Fugas - motores

Audi RS 3 Sportback: O melhor veio no fim

Por Aníbal Rodrigues

Em 1994, a Audi pegou na carrinha 80 Avant, que estava em fim de ciclo, e fez dela um daqueles desportivos que entram na memória dos aficionados: a RS 2. Agora que o actual A3 também se aproxima do final de carreira, a estratégia parece ter sido semelhante.

É caso para dizer que a Audi guardou a cereja em cima do bolo para o fim da vigência da actual gama A3. Nada menos do que uma variante RS 3 Sportback, com tracção integral quattro, capaz de debitar uns mais do que respeitáveis 340cv. Uma estratégia que deverá reacender a chama à volta do modelo A3, já com uns bons anos de mercado e substituição prevista para 2012.

Lá por o A3 Sportback ser muito comum nas estradas portuguesas, não se pense que este novo RS 3, com comercialização prevista para o início do segundo semestre do próximo ano, é apenas mais uma versão desportiva, como tantas outras. Na verdade, mesmo não dispondo da carroçaria mais exuberante que caracteriza alguns desportivos consagrados, o RS 3 Sportback é um exemplo de lobo feroz com pele quase de cordeiro.

Continuando em solo de origem germânico e pegando, por exemplo, na gama Porsche, o RS 3 é mais potente do que os modelos Boxster e Cayman. Fica a apenas 5cv do 911 Carrera normal e volta a superar o menos potente dos Panamera. Dentro de sua "casa", o RS 3 é menos potente do que o superdesportivo R8 4.2 V8, mas iguala-o na contagem de tempo dos 0 aos 100 km/h: apenas 4,6s. Já a velocidade máxima do RS 3 fica-se pelos 250 km/h, controlados electronicamente.

Como se antevê, o novo Audi é o mais potente dos compactos da actualidade. O Ford Focus RS bateu-o na edição limitada RS500, com 350cv, mas não na normal, que debita 305cv. Outros modelos com tracção integral - à semelhança do RS 3 -, como é o caso do Mitsibishi Lancer Evolution ou do Subaru Impreza 2.5 WRX STi também ficam alguns furos abaixo com, respectivamente, 295 e 300cv. Os dois modelos nipónicos, que consolidaram o seu prestígio no difícil mundo dos ralis, são mais lentos do que o Audi e gastam mais. O RS 3 reivindica 9,2 l/100 km, enquanto o Subaru sobe para 10,3 litros e o Mitsubishi para 10,5.

O RS 3 é animado pelo motor 2.5 TFSI que equipa o Audi TT RS. Trata-se de um cinco cilindros em linha com turbo e injecção directa de gasolina que, para além dos já referidos 340cv de potência, apresenta ainda 450 Nm de binário. A arquitectura de cinco cilindros em linha não é muito comum na indústria automóvel actual, mas marcas como a Audi ou a Volvo continuam a apostar nela. Inclusive, a famosa carrinha RS 2, lançada em 1994, usava um motor de cinco cilindros. Curiosamente, a RS 2 utilizava a carroçaria da 80 Avant, no mesmo ano em que a Audi lançou o sucessor desta gama, o A4.

Para maximizar a tracção durante os arranques, o construtor de Ingolstadt dotou o novo RS 3 de um sistema launch control. Já o programa electrónico de estabilidade (ESP) tem um modo Sport e pode ser totalmente desligado. A informação a bordo inclui dados incomuns em automóveis convencionais, como pressão do turbo, temperatura do óleo e cronómetro. Mais original é a escolha dos pneus. Mesmo tratando-se de um veículo com tracção integral, os seus ímpetos devem assemelhar-se mais a um tracção dianteira, o que justifica o facto de os pneus à frente (235/35 19) serem mais largos do que atrás (225/35 19). A suspensão foi rebaixada 25 milímetros face aos A3 normais.

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