Fugas - motores

Mini Cabrio Cooper D: O elemento que faltava

Por Luís Filipe Sebastião

O Mini descapotável apenas estava disponível como motores a gasolina. Agora a alternativa a gasóleo promete novas sensações ao volante desta carroçaria aberta.

O Mini Cabrio recebeu finalmente uma motorização diesel capaz de lhe reforçar os argumentos junto do mercado nacional. O bloco de quatro cilindros em linha, com 112cv, mostra-se plenamente à altura das melhores expectativas e preserva os pergaminhos mecânicos da marca britânica detida pela BMW.

A versão retocada da segunda geração do novo Mini apresenta, pela primeira vez, um motor a gasóleo na carroçaria descapotável. As outras configurações do modelo (três portas e carrinha) já possuíam um turbodiesel de 1.6 litros, com 110cv, de origem PSA-Peugeot/Citroen. Porém, o Cabrio, já teve direito ao novo quatro cilindros, também ele 1.6, desenvolvido pela casa-mãe germânica.

Este moderno motor foi desenvolvido a partir do reputado 2.0 litros turbodiesel BMW e já foi disponibilizado no novo pequeno "crossover" da marca, o Countryman, com bons resultados. Revela-se adequado ao "espírito" Mini, com uma superior suavidade e elasticidade de utilização, tirando partido do escalonamento preciso da transmissão manual de seis velocidades. Neste último capítulo, único reparo para a marcha-atrás praticamente "colada" à primeira relação, sem um sistema auxiliar de selecção (como a vulgar patilha), o que pode levar a engrenar a mudança errada em situações que obriguem a uma rápida passagem de caixa.

No que toca ao resto, o vigor na aceleração desde baixos regimes e o excelente comportamento dinâmico proporcionado pelo chassis permitem tirar partido de uma direcção de bom tacto, principalmente em curvas encadeadas, onde o Mini se sente em casa. O controlo dinâmico de estabilidade (DSC), que pode ser desligado, deixa alguma margem para a diversão, antes de actuar. O assistente de arranque em subida também é de série.

O amortecimento um pouco seco, que se reflecte no conforto e em algumas vibrações menos esperadas, pode ser atenuado com outro tipo de "calçado". A unidade ensaiada apresentava jantes de liga leve de 17"" (Black Star Bullet), com custo acrescido de 690 euros. Bastará uma medida intermédia, acima dos pneus de 15"" de série, e que podem constar de um pacote de equipamento específico.

Os consumos beneficiam do sistema automático Start/Stop e da indicação da altura ideal para mudar de relação da caixa de velocidades. No entanto, só com muita contenção sobre o pedal do acelerador se aproximam dos homologados. Ainda assim, o apetite numa utilização mista não desilude muito.

A capota Softtop pode ser accionada electricamente, até 120 km/h, como um tecto de abrir, com cerca de 40 centímetros, ou até 30 km/h, para completar a operação de destapar ou cobrir os quatro bancos, que demora cerca de 15 segundos. A lona assegura bom isolamento acústico e boa estanquicidade, mas o formato da capota retira visibilidade ao condutor do lado direito. A capacidade da mala varia entre os 125 e os 170 litros, com a capota recolhida ou fechada, valores que podem subir aos 660 litros com os dois bancos posteriores rebatidos.

Em termos visuais pouco mudou e os grandes olhos redondos destacam-se nas clássicas linhas emolduradas por um prático revestimento em plástico que se prolonga por todo o veículo e vinca as cavas das rodas. Os revestimentos do interior mostram-se, em regra, num patamar superior, assim como a qualidade de montagem. Os comandos estão bem posicionados, mesmo aqueles que requerem alguma habituação (os botões dos vidros, por exemplo, estão na consola vertical...). Nota crítica para o facto de não se poderem fechar os vidros no comando e após desligar a ignição.

Proposto a partir dos 28.700 euros, com seis airbags (frontais, laterais e cortina), o Mini ensaiado possuía a habitual extensa lista de equipamento opcional, com destaque para os pacotes City (1020 euros) - com alarme, sensores de luzes, chuva e estacionamento traseiro e espelhos automáticos - e Chili (2330 euros) - volante em pele e com multifunções, bancos desportivos, ar condicionado automático e rádio Boost CD de gama superior. O que elevava a factura para uns pouco arejados 34.970, 02 euros.

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