Fugas - motores

Daniel Rocha

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Marcação cerrada aos líderes

O A6 é um carro baixo, por definição, mas a sua posição de condução nunca se assemelha à de um desportivo. Apesar das múltiplas possibilidades de afinação proporcionadas pelos bancos e coluna da direcção, não é possível conduzirmos muito perto do fundo do carro. Nem quereríamos, certamente, não só porque a frente é enorme como também porque convém estar sempre atento às solicitações vindas do banco de trás...

Coloquemos então o boné de motorista (passe o estereótipo) e sentemo-nos ao volante. Estamos em presença de um excelente estradista e, mesmo com esta motorização de base, não é difícil perceber que há alma naquele chassis. Também é possível escolher um dos vários modos dinâmicos de condução, embora a opção esteja um pouco escondida.

Os travões são excelentes, a direcção também, a suspensão nunca nos deixa mal (mesmo em mau piso, consegue filtrar a maior parte das irregularidades). Quanto ao comportamento, é tão neutro quanto poderíamos esperar de uma berlina para executivos - presumese que as motorizações mais exuberantes terão outras coisas para nos dizer a este nível.

Resta referir que a gama A6 se inicia, exactamente, com este diesel de 177cv, nos 50.950 euros (haverá que contar com mais uns milhares para extras, tal como acontece na concorrência). Quase ao mesmo nível de um BMW série 5 (51.775 euros) e claramente abaixo do Mercedes classe E (55.237 euros). O Volvo S80 (44.430 euros) e o Saab 9-5 (43.898) são mais baratos; o Jaguar XF (57.435 euros) bastante mais caro. Ou seja, como em tantas outras coisas, a Audi aposta na ideia de que no meio é que está a virtude.

 

Pouco intuitivo
Podemos optar por cinco modos dinâmicos de condução ("Efficiency", "Comfort", "Auto", "Dynamic" e "Individual"), mas não há comandos evidentes para fazer a opção, como noutros modelos deste nível. Em vez disso, será preciso seleccionar a função Car no menu do computador de bordo e só então fazer a escolha. Não é muito prático, mas os botões com as memórias de rádio são-no ainda menos: teclas pequenas, todas iguais e sem relevo. Mais vale utilizar os comandos no volante, esses sim bastante amigos do utilizador.

Lotação esgotada
Um terceiro passageiro atrás, ao centro, não viajará confortável. Não só o seu assento não tem qualquer preocupação de ergonomia, como o volume da conduta central obriga a pôr uma perna para cada lado. O A6 foi desenhado a pensar em dois selectos ocupantes dos bancos traseiros, no máximo. E, para esses, o cenário é muito agradável. Se dúvidas houvesse, fica assim bem claro que este não é um carro para a família.

Notável
As motorizações diesel da gama para duas rodas motrizes são duas: o 2.0TDI de 177cv e o 3.0 TDI de 204cv. O primeiro tem quatro cilindros, o segundo seis. E foi preciso espreitar debaixo do capô para ter a certeza de que, neste caso, se tratava do motor mais pequeno. Que chega a ser entusiasmante na forma espontânea e imediata como disponibiliza a potência. E isto gastando, de facto, pouco.
 

Qualquer coisa
Esperava-se mais da única caixa manual da gama (todas as outras motorizações vêm com transmissões automáticas, multitronic ou S tronic). Está bem escalonada (com este motor a ajudar, também não era difícil...), mas mostra-se algo lenta e chega a ser ruidosa em alguns movimentos, pecado que parece inconcebível a este nível. Falta, realmente, qualquer coisa. Em termos mecânicos, está aqui o calcanhar de Aquiles do modelo.

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