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Volkswagen Golf Cabriolet: Mudar de estação em apenas nove segundos

Por Carlos Filipe

A quarta versão cabriolet do Volkswagen Golf chega em Setembro com capota de lona de accionamento automático e sem arco de protecção. Não foi por isso que a Fugas se sentiu menos segura e, depois de ouvir a anedota dos designers sobre o novo produto, sentiu-se bem na "cesta de morangos que perdeu a pega"

Ninguém chamará "cesta de morangos que perdeu a pega" ao novo Cabriolet da Volkswagen, ou que só conceda a sua exibição como "diva" de Verão - outra analogia da Volkswagen para tentar contrariar o conceito "cabrio" unicamente para dias de Sol. O que a marca diz, sustentando que entre 1979 e 2002 perto de 680 mil condutores escolheram aquela versão, é que num modelo de imagem tão forte como é o Golf, o Cabriolet está agora ainda mais apto para todos os dias do ano. E para o justificar laborou na técnica para se manter na linha de sucesso.

Et voilá, em apenas nove segundos o carro adaptou-se ao capricho da FUGAS, que não por mudança repentina de estação, o que seria demasiado cruel e esmorecedor do ambiente pré-estival em Saint-Tropez, na Riviera francesa, onde o modelo está a ser apresentado. Foi aquele o tempo suficiente para escamotear a capota, operação que até pode ser feita em andamento, até 30 km/h. Uma dissimulação, dir-se-ia quase camaleónica, por bem integrada na carroçaria, sem comprometer mais espaço interior para passageiros (continuam a ser dois dignos lugares atrás). O sistema foi concebido em parceria com a Karmann, que já tinha desenhado o primeiro protótipo do Golf Cabriolet, em 1976. Este carroçador especializado foi recentemente adquirido pela Volkswagen e está sedeado em Osnabruck, Alemanha, onde o modelo está a ser produzido.

O sistema articulado da capota é engenhoso e ocupa pouco espaço. Recolhida, ou cobrindo os "morangos", admite sempre 250 litros de capacidade na bagageira, o que não é nada do outro mundo, mas o suficiente para três pequenas malas. Saiu claramente vencedora a estética - que até se identifica com a do Eos -, resultando que em qualquer modo de condução (com/sem capota) a traseira (já tem diodos electrónicos de luz, vulgo LED) mantém uma linha muito coerente desde a frente (também com luzes diurnas LED), mantendo-se baixa, sem qualquer sobressalto para acomodação da capota. Bem conseguido, e com look atraente e jovem.

Também foi ligeiramente reduzida a altura do veículo ao solo. Em contrapartida, cresceu uns (poucos) centímetros em comprimento face ao modelo base. Nota-se uma boa protecção aerodinâmica - ainda melhorável com o auxílio do deflector de ar -, da qual também resulta menor ruído a bordo com a capota colocada, agora de lona revestida para melhor insonorização.

Sublinha a marca alemã que fez por ignorar qualquer sentimentalismo "retro", mas perfilhando o modernismo, sem linhas verticais, sem frisos, sem o arco de protecção, que anteriormente consistia no pilar central do veículo - substituído por barras metálicas, escamoteáveis atrás dos encostos de cabeça dos dois bancos traseiros -, adoptando um pára-brisas de ângulo muito fechado, muito pronunciado sobre o habitáculo, vincando um carácter mais desportivo, mas por isso mesmo também com uma moldura reforçada. Vários pontos estruturais do chassis foram fortificados, para melhorar a rigidez torsional. O comportamento em estrada é acentuadamente neutro, cumprindo em percursos sinuosos e sem quaisquer reparos em auto-estrada.

O sistema de protecção de ocupantes em caso de perigo de capotamento é accionado em 250 milésimos de segundo. E se a alguém subsistam dúvidas sobre segurança activa, a Volkswagen disponibiliza o ESP (programa electrónico de estabilidade) como equipamento de série.

Nas motorizações, como em quase tudo o resto já conhecido no Golf, não há novidades. O sistema start&stop, parte da tecnologia BlueMotion incorporada nos modelos ensaiados, ajuda a aliviar um pouco a consciência ambiental, cortando a ignição nas paragens de semáforos. O arranque é silencioso e sem hesitações. O Cabriolet chegará a Portugal com dois propulsores a gasolina (1.2 TSI, 105cv e 1.4 TSI, 160cv) e um a diesel (1.6 TDI, 105cv). Na versão BlueMotion, este motor a gasóleo, com caixa manual de cinco velocidades, anuncia um consumo médio de 4,4 l/100 km e emissões de CO2 de 117 g/km. A gama ficará completa no final do ano com mais um motor a gasolina, 2.0 TSI (210cv) e um outro diesel, 2.0 TDI (140cv).

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