A dúvida faz hoje bem menos sentido do que há uns anos. O progresso tecnológico dos propulsores turbodiesel, tanto a nível de performance como de suavidade, coloca-os hoje claramente a par dos motores a gasolina em quase todos os itens e até lhes dá vantagem em alguns. Mas continua a imperar a lógica de que carácter desportivo e diesel não são palavras para usar na mesma frase.
Essa era acabou. Já havia outros exemplos, mas agora estilhaçou-se toda e qualquer dúvida. O BMW M550d é mesmo muito bom. É um BMW M e pronto. A começar pelo preço: qualquer coisa como 107.000€... com a única vantagem de a lista de extras não existir - já vem tudo de origem. E "tudo" quer dizer coisas como bancos dianteiros desportivos aquecidos, adaptative drive, surround view (com câmaras em todas as quatro direcções), head-up display (projecção de informações de condução no pára-brisas), sistema de navegação profissional, Internet, sistema de som profissional. E um vasto etc.
A grande vantagem destes modelos "dopados" é que são, na base, uma berlina. E as berlinas, por definição, são confortáveis, fáceis de conduzir, práticas, universais. Podem responder às expectativas tanto do condutor que procura adrenalina e gozo pessoal como daqueles que só querem ir de um lugar para outro sem emoções fortes. Neste particular, o motor de três litros e 381cv consegue até mostrar-se mais suave do que o "monstro" de 560cv do M5 a gasolina - até por dispor da ajuda da tracção integral, em vez de apenas traseira...
É claro que a diferença de potência é enorme. Mas só mesmo no papel. Ou no caso - altamente improvável - de nos vermos a competir num circuito... Porque, na estrada, convenhamos, 560 ou 381cv são sempre qualquer coisa muito para lá do que é utilizável. A única altura em que podemos notar alguma diferença é no arranque: enquanto o M5 chega aos 100 km/h em 4,4s, o M550d demora 4,7s...
Como dispomos da excelente caixa automática de oito velocidades e de uma mecânica quase irrepreensível (a falta de uma sensação de travagem mais acutilante e uma direcção mais comunicativa serão os únicos pontos a ressalvar), as sensações ao volante mostram-se excelentes. Para mais, a possibilidade de regular as relações de caixa, compromissos da suspensão, acutilância da direcção e parâmetros das ajudas electrónicas em três níveis (Comfort, Sport e Sport Plus) multiplica os cenários de óptima utilização do carro.
Lobo com pele de cordeiro
Outra vantagem para os que não gostam de dar nas vistas é o visual algo discreto desta versão. Não engana os olhares mais atentos (com jantes de 19 polegadas e pneus traseiros 275/35, spoiler traseiro e dupla saída de escape), mas o ar geral é de uma civilizada berlina, distinta e elegante, mas também prática. E, não nos esqueçamos, bem mais económica do que o seu "guloso" irmão a gasolina, apesar de o brutal binário de 740 Nm ser superior (ter três turbos também ajuda).
Para os que insistem na tese de que o série 5 com a chancela M é o melhor carro do mundo, esta declinação diesel não traz grandes argumentos que reforcem a sua convicção. Mas também não a abala de forma alguma. É apenas um BMW M. Dito assim, até pode parecer pouco. Mas quer dizer muito.
BMW M550d
Cilindrada: 2993cc, 6 cil. turbodiesel
Potência: 381cv entre as 4000 e as 4400rpm
Binário: 740 Nm entre as 2000 e as 3000rpm
Transmissão: Tracção integral; caixa automática de oito velocidades (comando sequencial e patilhas no volante)
Veloc. máxima: 250 km/h (limitada electronicamente)
Aceleração 0 a 100 km/h: 4,4s
Consumo médio: 6,3 l/100 km
Emissões CO2: 165g/km
Preço: 107.000€