Fugas - Motores

Corpo americano com alma e adereços italianos

Por Carlos Filipe

O que era a americana Dodge é agora da italiana Fiat e deu-se o nome de Freemont ao que se chamava Journey. Fomos a Itália experimentar uma mistura feita no México e que já chegou a Portugal.

O Journey foi erradicado pelo Freemont, desde quarta-feira à venda em Portugal, primeiro produto ex-Dodge, marca que a Fiat tomou em mãos, depois de, em 2009, ter assumido o controlo da norte-americana Chrysler, salvando-a da falência.

É um sete lugares com formato e motor únicos, por ora ainda só disponível em 4x2, e com 170cv fornecidos pela segunda geração do motor diesel 2.0 litros multijet de origem Fiat. Num corpo americano, a roupa e os (muitos) adereços são apelativos, pelo que o seu preço, de 34 mil euros -e atendendo à inequívoca musculatura deverá ser levado em linha de conta num comparativo concorrencial.

Argumento que fez mesmo riscar da oferta para o mercado português um outro 2.0 diesel, este com 140cv. Ao fim e ao cabo, quem o quereria? Acresce que, em campanha de lançamento, a Fiat acena com a oferta de leitor DVD com monitor traseiro e sistema de GPS encastrado no tablier.

Uma das palavras-chave do Fiat Freemont é espaço. Sendo um pouco de tudo o que se possa entender pela concepção de crossover, sport utility vehicle (SUV), seja dito médio monovolume, ou grande station wagon, o certo é que os seus 4,88 metros de comprimento acolhem sete passageiros, com as segunda e terceira filas dispostas em anfiteatro. Os bancos dos dois lugares extra são totalmente rebatíveis e escamoteáveis como os três que os precedem, abrindo caminho para um amplo espaço plano. E há espaços para arrumação e "esconderijos" para todos os gostos.

Do Freemont diz a Fiat que é dinâmico e versátil, capaz de ser "todos os carros que [os clientes] quiserem". É este o seu principal argumento de marketing, por lhe acentuar, repetidamente, o cariz familiar. E pragmático, também sublinha o construtor italiano, por associar a uma plataforma de grande volume, com a capacidade e conhecimento reconhecidos à Chrysler, um motor identificado com e adequado ao mercado europeu: um motor italiano de injecção directa por rampa comum, mas já da segunda geração multijet.

4x4 mais tarde

Também produzidas pela Fiat são a caixa de velocidades (manual, com seis velocidades), a suspensão e o sistema de direcção. Um sistema de tracção integral (4x4) estará disponível mais tarde, talvez até ao final do ano, com adopção de caixa de velocidades automática, também produzida pela marca de Turim.

A entrada do México nesta equação ítalo-americana faz-se pela fábrica de Toluca, que pertencia à Chrysler, onde até à data era produzido o Dodge Journey. Os componentes seguem de Itália para ali serem montados e o Freemont regressa à Europa já como produto final. Desde 2010 que a Fiat já ali produz o 500, destinado aos mercados norte e sul-americano.

Outros modelos poderão ali nascer, fruto da fusão das marcas, anunciando o grupo italiano que até 2014 serão sete os produtos a revelar, sendo que metade dos modelos irão partilhar plataformas.

Ao volante, o elevado binário, com uma faixa de plena eficiência relativamente longa, beneficia a condução e a velocidade máxima está em relação directa com a potência do motor grandiloquente, pese embora os consumos de combustível e emissões de gases estejam um tudo ou nada aquém de alguma concorrência. Dir-se-ia que a suspensão é cómoda, talvez demasiado, no que se refere ao amortecimento, mas não penalizante. A marca nota que tudo foi feito para alinhar o compromisso entre conforto e comportamento dinâmicos pelos padrões europeus.

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