Gin e petiscos na Baixa lisboeta
Propriedade de Luis Carballo, galego de nascença e designer de formação, a Taberna Moderna nasceu de um sonho de criar um espaço onde fosse possível comer muito bem sem pagar muito. "Há vários restaurantes bons em Lisboa, mas uma refeição fica uma fortuna, uma taberna acaba por ser uma casa onde as pessoas podem vir, mesmo em tempos de crise, para beber uns copos e petiscar qualquer coisa", explica o proprietário.
Do sonho à realidade bastou encontrar o espaço e lançar mãos à obra. Umas grandes portadas em azul chamam a atenção de quem passa na rua. Lá dentro, a sala ampla em tons claros, o chão de tábua corrida e o pé direito pombalino dão à casa um ar entre o industrial e o moderno. Há paredes de ripas de madeira clara, sofás corridos e cadeiras de exemplar único. Umas são de pele, outras de pêlo, umas de plástico, outras de tecido. Há de riscas e de flores, verdes, brancas e amarelas.
Na sala, uma grande parede branca aguarda exposições para breve. As luzes baixas e as velinhas dão o toque final num ambiente que "se quer informal mas com charme", segundo afirma o proprietário.
Ao fundo, num recanto, fica a zona de bar, baptizada de Lisbonita. Na garrafeira, o destaque vai para uma oferta de mais de 40 gins diferentes. Quem não é apreciador desta bebida, na Taberna Moderna tem grandes possibilidades de se tornar um.
"Em Espanha o gin está completamente na moda, os melhores restaurantes têm todos bares de gin", explica Luis Carballo, enquanto mostra o cardápio. Jodphur, Goa, Blue Coat, Martin Miller's, Hendricks, Fever Tree, Magellan. a lista não tem fim. Para cada um, um copo diferente, uma água tónica específica e uma mistura tão exótica quanto singular.
Há gins que acompanham com cardamomo e gerânios, há outros para beber com uvas, com pétalas de rosa, com carambolas e toranjas... Para beber antes da refeição, durante ou depois. "Às vezes temos clientes que dizem que só bebem vinho e whisky, nós oferemos-lhes um gin como cortesia da casa e eles ficam rendidos", garante Carballo.
Mas não se pense que na Taberna Moderna só se bebe. Come-se e come-se bem. Na cozinha, o proprietário juntou-se a Alexandre São Miguel, cozinheiro alentejano. O resultado é uma ementa de fusão entre a Galiza e o Alentejo, passando pela criatividade de um e pela imaginação de outro.
"O objectivo é ter produtos muito bons e fazer conjugações fora do comum mas mantendo as raízes portuguesas e espanholas", explica o dono da Taberna. Resultado final? Pratos tão variados como salada de bacalhau com caviar de ouriço (14€), croquetas de choco, de presunto, de queijo cabrales (6€), polvo à galega (12€), lascas de bacalhau com broa crocante (14€) ou ovos escalfados com batata, bacalhau, pimentos e chistorra (10€).
Todas as sugestões são para partilhar. "E as próprias porções de cada dose seguem esse objectivo", explica o proprietário. Para além da ementa fixa - mas que irá variando -, a cada dia há um prato para os almoços a um preço à volta dos 9 euros.