Fugas - motores

Também há boas notícias numa aliança franco-alemã

Por Luís Filipe Sebastião

A nova geração do classe A deixou de ser para a mãe e pisca o olho aos filhos. Mas o pai, que por vezes também gostava do lado prático do anterior formato, agora não desdenhará usá-lo no dia-a-dia.
A Mercedes espremeu o classe A e transformou um pequeno monovolume num hatchback (cinco portas) de formas inspiradas e desportivas. O balanço francamente positivo desta revolução começa desde logo num eficiente bloco turbodiesel de origem Renault, com 1.5 litros e 109cv, ao qual o construtor germânico aplicou o seu savoir faire para o melhorar em termos de desempenho e de consumos.

A nova geração do A está mais comprida (aumentou 40,9 centímetros), larga (mais 1,6 cm) e baixa (menos 16 cm). O desenho de monovolume cedeu lugar a um familiar compacto para concorrer com os BMW série 1, Audi A3 e Volvo V40. Na frente expressiva sobressai a grelha com duas lâminas e o imponente símbolo da estrela de três pontas ao centro. Os grupos ópticos rasgados, com uma espécie de sobrancelhas delineadas pelas luzes diurnas em tecnologia LED e dos piscas, sobrepõem-se às generosas entradas de ar laterais inferiores. Um spoiler prolonga a linha do tejadilho para lá do portão traseiro, incorporando a antena e reforçando o aspecto dinâmico. A terceira luz de stop também incorpora diodos emissores de luz.

No interior bem arrumado impera uma sensação geral de qualidade. Os materiais agradáveis ao tacto combinam com uma percepção de nível superior no que toca à montagem. No tablier destacam-se as sedutoras cinco saídas de ar redondas, de linhas "retro" e acabamentos cromados. Os bancos desportivos em tecido e alpaca (opcionais) proporcionam uma excelente postura ao volante e um bom apoio lateral.

No entanto, para além do óculo posterior algo exíguo, fica a impressão de que o pilar B é demasiado grosso e aumenta a área do ângulo morto do retrovisor exterior. Dificuldade que pode ser suprida com o pack de Assistente de Faixa de Rodagem (950€), que alerta para a presença de um veículo ao lado ou para a mudança involuntária de via. A capacidade da bagageira diminuiu face à anterior geração - passou de 435 para 341 litros -, embora sem contar com o espaço adicional sob o piso do compartimento da mala, ganho à custa dos opcionais pneus "run-flat" (200€), que dispensam a roda sobressalente.

A motorização de entrada na gama está a cargo do A180 BlueEfficiency, dotado de um turbodiesel com 109cv. O bloco de 1.5 litros, de origem Renault, foi "trabalhado" pela Mercedes, ao nível dos apoios, do alternador, do motor de arranque e do sistema start-stop, de forma a corresponder ao desempenho que se espera de um modelo do emblema alemão. O resultado final, ao contrário da associação entre franceses e alemães noutros domínios, merece aplausos pelo funcionamento linear e suave do motor, que tira partido de uma precisa transmissão manual de seis velocidades.

Um comportamento dinâmico aprumado contribui para o prazer ao volante. O conforto a bordo só sai beliscado com a suspensão demasiado seca, que não digere como seria de esperar as irregularidades no pavimento. Culpa dos pneus anti-furo? Nesse caso será de pensar em alternativas que privilegiem uma maior absorção dos pisos degradados sem comprometer um apoio firme em curva. A direcção é "comunicativa" q.b. e torna-se fácil corrigir qualquer reacção menos inesperada por trajectos sinuosos.

No capítulo da segurança, dispõe de sete airbags, incluindo de joelho para o condutor. Mas os sistemas montados de origem que vincam alguma diferença neste segmento são o Attention Assist e o Collision Prevention Assist: o primeiro avisa o condutor para eventual cansaço em função de diversos parâmetros anormais na condução, e o segundo emite um sinal visual e acústico para o risco de colisão, preparando o assistente de travões para uma emergência.

O preço atractivo de 27.900€ anunciado para o A180 ficou inflacionado, na unidade ensaiada, por um conjunto de mordomias que podem fazer a diferença, ao nível do conforto e segurança, mas elevam a factura aos 35.859€. Uma prática habitual de que os concorrentes premium também padecem.

Gosto, não gosto

O turbodiesel de 109cv do A180 pode ter origens francófonas, mas isso não será um defeito, uma vez que o motor 1.5 dCi é usado pela Renault e pela Nissan em muitos dos seus modelos mais apreciados no mercado. Ainda assim, percebe-se o esforço que a Mercedes colocou na transformação do bloco francês. O resultado salda-se por um funcionamento agradável e muito suave, incluindo do sistema Eco start-stop. O fôlego pode escassear em recuperações mais "apertadas", obrigando a recorrer à caixa de velocidades. Mas as passagens refinadas e os consumos comedidos (ainda que em média mais dois litros do que os homologados) compensam a falta de pulmão. O não gosto vai para a vareta de suporte do capot, já caída em desuso por construtores mais "modestos".

Exuberante

O opcional Audio 20 CD, com carregador integrado, custa 650€ e, para além de permitir guardar discos sem ter que se andar com as caixas repartidas pelos modestos espaços de arrumos interiores, inclui o monitor no centro do tablier, em piano lacado preto. Esta espécie de tablet de 5,8 polegadas serve para exibir informações gerais dos sistemas de som, telefone, navegação ou do sistema do veículo, como um gráfico com os consumos. Há quem possa não apreciar o facto de o monitor não recolher, assim como haverá quem acabe por se habituar ou o use apenas para mostrar, neste artefacto digital, um... relógio de configuração analógica.

Frugal

Os bancos em pele e alpaca fazem parte do pack Style (950€), linha para um visual mais jovem e desportivo. Se à frente o conforto está assegurado, atrás os bancos sobreelevados garantem espaço para as pernas de dois ocupantes, mas o do lugar do meio terá de penar devido ao avantajado túnel central. Depois, não se compreende que num modelo de vocação familiar, apesar da mudança radical de estilo, não exista sequer uma bolsa nas costas dos bancos dianteiros. E também não haja um simples apoio de braços ao meio dos bancos posteriores! Bom, existem dois extras que poderão resolver essas carências: pack Espaços de Arrumação (250€) e Apoio de Braços Traseiro (250€).

Janela extra

O tecto de abrir panorâmico em vidro já faz parte dos opcionais que ajudam a transformar a parte de cima de um automóvel numa janela para o exterior. O sistema de cobertura com forro em tecido preto, também de accionamento eléctrico, protege da exposição solar extrema e o tecto pode ser aberto apenas parcialmente ou na totalidade. O custo de 1100€ é que pode não ser para todas as bolsas, mas as vantagens são evidentes. Note-se que o tecto de abrir fecha-se automaticamente, com os vidros das janelas, sempre que é activado o sistema opcional Pre-Safe (450€), de protecção dos ocupantes em situações de acidente iminente.

Ficha técnica

Mecânica

Cilindrada: 1461cc
Potência: 109cv às 4000 rpm
Binário: 260 Nm às 1750-2500 rpm
Cilindros: 4 em linha
Válvulas: 8
Alimentação: turbodiesel de injecção directa por conduta comum, intercooler
Tracção: dianteira
Caixa: manual de 6 velocidades
Suspensão: Tipo McPherson, com barra estabilizadora, à frente; multibraços, com barra estabilizadora, atrás
Direcção: pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica
Travões: discos ventilados à frente e maciços atrás

Dimensões

Comprimento: 429,2 cm
Largura: 178 cm
Altura: 143,3 cm
Peso: 1395 kg
Pneus: 195/65 R15
Capac. depósito: 50 litros
Capac. mala: 341 litros

Prestações

Velocidade máxima: 190 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h: 11,3s
Consumo misto: 3,8 litros/100 km
Emissões CO2: 99 g/km
Preço: a partir de 27.900€ (unidade ensaiada 35.859€)
*Dados do construtor

Equipamento

Segurança

ABS: Sim, com assistência à travagem
Airbags frontais: Sim
Airbags laterais: Sim
Airbags laterais traseiros: Opção (500€)
Airbags de cortina: Sim
Airbag de joelho para condutor: Sim
Controlo de tracção: Sim
Programa Electrónico de Estabilidade: Sim

Vida a bordo

Vidros eléctricos: Sim
Fecho central: Sim
Comando à distância: Sim
Direcção assistida: Sim
Retrovisores eléctricos: Sim
Ar condicionado: Sim, automático
Abertura do depósito interior: Não
Abertura da mala interior: Não
Bancos traseiros rebatíveis: Sim
Jantes de liga leve: Sim
Rádio CD: Sim
Comandos no volante: Sim
Volante regulável em altura: Sim
Volante regulável em profundidade: Sim
Computador de bordo: Sim
Alarme: Opção (500€)
Bancos dianteiros eléctricos: Pack Memórias (450€)
Estofos em pele: Opção (300€)
Bancos aquecidos: Opção (400€)
Tecto de abrir: Opção (1100€)
Navegação por GPS: Opção (900€)
Interface bluetooth para telefone: Opção (550€)
Regulador de velocidade: Opção (350€)
Sensores de chuva: Pack Visibilidade (400€)
Sensores de luminosidade: Sim
Sensores de parqueamento: Opção (850€)
Faróis de nevoeiro: Opção (250€)
Faróis de bi-xénon: Opção (950€)
Lava Faróis: Com faróis xénon

Barómetro

+ Estética, dinâmica, funcionamento do motor, consumos, construção e montagem

- Suspensão, visibilidade lateral, demasiado equipamento em opção, espaço para três ocupantes atrás

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