Fugas - motores

Elegância italiana renovada

Por João Palma

Uma berlina de linhas atraentes, espaçosa, com bons acabamentos, equipamento e prestações razoáveis, condução suave e confortável. Neste cenário o pior são os consumos - cerca de 2 litros mais do que o anunciado

A gama Delta da Lancia tem históricas conotações desportivas, mas a versão que a Fugas conduziu, com uma versão menos potente do motor 1.6, a gasóleo, com 105cv, está muito mais orientada para conforto e suavidade de condução do que para altas performances. Esta berlina do segmento médio oferece, por 25.590 euros, linhas invulgares e elegantes ao melhor estilo italiano, design e acabamentos interiores de boa qualidade, habitáculo espaçoso e uma mala generosa. Tem performances razoáveis, mas consome bastante mais do que o anunciado.

O carro disponibilizado à Fugas, para além do equipamento-base, trazia ainda pintura metalizada (600 euros), jantes em liga leve de 17 polegadas (550 euros) e o pack Techno, que, por 850 euros, oferece o sistema Blue & Me de info-entretenimento, sensores de chuva, de luminosidade e estacionamento traseiro, programador/regulador de velocidade e espelho electrocromático. Com isto, o preço final da viatura ensaiada cifrava-se nos 27.590 euros.

O sistema Blue & Me permite fazer e receber chamadas telefónicas, conexão com o telemóvel e ouvir música através de MP3, i-Pod, pen USB ou do telefone, dispondo ainda de uma entrada Aux-in.

O Lancia Delta, uma berlina de 5 portas e 5 lugares tem um design elegante e dinâmico, com uma linha de cintura que mergulha da traseira para a frente, o que lhe confere um aspecto original, sublinhado por uma fileira de luzes de dia em LED. A traseira, com os farolins também em LED, realça a identidade estética deste carro. Já a grelha dianteira passa a dispor de barras horizontais, em vez de verticais. Trata-se de uma uniformização com a marca norte-americana Chrysler, actualmente controlada pelo Grupo Fiat, que inclui a Lancia. Consoante os países, existirão modelos de origem Lancia com a marca Chrysler e vice-versa.

Medindo 4520 mm de comprimento, 1797 mm de largura e 1499 mm de altura, o interior é amplo e os bancos traseiros deslizam longitudinalmente 80 cm, de forma separada, podendo posicionar-se uns mais à frente do que outros e as costas são reclináveis. A mala tem 380 litros de capacidade com os bancos todos recuados e 465 litros com eles puxados para a frente. Mas mesmo nessa posição, alguém que tenha pernas grandes não toca com os joelhos nas costas dos bancos da frente. Os acabamentos e o forro do tablier são num material macio e agradável ao tacto. Tem comandos no volante, regulável em altura e profundidade, e a instrumentação é simples e intuitiva de accionar.

Em termos de condução, o motor 1.6 a gasóleo com 105cv (também existe com 120cv) revela-se adequado para deslocar os 1410 kg do veículo, mais ocupantes e bagagem. Com o binário máximo disponível logo às 1500 rotações e uma caixa manual de 6 velocidades bem escalonada e fácil de manusear, esta versão do Lancia Delta proporciona uma condução confortável e suave. Em estrada, mesmo perante subidas um pouco mais acentuadas, não é necessário recorrer muito à caixa, embora não se esperem performances desportivas deste modelo mais vocacionado para transportar a família.

Para facilidade adicional de condução, em particular em curvas apertadas, o Delta dispõe do Absolute Handling System, uma evolução do sistema de controlo de estabilidade, que actua sobre a direcção em caso de sobreviragem e inclui ainda uma função denominada TCC (controlo da transferência do binário) que actua como um diferencial autoblocante.

Sendo um estradista por excelência, a circulação em cidade não foi descurada: além de possuir auxílio ao arranque em subida, premindo o botão "City" no painel de instrumentos a direcção torna-se mais leve para facilitar as manobras de estacionamento. Outra nota positiva é o facto de dispor de um pneu de emergência sob o fundo da mala em vez do famigerado kit de "reparação" de pneus, agora tão na moda, que, além de estragar o pneu e necessitar de substituição, é ineficaz em caso de danos no pneu maiores do que um simples furo.

Onde "a bota não bate com a perdigota" é no capítulo dos consumos: a marca anuncia uma média de 4,6 l/100 km. Numa condução suave, com uma parte em auto-estrada e sem apertar com o carro, não conseguimos baixar dos 6,6 l/100 km.

Em termos de segurança, para além do que já foi referido, dispõe de cinco airbags (frontais, laterais dianteiros e de cortina), podendo em opção ter airbags de joelhos para o condutor (+ 105 euros). Também em opção pode trazer faróis em xénon com iluminação em curva (885 euros), suspensão activa (825 euros), tecto de abrir eléctrico (1300 euros), aviso de transposição de faixa (515 euros), sistema de parqueamento semiautomático (515 euros) ou sistema de navegação (a partir dos 1260 euros).

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