Um carro onde cabe a malta toda, onde cabem as malas todas. E onde cabem os putos e todos os acessórios necessários, naquelas viagens que sonhamos fazer um dia, com a casa às costas e sem a treta do "não podes levar isso que não há espaço". Se houvesse uma forma perfeita de definir o Seat Alhambra, seria qualquer coisa deste género. Espaço, espaço para dar e vender, talvez fosse o slogan correcto.
Não seria apenas esta a ideia que a marca espanhola tinha em mente quando acrescentou mais uns centímetros (22 em comprimento, 9 em altura) ao novo Alhambra: são agora uns respeitáveis 4,85 metros de comprimento e 1,9 metros de altura. Resultado? Mais espaço para as pernas dos passageiros (mesmo na terceira fila), mala mais espaçosa (a "arrumação" destes carros é como um quarto de vestir, o sonho assumido de uma boa percentagem das mulheres).
São 809 litros de espaço, com cinco lugares ocupados, ou 2430 litros, se estiverem apenas duas pessoas no carro. Há sete lugares disponíveis (com tamanho suficiente para serem ocupados por adultos), mas podem rapidamente ser convertidos em cinco ou mesmo dois - os bancos deixaram de poder ser retirados, mas "desaparecem" automaticamente, com recurso ao sistema easy fold. Nos bancos da segunda e terceira fila há assentos integrados para as crianças e as portas laterais de correr (sistema que pode ser completamente automático) dão um toque de elegância e permitem maior facilidade na entrada para a terceira fila.
Mas esta arma - a do espaço - é coisa pouca para vencer no combate dos familiares, mesmo assumindo que, com o novo modelo, o Alhambra afirma-se como campeão do segmento em altura, maior distância entre eixos e maior tamanho da mala. A ambição do novo modelo da Seat tem, na verdade, outros fundamentos. O principal chama-se Volkswagen. Estando integrada no grupo alemão, a Seat beneficia de uma série de regalias, sobretudo no que à mecânica e tecnologia diz respeito. Estar na VW é, sem dúvida, um trunfo valioso para a Seat, ainda que o VW Sharan seja um dos principais adversários, juntamente com Renault Espace e os Ford S-MAX e Galaxy.
Mas há outros trunfos. A aerodinâmica melhorada do grande monovolume espanhol permite agora menos ruído e menor consumo. É mais uma medalha para o Alhambra: 143 g/km em emissões de CO2, o que permite um consumo misto de 5,5 litros aos 100. Já disponível no mercado português, o monovolume apresenta-se em três opções diferentes. Um motor a gasolina 1.4 TSI de 150cv e dois a diesel - 2.0 TDI, com 140 (o mais económico) ou 170cv. As versões são todas Ecomotive e Ecomotive Technology e os motores apresentam o sistema start/stop e sistema de travagem regenerativa, podendo os blocos a gasóleo optar por caixa de dupla embraiagem DSG de seis velocidades.
No que ao interior diz respeito, o Alhambra apresenta também melhorias significativas. Há em todas as versões sete airbags de série, sistema de controlo de estabilidade, bola de reboque integrada, pneus autoselantes, travão de mão electrónico e, em algumas versões, um tecto panorâmico três vezes maior do que o do modelo anterior.
Alguém se lembra ainda da primeira versão do Alhambra, um projecto da Volkswagen e da Ford, do qual resultaram o Ford Galaxy, o Seat Alhambra e o VW Sharan? Já lá vão quase 15 anos - e já lá vão quase 250 mil Alhambra vendidos. Mas nunca o projecto da marca espanhola foi tão ambicioso como agora, com o conforto e as possibilidades técnicas garantidas pelo grupo a fazerem-no sonhar com novos voos. Não se sabe ainda onde vai chegar o Alhambra, mas há uma certeza: a partida faz-se de Portugal, da fábrica da Autoeuropa, em Palmela. E até já pode apreciá-lo, ao vivo, porque a marca faz, hoje e amanhã, um "fim-de-semana de portas abertas".