumo médio: 1,6 l/100 km
Emissões CO2: 40 g/km (motor gasolina)
Preço: a partir de 42.900 euros