Fugas - motores

Alta-costura sobre rodas

Por Luís Filipe Sebastião

Parece um produto saído das maquinações do eixo franco-germânico: o Citroen DS5 possui uma suspensão à alemã e um charme francófono.
Faz sentido falar em luxo à francesa? Os tempos já foram mais propícios para uma resposta definitiva, mas há um conceito de que os gauleses jamais abdicarão: alta-costura. A Citroën decidiu apregoar os seus pergaminhos nesta área e vai lançar um novo modelo da linha DS - o 5, baseado em duas motorizações a gasolina, dois turbodiesel e uma versão híbrida, a gasóleo.

Depois do DS3 e do DS4 nada mais natural do que o DS5. A marca generalista do grupo PSA aposta em manter viva a herança do lendário DS, que remonta a 1955, através de um "upgrade" estilístico de alguns dos seus modelos. É seguindo este princípio que surge o DS5, que assenta sobre a plataforma do C4, mas com uma posição de condução a meio caminho entre o C5 e o C4 Picasso. Ainda assim, com os seus cerca de quatro metros e meio de comprimento (menos 25 cm do que a berlina C5), o novo modelo surpreende pela sua configuração compacta e estética arrojada.

As linhas vanguardistas basearam-se no concept C-SportLounge, apresentado em 2005 no salão de Frankfurt. A cintura sobre-elevada e as amplas entradas de ar laterais compõem uma silhueta consistente, onde se destaca como elemento estilístico o "sabre" cromado que liga as ópticas aos pilares da frente. O óculo bipartido remata com elegância a secção posterior, que incorpora um deflector aerodinâmico, e facilita a visibilidade traseira.

O interior desafogado permite transportar cinco ocupantes. O espaço atrás só pode ficar aquém para estaturas mais elevadas. A bagageira generosa de 468 litros reduz-se drasticamente para 325 litros na versão Hybrid4, por culpa do espaço ocupado pelas baterias. Os materiais de revestimento alinham por patamares de exigente qualidade, das borrachas e plásticos ao couro e aplicações em alumínio. A montagem percebida também não desilude à primeira vista. A instrumentação encontra-se repartida pela consola central, tablier e no tecto (requer habituação), que beneficia da amplitude de luminosidade proporcionada pelas aberturas em vidro.

Os blocos 1.6 de injecção directa a gasolina, fruto da colaboração com a BMW, debitam 156 e 200cv de potência. Ambos estão dotados de turbo com tecnologia Twin Scroll e o menos potente tem acoplada uma transmissão automática de seis velocidades, ao passo que o THP 200 possui uma caixa manual com seis relações. As motorizações diesel repartem-se entre o 1.6 e-HDi, com 112cv, de transmissão manual pilotada de seis velocidades, e o 2.0 HDi, de 163cv, com caixa manual ou automática de seis velocidades.

Um pequeno trajecto urbano, em auto-estrada e por montanha, permitiu vislumbrar um comportamento dinâmico aprumado, com uma suspensão afinada para um desempenho mais desportivo (ou seja, mais rija do que se espera num veículo... francês, embora sem comprometer o conforto). As patilhas no volante ou a alavanca no modo sequencial da transmissão automática ajudam a digerir os percursos sinuosos.

A versão Hybrid4 estreia a tecnologia "full-hybrid" nesta marca do grupo PSA. O bloco 2.0 HDi, com 163cv, associa-se a um motor eléctrico, que debita 37cv, montado sobre o eixo posterior. Existem quatro modos de condução: Auto, activado no arranque, gere automaticamente a transição entre os dois motores; ZEV (Zero Emission Vehicle), possibilita ir comprar o jornal exclusivamente com o motor eléctrico, até à velocidade máxima de 60 km/h, numa distância até três quilómetros; 4WD (tracção integral), para situações de fraca aderência (neve, lama, areia), com tracção nas rodas dianteiras através do motor de combustão e nas posteriores com o eléctrico; e Sport, onde se fecha os olhos à eficiência ambiental e se retira o máximo proveito da combinação dos dois motores, beneficiando do efeito "boost" eléctrico nas acelerações. Na lâmina transparente do "head up display", a mudança de cor das informações de circulação indica o grau de desempenho ecológico.

Os níveis de equipamento - So Chic e Sport Chic - incluirão uma boa panóplia de soluções tecnológicas de segurança e de conforto. Entre elas, o alerta de transposição involuntário de faixa de rodagem, assistente de luzes de máximos, câmara de visão traseira ou faróis de nevoeiro com iluminação estática de cruzamentos. Os preços variam entre os 35.000 e os 45.000 euros, para as diferentes versões (ainda sem o agravamento fiscal anunciado) e as primeiras unidades devem chegar em Março. A tempo da colecção Primavera-Verão.

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