Fugas - motores

Ícone desportivo também desliga o motor nos semáforos

Por Luís Filipe Sebastião

Após seis gerações bem-sucedidas, a Porsche pegou no 911 e atafulhou-o de novas soluções electrónicas que o tornam num dos mais eficientes desportivos do mercado.

A sétima geração do Porsche 911 está mais potente e viu baixar a sua "pegada ambiental", com a redução de consumos e emissões. O mítico desportivo estreia uma nova transmissão manual de sete velocidades, mas são os predicados dinâmicos que conferem aos renovados Carrera e Carrera S desempenhos superlativos.

Desde que foi lançado, em 1963, já se venderam 700 mil unidades do 911. A Porsche estima que 80 por cento ainda estejam em condições de uso. As novas linhas seguem o passado recente, mas os retoques ajudam a refinar a estética, proporcionando ainda dimensões mais generosas para os ocupantes. Mais comprido 4,5 cm, as ópticas redondas, com luzes bi-xénon, vincam o incremento da largura da secção dianteira. Os farolins traseiros, com tecnologia LED, foram redesenhados, mas as formas voluptuosas mantiveram-se dentro das mesmas medidas. Ainda assim, as cotas de habitabilidade continuam a privilegiar o condutor e o passageiro. Os bancos posteriores servem apenas para apoio, até porque a curva do tecto baixou ligeiramente. A mudança dos retrovisores exteriores para a parte superior da porta é justificada com vantagens aerodinâmicas.

A nova estrutura em aço e alumínio reduziu o peso até 45 kg e aumentou a rigidez à torção em 20 %. Já a renovada plataforma levou ao aumento em 10 cm da distância entre eixos, o que confere um porte mais desportivo. A aerodinâmica apresenta-se reforçada por via de um spoiler extensível maior e a posição de condução mais baixa também favorece a sensação de comportamento mais aprumado.

Na verdade, ao volante, a sensação de aconchego é total. A consola central em posição elevada, que lembra o Panamera, ostenta os principais comandos de ajuda à condução e da caixa de velocidades. A elevada qualidade dos materiais e o rigor da montagem estão ao nível do que de melhor se pode encontrar.

As motorizações boxer de seis cilindros opostos foram revistas. A versão Carrera viu reduzida a cilindrada, que passou dos 3.6 para os 3.4 litros, mas beneficia de uma subida de potência de 345 para os 350cv, mantendo o binário máximo de 390 Nm. O bloco de 3.8 litros do Carrera S também se mostra mais espevitado: 400cv (debitava 385) e 440 Nm (chegava aos 420). A transmissão manual de série possui sete relações, mas também está disponível a reputada caixa automática de dupla embraiagem (PDK) de sete velocidades.

Num pequeno percurso, o Carrera S com a transmissão PDK demonstrou que esta vale bem o valor acrescido (quase irrisório) da sua aquisição. Desde logo pela rapidez e suavidade com que progride na resposta ao pisar do acelerador. As patilhas atrás do volante podem convencer os mais cépticos. Mas também pela redução do consumo face à caixa manual e que baixa até 14 % comparando com a geração anterior. Uma poupança que decorre da função auto Start-Stop, de série; do modo "velejar" da transmissão automática (que aproveita a energia cinética para vencer a inércia do veículo), e da precisa direcção assistida electromecânica.

O ajuste mais ágil do motor pode ser conseguido através da tecla Sport, que actua também sobre a passagem de relações da caixa PDK. O pacote opcional Sport Chrono sobe a parada em todos os parâmetros de resposta do motor, dos sistemas de estabilidade, de amortecimento e até dos apoios dinâmicos do propulsor ou do "launch control". Através da tecla Sport Plus, o sistema Sound Symposer e o opcional escape desportivo cantam com mais solenidade a nobreza dos seis cilindros. A elevada consistência dinâmica também decorre do opcional Porsche Dynamic Chassis Control, que minimiza de forma automática e eficaz o balancear da carroçaria por caminhos sinuosos, apenas para o Carrera S.

O novo Porsche Torque Vectoring (PTV), que complementa o Porsche Stability Management, melhora a capacidade de tracção e reforça a estabilidade. Este sistema, que "cola" o Carrera S ao chão, assenta, com caixa manual, num diferencial mecânico no eixo traseiro. Nas versões com caixa PDK, a nova sigla passa a PTV Plus, ou seja, com bloqueio de regulação electrónica. As duas variantes do sistema são opção no Carrera.

O sistema de amortecimento PASM (Porsche Active Suspension Management) também é opção no Carrera e de série no Carrera S, permitindo a escolha entre as configurações Normal e Sport. Um chassis desportivo PASM possibilita rebaixar a carroçaria em dois centímetros e reforça as funções aerodinâmicas do spoiler traseiro. Para Março está previsto o lançamento da versão Cabriolet do Carrera e do Carrera S, com preços a partir, respectivamente, de 127.455€ e de 146.496€.
 

Boxster em Abril
O novo Boxster chega em Abril e a Porsche garante que o seu roadster beneficiou de mudanças profundas que o tornam mais musculado e eficiente. Para já, em termos estéticos, as alterações no descapotável de dois lugares são notórias. As motorizações residem no novo boxer de seis cilindros de 2.7 litros, com 265cv, e no 3.4 litros, com 315cv. A versão Boxster, com o primeiro bloco, custará 64.800€, enquanto o Boxster S, com o motor mais potente, começa nos 82.711€. Ambos estarão disponíveis com transmissão manual de seis velocidades ou a caixa automática PDK de sete relações. De resto, o mais pequeno da Porsche contará com as principais inovações tecnológicas do 911, a maioria naturalmente em opção. 
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