Com o crescente aumento do preço dos combustíveis, o GPL (Gás de Petróleo Liquefeito) apresenta-se como uma boa alternativa à gasolina e ao gasóleo, no que se refere a combustíveis fósseis. Por isso, várias marcas já incluem na sua gama carros preparados de fábrica para funcionar a GPL. É o caso da Fiat, que oferece uma gama que inclui um citadino (Panda), um utilitário (Punto Evo) e um pequeno familiar (Bravo). A Fugas teve oportunidade de conduzir o Punto Evo 1.4 77cv My Life GPL Bi-Fuel.
A principal desvantagem dos carros movidos a GPL é uma legislação (desactualizada), que, alegando razões de segurança, proíbe o estacionamento destes veículos em recintos cobertos e os taxa pelas suas emissões de gasolina. O facto é que os depósitos de GPL são em aço, suportam até 48 bar de pressão (o máximo atingível são 7,5 bar, o normal são 2-3 bar) e, em caso de acidente, várias válvulas de segurança fecham-se, não permitindo fugas.
Na verdade, o componente menos seguro de um carro a GPL é o depósito de gasolina - no arranque, até o motor aquecer, este funciona a gasolina. Quanto ao resto, ninguém que tenha um carro a GPL usa a gasolina (a não ser que o GPL tenha acabado e não exista abastecimento nas proximidades). A rede de postos com GPL, em especial nas grandes cidades mas também fora, cobre as necessidades e não requer grandes desvios para se abastecer a viatura. Isto é, quem tem um carro destes e faça 10.000/15.000 km anuais consome menos de um depósito de gasolina por ano.
Apesar de o consumo de GPL ser superior, as emissões são inferiores, em especial no caso das partículas, tanto em relação à gasolina como mais ainda em comparação com o gasóleo. Outro ponto a favor do GPL é ser um combustível de queima seca e completa, o que resulta numa maior durabilidade do motor (desde que devidamente adaptado).
A principal vantagem é, porém, o preço do combustível - actualmente, 0,79€/litro. Isto é, o custo de enchimento do depósito do Punto que conduzimos (38 litros) é de 30€. Que dão, com consumos reais de 8/9 l/100 km, para fazer cerca de 450 km. Com recurso à gasolina (depósito de 45 litros), a autonomia sobe para 1100 km.
O veículo que conduzimos, na versão de 5 portas, tinha um custo de tabela de 15.704€, mas, devido à campanha promocional Preço Transparente Fiat, o preço real actual é de 13.900€, excluindo despesas de transporte e de legalização (o 3 portas custa menos 400€). Assim, este utilitário, acessível no preço e económico na utilização, é na verdadeira acepção da palavra, um meio de transporte, com 5 lugares e uma mala de 275 litros (1030 litros com os bancos traseiros rebatidos). Atrás, como o túnel da transmissão não é muito saliente, uma pessoa menos corpulenta pode viajar com alguma comodidade no lugar do meio.
O volante é regulável em altura e profundidade e o motor de 77cv, acoplado a uma caixa manual de 5 velocidades, "dá para os gastos": sem ter um comportamento exuberante, tem prestações razoáveis nas recuperações, ultrapassagens e em subidas. Isto é, cumpre as suas funções como meio de transporte económico. Em termos de comportamento, não se nota qualquer diferença entre o desempenho deste propulsor 1.4 quando funciona a gasolina e quando funciona a GPL - a única distinção é no (muito) menor preço a pagar pelos quilómetros percorridos.