Fugas - motores

BMW ActiveHybrid 7L: Vitaminas ambientais

Por Luís Filipe Sebastião

A BMW dotou a série 7 de uma versão denominada ActiveHybrid que ajuda a minimizar os impactes no ambiente e na bolsa dos utilizadores. Um bloco de oito cilindros é associado a um motor eléctrico que, combinados, somam uns possantes 465cv de potência. No entanto, esta berlina de luxo não se move apenas a electricidade, como acontece com outros híbridos, pelo que, a nível ambiental, se poderá dizer que o conceito fica um pouco a meio do caminho.

A carroçaria longa da berlina topo de gama da marca bávara, que acrescenta 14 centímetros à distância entre eixos da versão normal, beneficia de um desafogo interior ímpar, ainda para mais na configuração de dois lugares posteriores. Este autêntico salão sobre rodas pode ser dotado de uma longa lista de mordomias extra, principalmente destinadas a aumentar o luxo e o conforto a bordo. Seja o sistema multimédia profissional (3070 euros) e os ajustes eléctricos (3300 euros) para os assentos traseiros ou as mesas retrácteis nas costas dos bancos da frente (1960 euros).

Mas quem se sentar ao volante também terá muitos motivos para sorrir. Desde logo pelo possante bloco de 4.4 litros que, por estar associado a um motor eléctrico, debita uma potência combinada de 465cv. A motorização V8 biturbo de injecção directa a gasolina tira partido de 20cv adicionais gerados pelo motor auxiliar eléctrico, que apoia durante o arranque mas que não funciona sozinho.

O resultado traduz-se num desempenho fulgurante, também por mérito da excelente e rápida transmissão automática de oito velocidades. Os consumos anunciados de 9,4 litros são difíceis de manter, embora o conceito "mild hybrid" garanta a acumulação de energia na bateria alojada sob o piso da bagageira (460 litros) durante a desaceleração e travagem. O sistema automático Start-Stop, de funcionamento muito suave nos momentos de paragem e de recomeço de marcha, permite situar nos 14,5 litros a média de gastos de combustível numa utilização pouco preocupada com o ambiente. Valores que, ainda assim, ficam muito aquém dos que seriam de esperar num veículo com este tipo de rendimento.

A direcção Servotronic precisa, a suspensão pneumática traseira e o controlo dinâmico de amortecimento - que permite escolher as configurações Comfort, Normal, Sport e Sport+ - possibilitam um comportamento exemplar em percursos mais sinuosos. Embora seja aconselhável dosear o entusiasmo excessivo porque se trata de uma berlina avantajada, com personalidade fogosa, mas que não foi concebida como um desportivo.

A factura inicial de 140.000 euros apresentava-se na unidade ensaiada "inflacionada" para os 167.949 euros, devido ao inúmero equipamento opcional instalado, que incluía, para além do já referido, sintonizador de TV, aviso de alteração de faixa de rodagem, câmaras de visão lateral ou tecto de abrir eléctrico. O luxo paga-se e ficará ainda mais caro com o anunciado aumento fiscal.

FICHA TÉCNICA

Motor: 4395cc, 8 cilindros em V, gasolina
Potência: 465cv às 5500-6000 rpm
Binário: 700 Nm às 2000-4500 rpm
Transmissão: traseira, automática, 8 veloc.
Veloc. Máxima: 250 km/h
Aceleração 0 a 100 km/h: 4,9s
Consumo médio: 9,4 l/100 k
Emissões CO2: 219 g/km
Preço: A partir de 140.000 euros

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