Luís Represas não é apaixonado por automóveis - mesmo que o seu percurso, com uma passagem pelo todo-o terreno, possa enganar os mais "precipitados": "Gosto de automóveis, mas não me considero um apaixonado", esclarece.
Na relação com as quatro rodas há apenas uma coisa pela qual assume ser "paranóico": "O estado dos pneus". Não é "fundamentalista", mas não se permite ser "desmazelado", sobretudo por causa dos filhos.
Vamos ao carro da vida de Luís Represas: "Não por uma razão óbvia, mas talvez tenha sido o Peugeut 205 CTI, o meu segundo carro, descapotável e vermelho". Foi um exemplar companheiro de viagens durante dois ou três anos e deixou saudades pelo desaparecimento repentino: "Roubaram-no, nunca mais o vi", recorda.
Em matéria de memórias automóveis, não haverá nenhuma como a que liga ao primeiro carro que teve, um Autobianchi A112. Tinha 28 anos, a carta acabada de tirar. A aposta tardia justifica-se: "Nunca precisei de carro antes e, além disso, os meus pais não tinham dinheiro para me dar um; não valia a pena tirar a carta e depois não ter carro."
À saída do bar onde era já cliente habitual, pegou na chave do seu carro, entrou e dirigiu-se a casa. Já perto do destino reparou num botão que não reconhecia no seu Autobianchi branco. "Não era o meu carro", lembra Luís Represas. Tomou o caminho de volta ao bar e, quando estava a chegar, o dono do A112 de que se tinha "apropriado" estava também a regressar. "Tinha feito o mesmo, pegado no meu carro. Eram exactamente iguais, mesmo a matrícula só alterava um número".
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