Fugas - motores

Nuno Ferreira Santos

Raça e apetite de rei da cidade

Por Luís Filipe Sebastião

O compacto da Seat em vestes desportivas recebeu um motor a gasolina mais acessível, para além de alguns retoques estéticos e mais equipamento de série. Eis as principais mudanças.

O Seat Leon passou a dispor de uma motorização mais acessível na variante desportiva FR, com o bloco 1.4 TSI, de 125cv. O competente motor de quatro cilindros e injecção directa a gasolina mostra-se contido nos consumos numa utilização descontraída, mas a frugalidade esconde um apetite mais expressivo quando se puxa demasiado pelo brio desportivo deste modelo compacto do emblema espanhol do grupo Volkswagen.

A especificação Formula Racing (FR) apenas dispunha até aqui de uma oferta a gasolina, baseada no 2.0 TSI, com 211cv (existem ainda os FR, a diesel, com o 2.0 TDI de 140cv ou 170cv). O bloco 1.4 TSI, de 125cv, já era disponibilizado na versão Sport, mas agora, por mais cerca de 600 euros, passa também a ostentar a sigla FR. Neste caso com a vantagem de baixar a factura, em comparação com o motor mais potente, na ordem dos oito mil euros. 

Em termos visuais, as linhas desportivas do Leon foram ligeiramente retocadas, mas sem alterar substancialmente a sua imagem global. As ópticas posteriores passaram a incorporar luzes de tecnologia LED, incluídas no opcional pacote de iluminação exterior (927 euros), composto por faróis bi-xénon, dotado de luzes diurnas e farolins adaptativos (com os de nevoeiro) que alumiam o lado para onde se vira o volante. A dupla saída de escape cromada e os espelhos exteriores em cor prata são outros sinais distintivos desta variante 1.4 TSI FR.

Quando se entra no habitáculo do Leon há elementos que sobressaem pela identidade comum com o grupo alemão. Principalmente no que toca à instrumentação, embora com distinta disposição, e equipamentos como o monitor na zona central do tablier. Semelhanças que reforçam a apreciação global positiva, que se estende à qualidade percebida de montagem, apesar da proliferação de plásticos resistentes ao tacto, principalmente na consola central. Existem abundantes áreas a descoberto para pequenos objectos e a escassez de espaços fechados para arrumos não compensa a irrisória dimensão do porta-luvas. Só a gaveta por baixo do banco do condutor, de origem na versão FR, ajuda a minimizar a carência de protecção visual dos artigos indispensáveis a quem usa com regularidade a viatura.

Os bancos proporcionam um bom apoio lateral e o volante de três braços (achatado em baixo) permite manobrar com eficácia a direcção. O bloco 1.4 litros, de injecção directa e sobrealimentado por um turbo, disponibiliza 125cv de potência e 200 Nm de binário. O funcionamento suave e progressivo é constante numa faixa média de regimes, mas está longe de corresponder ao vigor de um velocista, obrigando por isso a recorrer mais assiduamente à caixa manual de seis velocidades. Esta podia ser mais precisa e conta com informação da altura ideal para mudar de relação. Este sistema destina-se a auxiliar o condutor a conduzir de forma mais racional. Mas a versão FR, dada a sua natureza desportiva, dispensa a tecnologia start-stop, que desliga e liga de forma automática o motor durante a imobilização do veículo.

Num ritmo descontraído, os consumos andam pelos seis litros de média anunciados pela marca, mas quando se adopta uma condução mais agressiva o computador de bordo assinala a subida para o patamar dos nove litros, o que não deixa de ser mais do que seria de esperar numa viatura destas dimensões. Além disso, não raras vezes, o mais pacato dos condutores é levado a responder com um desempenho mais vivo, nomeadamente perante utilizadores da estrada que só parecem conhecer as vias mais à esquerda...

A suspensão firme garante uma dinâmica aprumada, fruto de uma maior rigidez das molas (15 por cento) e de uma barra estabilizadora mais larga (um milímetro) no eixo traseiro, comparando com a versão base. O rebaixamento da carroçaria em sete milímetros e a montagem de origem do sistema electrónico XDS, que simula um diferencial autoblocante, também contribui para a superior agilidade do chassis, evitando o deslizamento da roda interior em trajectos mais sinuosos.

O equipamento completo de série inclui, para além dos seis airbags (frontais, laterais dianteiros e cortina), sistema Hill Hold (auxilio no arranque em subidas), cruise control e informação da pressão dos pneus, ar condicionado automático Climatronic, jantes em liga leve de 17 polegadas, sensores de chuva, de luzes e de estacionamento traseiro. A unidade ensaiada acrescentava ainda 1952 euros de opcionais, entre os quais os bancos desportivos em tecido e alcântara.


Barómetro

+ Equipamento, motor suave e progressivo, comportamento dinâmico, estética

- Consumos, plásticos rijos, poucos arrumos fechados, local do botão das luzes de emergência


Simplista

A bagageira do Leon possui uma capacidade de 341 litros, que pode ser ampliada com o rebatimento dos bancos posteriores. Sob o piso estava alojado um pneu sobressalente de emergência. Um mero tapete separa os dois espaços e no compartimento da mala não se vislumbraram quaisquer pontos que permitissem prender uma mochila ou um saco com compras, de modo a evitar que andassem aos trambolhões na primeira rotunda feita com mais vivacidade. Em resumo, uma postura desportiva não deve ser incompatível com soluções que facilitem a vida quotidiana.

À mão
A consola central peca pelos plásticos demasiado rijos. A montagem também parece um pouco aquém da generalidade do habitáculo. Nota menos positiva também para o local escolhido para o botão dos piscas de emergência, num plano demasiado baixo, depois do manípulo da caixa de velocidades. No resto, os comandos dos espelhos exteriores (incluindo rebatimento), do sistema de ajuda ao estacionamento, do programa de electrónico de estabilidade, do controlo da pressão dos pneus e, principalmente, do fecho centralizado das portas, estão devidamente posicionados à mão do condutor.

Mais acessível
O quatro cilindros 1.4 litros TSI, com 125cv, constitui o motor de acesso à gama FR, ao passo que a oferta a gasóleo também foi incrementada com o 2.0 TDI, de 140cv, que se junta à variante de 170cv. No entanto, o preço do 1.4 TSI fica-se pelos 24.191 euros, quando o 2.0 TDI com 140cv se faz pagar por 32.350 euros, com o mesmo equipamento de origem. Uma diferença de preço que só compensará pelo binário mais alto debitado pelo TDI (320 Nm) e pela média anunciada de consumos (4,8 l/100 km), já que a resposta do motor a gasolina também não compromete a adopção de um desempenho mais desportivo.

Tecno
O Seat Media System com DAB (Digital Audio Broadcast) + Bluetooth, presente na unidade ensaiada, integra um sistema de navegação com monitor táctil. No ecrã são apresentadas informações de navegação, de áudio (rádio e CD), do telefone (com visionamento da agenda no monitor) e da climatização. O pacote Tecnologia Plus (1563 euros) adiciona sensores de estacionamento dianteiro e traseiro com sistema óptico, que exibe no ecrã os níveis de proximidade aos obstáculos em redor do veículo. Este pacote custa menos do que a soma do sistema de média (830 euros) e do pack bi-xénon, também incluídos, e que isoladamente totalizam 1757 euros.


Ficha técnica


Mecânica

Cilindrada:
 1390cc
Potência: 125cv às 5000 rpm
Binário: 200 Nm entre as 1500 e as 4000 rpm
Cilindros: 4
Válvulas: 16 
Alimentação: injecção directa a gasolina, turbo
Tracção: dianteira
Caixa: manual de 6 velocidades
Suspensão: independente, tipo McPherson, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora, à frente; multilink, com amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora, atrás
Direcção: pinhão e cremalheira, com assistida electromecânica
Travões: discos ventilados à frente, maciços atrás

Dimensões
Comprimento: 439,9 cm
Largura: 176,8 cm
Altura: 144,9 cm
Peso: 1324 kg
Pneus: 235/45 R17
Capac. depósito: 55 litros
Capac. mala: 341 litros

Prestações
Velocidade máxima: 197 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h: 9,8s
Consumo misto: 6,2 litros/100 km
Emissões CO2: 145 g/km

Preço
24.191 euros (versão ensaiada: 26.143 euros)
*Dados do construtor

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