Em simultâneo, sendo a Alemanha a pátria do primeiro automóvel, o de Carl Benz de 1886, realizou-se uma exposição sobre os 125 Anos do Automóvel. Além do carro de Carl Benz, também se podiam ver outros veículos que fizeram história, como o L" Éclair, de 1895, dos irmãos Édouard e André Michelin (o primeiro carro com pneus de câmara de ar desmontáveis), o Ford T, o Slaby Behringer (um híbrido de 1919), o "Carocha" ou o Citröen 2CV.
Em 1998, quando temas como as emissões de CO2 ou de partículas não estavam no centro das atenções do grande público e até mesmo das entidades governamentais, Édouard Michelin pôs uma questão: "Ar puro ou automóvel?" E respondeu de imediato: "A minha escolha é clara... Ambos!" Mas não ficou por aí - lançou o desafio a construtores automóveis e entidades governamentais e não-governamentais para apresentarem soluções e novidades num evento que, ao mesmo tempo, comemorava o centenário do Bibendum, o boneco anafado que é a imagem de marca da Michelin.
Na primeira edição, que contou com 50 veículos, a maioria eram protótipos e veículos experimentais. Hoje, o Challenge Bibendum é o mais importante evento mundial sobre mobilidade sustentável e o panorama mudou radicalmente: mais de 270 veículos, entre carros, camiões, autocarros e duas rodas; perto de 80 expositores, com os mais importantes construtores de automóveis a marcar presença; 6000 pessoas na organização; 500 jornalistas de todo o mundo; e, nos dois últimos dias, cerca de 15.000 visitantes.
Outra estreia no Challenge Bibendum foi uma área dedicada a veículos desportivos, o Sports Ring, para provar que respeito pelo ambiente, condução desportiva e prazer de condução não são conceitos inconciliáveis. A Porsche apresentou três protótipos do Boxster E eléctrico e revelou novos pormenores: um deles tem dois motores e tracção integral, os outros têm um motor eléctrico e tracção traseira; o primeiro, com 240cv de potência, vai dos 0 aos 100 km/h em 5,5s e atinge os 200 km/h; os outros dois debitam 121cv, aceleram dos 0 aos 100 km/h em 9,8s e atingem os 150 km/h.
A Peugeot mostrou o concept desportivo EX1, com dois motores eléctricos e uma potência conjunta de 340cv, acelerando dos 0 aos 100 km/h em 3,58s, 260 km/h de velocidade máxima e 450 km de autonomia. Na Citroën, o centro das atenções era o Survolt, um protótipo desportivo com 300cv, velocidade máxima de 260 km/h, que vai dos 0 aos 100 km/h em menos de 5s. O Lampo 3 da Protoscar é um protótipo susceptível de produção limitada, com 550cv e 900 Nm de binário, uma autonomia de 300 km, velocidade máxima de 220 km/h e aceleração dos 0 aos 100 km/h em 4,5s.
Noutro âmbito, a Ford anunciou já para este Verão uma Ford Transit eléctrica e para 2012 um Focus eléctrico. A Volvo irá distribuir uma versão eléctrica do C30, com uma autonomia de 150 km e velocidade máxima de 130 km/h, a um lote de 250 clientes no segundo semestre deste ano. Este ano predominaram os veículos eléctricos, mas os a pilha de combustível, híbridos, a gás natural, GPL, gasóleo e gasolina também marcaram presença. Entre estes, destaque para a Volvo V60 plug-in híbrida, com um motor a gasóleo de 215cv e outro eléctrico de 70cv, que lhe dá uma autonomia de 50 km em modo 100 por cento eléctrico, com médias de 1,9 l/100 km e 49 g/km de CO2 em modo híbrido. O lançamento desta V60 está previsto para o final de 2012.
Quanto a resultados, no rali interurbano de 300 km (para veículos eléctricos ou outros), com 30 participantes, o vencedor foi o Renault Fluence ZE. No rali urbano de 30 km (50 concorrentes), o Nissan Leaf superou a concorrência. Já no rali apenas para carros eléctricos, de 125 km, entre 15 veículos, três carros classificaram-se no primeiro posto: Audi A3 e-tron, Mercedes Class A E-Cell e Volvo C30 Electric. Os veículos foram avaliados tendo em conta diversos factores como o consumo de energia, emissões, segurança, aceleração, travagem e manobrabilidade.
O pneu auto-reparador da Michelin
A "jogar em casa", a Michelin apresenta todos os anos novidades no campo da mobilidade sustentável, não se limitando aos pneus, como é o caso da roda motorizada ou de uma pilha de combustível. Este ano mostrou um pneu auto-reparador que será lançado num futuro próximo. Este pneu tem no seu interior, sob a banda de rodagem, um composto especial de borracha líquida, que, quando há um furo, o preenche e, solidificando-se, o veda, sem que o condutor se aperceba do sucedido.
As grandes vantagens sobre um pneu run-flat passam por ser mais leve e, ao contrário deste, poder ser montado em qualquer veículo, não precisar de ser reparado, não ser tão rígido (proporcionando uma condução mais confortável) e ter o comportamento de um pneu normal. Numa demonstração, ao passar por uma placa com pregos de 5 mm de espessura, a pressão medida do pneu antes e depois do teste foi, respectivamente, 2,49 bar e 2,47 bar, isto é, o pneu manteve-se cheio - e note-se que era talvez a 50.ª vez que a experiência se repetia.
Já há versões deste tipo de pneu no mercado, produzidas pela Continental e pela Pirelli. A Michelin apresentou ainda novos desenvolvimentos da sua tecnologia In-Wheel Motors, uma derivação da Active Wheel, uma roda com motor de tracção eléctrico incorporado, que poderá ser usada para a "hibridificação" de veículos térmicos sem grandes modificações, tanto de passageiros ou comerciais ligeiros (projecto Velroue, em colaboração com a Renault) como em autocarros (projecto EILiSup, em conjunto com Irisbus e Iveco). No que se refere ao presente, a 5.ª geração do pneu economizador Energy Saver já está na fase de ensaios e a 6.ª na fase preliminar de estudos por computador.