Fugas - motores

Paco Bandeira: Fabuloso e poderoso

Por Sara Dias Oliveira

Está decidido. Há dez anos que o músico Paco Bandeira não compra carro novo, mas a próxima vez que o fizer será um automóvel eléctrico. Por ser amigo do Ambiente e poupado no consumo. Mas houve um tempo na vida do cantor, há mais de 20 anos, que os carros tinham uma importância desmedida. "Era uma forma de afirmação idiota", reconhece.

Naquela altura, era a loucura e quanto mais potente melhor. Nesse tempo comprou um Porsche 928S castanho e os dedos de uma mão chegavam para contar os que havia em Portugal. É o veículo de que guarda mais recordações e há momentos que não se esquecem. Foi ao volante dessa máquina, que fez a viagem entre Lisboa e Porto em 1h25, num tempo em que a ligação das duas cidades ainda não era totalmente feita em auto-estrada. "Era o máximo, um carro fabuloso, potente", lembra. Era muito veloz, consumia 20 litros aos 100. "Um carro poderoso, tinha um motor muito seguro", acrescenta. Seis anos depois, com 200 mil km contabilizados, trocou-o por um Porsche mais pequeno e mais económico. "Quando o vendi, estava novo."

Conduzia o Opel do pai antes de comprar a sua primeira viatura, um Mini a toda a prova adquirido quando saiu da tropa. Um automóvel que se tornou no carro da família e que aguentou uma viagem até à Alemanha. "Portou-se muito bem."

Hoje os carros têm outra importância para Paco Bandeira. "São um instrumento de trabalho." Neste momento, tem um Mercedes S320 para as viagens de Oeiras para o escritório de Massamá e de Oeiras para Montemor-o-Novo. Aborrece-se nas filas de trânsito, respira fundo e espera. "Chateiam-me, sinto que me tiram qualidade de vida, mas tenho de aguentar e ouço música."

A pressa pertence ao passado. É calmo na estrada, não tem acidentes no currículo, quando há compromissos na agenda parte mais cedo para chegar a horas e nas auto-estradas circula dentro da velocidade permitida. "E nunca terei chofer", revela. Paco Bandeira não consegue ir ao lado do condutor porque enjoa. Por isso, o volante está sempre nas suas mãos.

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