Fugas - Vinhos

Nelson Garrido

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Vértice, um caso de sucesso

Quando a saga começou ninguém conhecia o potencial da região e, sobretudo, acreditava na bondade do projecto, ninguém conhecia das castas locais para a espumantização. Por isso, Celso Pereira começou por realizar um gigantesco trabalho de base de quem desbrava território desconhecido, ensaiando dezenas de castas durienses, desenvolvendo uma selecção em busca da identificação das variedades correctas.

Um trabalho de investigação que obrigou a dezenas de microvinificações, dezenas de ensaios, pesquisas e descobertas tecnológicas que abriu portas às Caves Transmontanas e à região para um mundo novo que hoje já é uma realidade palpável. É fácil esquecer o passado, mas há mais de vinte anos as Caves Transmontanas já utilizavam técnicas que se banalizaram muitos anos mais tarde, como o seu sistema de fitas coloridas para marcar cada variedade na vinha, abrindo porta aos numeroso ensaios por casta.

Quem tiver a sorte de poder experimentar alguns dos vinhos mais velhos irá descobrir espumantes que envelhecem sem rugas, mostrando a fibra da região e a mestria com que são feitos. Um dos vinhos mais interessantes é o Vértice Millésime Bruto, que surpreende logo pela tonalidade levemente salmonada. Um espumante frutado, muito ligeiramente floral, especiado e rico, demonstrando uma suavidade de boca quase comovente e uma alegria e frescura transbordantes e contagiantes. Um espumante seco, tenso na acidez e delicado na bolha, como é desejável no estilo. O Vértice Super Reserva, de estágio prolongado, revela notas sedutoras de alperce seco e maçã assada a que se associam a pêra e um leve toque de jasmim. A boca é portentosa na dimensão e estrutura, firme, incisiva e fresca com um final seco, tenso e consistente.

Espumantes que merecem ser conhecidos, bebidos… e que podem ser desfrutados em qualquer ocasião do ano, sem terem de ser reservados para aniversários ou épocas festivas.

 

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