A ideia foi dar aos entusiastas algo que responda melhor e mais rápido aos ímpetos do condutor e devolva todo o prazer aos amantes do volante. Foi intencional, como explicou Tetsuya Tada, o engenheiro-chefe da equipa responsável pelo desenvolvimento do projecto. Partindo do princípio de que a electrónica ajuda o carro mas ludibria o condutor, o conceito apostava em deixar de lado as tecnologias de apoio à condução. Até a não inclusão da direcção assistida chegou a ser equacionada, uma ideia que os técnicos acabariam por abandonar por penalizar demasiado nas manobras de estacionamento.
O novo desportivo da Toyota apoia-se numa única motorização, um 2.0 com injecção directa de gasolina e 200cv de potência. A arquitectura boxer, com quatro cilindros horizontais opostos, permite rebaixar o centro de gravidade, proporcionando um comportamento mais estável o que confere ao carro uma das suas características distintivas. As outras são a tracção traseira, o baixo peso (1.240 kg) e o equilíbrio na sua distribuição entre os eixos dianteiro e traseiro (53% - 47%). Também o desempenho aerodinâmico acentua as características desportivas.
O GT86 é o resultado de um projecto conjunto entre a Toyota e a também japonesa Subaru, mas que não se limita à tradicional partilha de componentes. Foi desenvolvido como projecto único nas duas marcas que o comercializam em separado e com diferenças de pormenor. A parte mecânica resulta essencialmente da Subaru, onde o modelo adopta a designação BRZ, cabendo à Toyota as maiores responsabilidades no desenho e produção. Daí a inspiração em dois dos modelos desportivos mais marcantes deste gigante nipónico. A mecânica apurada remete para o Sports 800 do início dos anos 60, enquanto o estilo recupera nitidamente alguns traços do elegante 2000GT, de meados da mesma década.
Para os especialistas, o GT86 mostra-se apto para recuperar o espírito genuíno e devolver ao condutor o prazer da condução desportiva, o que associa a um desenho atractivo, motor potente e preço acessível. Ou seja, o imaginário e o comportamento de segmentos desportivos superiores, com um posicionamento de mercado que corresponde à gama média. O que representa um evidente piscar de olho para os muitos entusiastas do volante, mas que estão normalmente limitados aos turismos do segmento intermédio, pelas óbvias limitações financeiras.
Ao preço contido, a Toyota associa também uma suspensão mais suave do que rígida, jantes (17 polegadas) e pneus de tamanho médio (os mesmos do Prius), que afasta o carro das características da competição desportiva e o aproxima da utilização comum. A acentuar esta características, o facto de ser oferecido apenas um único nível de equipamento e motorização. A ideia é que os diversos componentes disponíveis possam ser adquiridos segundo a utilização específica adaptada a cada condutor. Cada um dos GT86 poderá, assim, ser desenvolvido segundo o gosto (e aptidões) do proprietário e chegam já notícias do Japão dando conta da utilização do motor V8 do Lexus IS-F a conferir uma potência de 416cv.
Quanto ao novo 2.0 boxer de 200cv com que vem equipado o GT86 (associado a caixa manual de seis velocidades), define-se por um funcionamento "pontudo", com resposta contida a baixas rotações e brilhante a partir das 5.500 e até ao limite das 7.400. É graças ao equilíbrio entre peso contido, baixo centro de gravidade, um bom chassis e curtas relações de caixa que a actuação da potência acaba por superar as expectativas. A conclusão é a de que é possível ao condutor divertir-se com toda a segurança, mesmo que o GT86 seja destinado à condução do dia-a-dia.
Apesar de apontado a uma possível utilização de características familiares, é claro que os dois lugares traseiros são pouco mais do que simbólicos, sendo que também o acesso ao cockpit (contido, mas de elegante desportividade) exige alguma agilidade face ao rebaixamento do chassis.
Com um período de garantia que será de cinco anos, o preço para Portugal deverá ficar na casa dos 39.000€. As primeiras entregas estão previstas para Julho, mas tudo indica que serão sujeitas a algum rateio nos primeiros tempos, face à grande procura internacional verificada nos meses iniciais. É que, só no Japão, a produção inicial programada de mil carros por mês teve que passar logo para as sete mil unidades.
FICHA TÉCNICA
Motor: 2.0 de cilindros opostos (1.998cc), 4 cil.,16V, gasolina
Potência: 200cv às 7000 rpm
Binário: 205 Nm entre as 6400 e as 6600 rpm
Transmissão: Manual, de 6 velocidades
Veloc. máxima: 226 km/h
Aceleração 0 a 100 km/h: 7,6s
Consumo médio: 7,8 l/100 km
Emissões de CO2: 181 g/k
Preço: cerca de 39.000€