No centro de testes automóveis da Opel, próximo de Frankfurt, é habitual ver passar veículos de quatro rodas camuflados por placas de metal, plástico ou até tecido. A protecção de segredos industriais e comerciais a isso obriga. Afinal, por estes caminhos passeiam muitos modelos do fabricante alemão que só dentro de um ano ou mais chegarão ao consumidor. Alguns carros, aliás, ainda nem têm data prevista para avançarem para o mercado. Na verdade, este local funciona como uma "bola de cristal" para o futuro da indústria automóvel, que para a Opel se reparte em três tecnologias.
São elas o automóvel eléctrico puro, mais adequado às pequenas distâncias das cidades, o automóvel eléctrico com autonomia alargada, como o Opel Ampera, que chega ao mercado no final deste ano (a marca aceita reservas em www.opel-ampera.com) e os veículos com pilha de combustível a hidrogénio. Estes, para já, ainda estão numa fase experimental, mas que a marca alemã do grupo General Motors vê como o futuro. Lars Peter Thiesen, responsável pela estratégia de implementação da pilha de combustível a hidrogénio, acredita que estes novos veículos estarão em condições de chegar ao mercado de massas em 2015.
Para já, o caminho que se desenha aponta para o aumento das vendas de carros eléctricos e dos seus congéneres com autonomia alargada, durante os próximos anos. No entanto, o desenvolvimento das baterias não está a ser tão rápido como seria desejável e não tem um grande potencial pela frente, concluíram os investigadores da Opel. A densidade energética é baixa, pelo que os sistemas de baterias necessários ocupam muito espaço e têm um grande peso. O abastecimento também não é muito prático, especialmente para quem habita em apartamentos e não dispõe de garagem.
Em contrapartidas, os carros que dependem do hidrogénio têm vários pontos fortes, diz Peter Thiesen. Uma bagageira muito maior do que os carros eléctricos, uma vez que não há necessidade de baterias que ocupam espaço; a possibilidade de abastecer em apenas três minutos, de uma forma muito semelhante à gasolina e ao gasóleo; uma autonomia que pode chegar aos 500 quilómetros quando se desenvolverem carros de propósito para esta tecnologia (neste momento, o limite são 320 km); zero emissões de carbono e de outros gases poluentes.
No entanto, para já existem ainda vários entraves. Primeiro, os custos desta tecnologia são, por enquanto, demasiado elevados. "O custo de propriedade será igual [a outras tecnologias] nos anos 2020", disse este especialista ao PÚBLICO. Depois, estes automóveis "precisam de ter mais durabilidade". As metas são 200 mil quilómetros de utilização, contra os actuais 120 mil, e 5.500 horas face às 1.500 que são hoje possíveis. E, por último, o investimento das petrolíferas em postos de abastecimento de hidrogénio tem de ser mais sério. Em Berlim, muitas vezes os três pontos de abastecimento que já existem não estão todos a funcionar, lamenta o mesmo responsável.
O que sai do escape?
Para quem o conduz, o chamado Opel HydroGen4 (que a Fugas experimentou) é muito semelhante aos restantes automóveis. Ao contrário dos veículos 100 por cento eléctricos, faz algum ruído, mas soa de forma muito diferente do típico motor de combustão. O máximo que este carro experimental atinge são 160 km/h (confesso que estive muito longe de atingir esse limite) e do tubo de escape sai apenas... água.
Na Europa, Berlim é a única cidade onde a pilha de combustível a hidrogénio está a ser testada por condutores. A Opel distribuiu dez destes automóveis pelas frotas de empresas, tal como aconteceu também nos EUA e na Ásia (Xangai, Seoul e Tóquio).
Já o Opel Ampera representa a única das três tecnologias alternativas que são aposta da Opel com data marcada de chegada ao mercado: já no final deste ano. Esta é a aposta da marca para quem procura um carro mais amigo do ambiente, mas com autonomia alargada. Por 42.900 euros, o novo veículo "não será um carro de produção em massa para a Europa", mas será mais procurado por quem gosta de adquirir primeiro novas tecnologias, diz Thomas Gerst, engenheiro do grupo.
Após 40 a 80 quilómetros em modo puramente eléctrico (o que depende da temperatura ambiente e do modo de condução), os condutores do Ampera ainda terão pela frente mais 500 quilómetros auxiliados pelo motor de combustão que produz electricidade para alimentar o motor eléctrico.
Mais
Investigação Opel: O futuro dos automóveis está cada vez mais próximo do hidrogénio