Fernando Tordo teve-a nas mãos aos 17 anos, quando era permitido tirar a carta antes dos 18, desde que se conduzisse com um "encartado" ao lado. Candidatos não faltaram, quando o pai lhe ofereceu um Austin Cooper S branco, novinho em folha, com dois depósitos de 50 litros de gasolina de cada lado. Matrícula bem presente na memória: FG-36-43. Custou 82 contos (410 euros) e foi comprado ao "senhor automóvel", Alfredo César Torres. Um carro inolvidável. "Em 1966, havia dois automóveis que toda a gente queria ter: o Jaguar ou o Austin Cooper S". "Ainda hoje penso como era possível um homem com a minha altura meter-se num carro daqueles", comenta, com um sorriso.
Tordo foi instrutor de condução na tropa, que cumpriu durante três anos. Ensinava as regras rodoviárias no extinto Grupo de Companhias de Trem Auto, aos homens que eram recrutados para o Ultramar. A segurança é fundamental para quem deu aulas de condução, e nunca teve um acidente em 44 anos de estrada. "Um automóvel tem de ter um magnífico motor e segurança", defende. Carros potentes e muito seguros: a combinação perfeita.
Agora, Tordo garante que tem o carro ideal: um Mazda 5, que transporta sete passageiros e tem espaço para o material dos concertos, incluindo uma caixa de guitarras. "É um carro fabuloso, muito seguro. A mecânica japonesa é imbatível". O próximo já está na cabeça - o cantor vai comprar uma vespa, pelo fascínio que tem pelas máquinas de duas rodas. Mas há mais sonhos por concretizar: gostava de ter um "carocha" dos antigos na garagem.
Há incongruências que lhe custam entender. Não consegue perceber como coabitam, no mesmo universo, publicidades de carros que atingem os 240 km/h e leis que não permitem conduzir a mais de 120. Nos seus planos está também uma viagem de carro pela Europa, com amigos, que servirá para tirar todas as dúvidas quanto ao GPS. "Quero ver se aquilo é mesmo eficaz".
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