A Kia não tinha um veículo competitivo no segmento dos utilitários, que representa 37 por cento do total das vendas de automóveis em Portugal. É certo que o Soul, um pequeno Sports Utility Vehicle (SUV), e o Venga, um monovolume, se incluem nesse segmento, mas são modelos destinados a nichos específicos de clientes. Face aos Clio, 207, Fiesta, Polo, Corsa, etc., a marca sul-coreana apresentava o anterior Rio, um modelo datado e com vendas nulas. O novo Rio, a lançar em final do próximo mês, vem preencher essa lacuna.
A primeira versão será a cinco portas, com motor 1.2, a gasolina, que, no nível de entrada (LX), custará 12.600 euros. Segue-se, um mês depois, o propulsor 1.1, a gasóleo, de 75cv, com preços desde 15.600 euros. Em Janeiro, virá a carroçaria de 3 portas (cerca de 750 euros mais barata do que a de 5) e a motorização 1.4, a gasóleo, de 90cv, para a qual ainda não há preços.
Em tempo de crise, a Kia propõe-se duplicar as vendas, em 2012, alicerçada no novo modelo. O responsável pela marca em Portugal, João Seabra, conta escoar perto de 3000 veículos em 2011 (dos quais 400 Rio). Segundo ele, para atingir o objectivo de 2012, basta manter os números deste ano e acrescentar uma previsão de 2500 novos Rio (cerca de 4 por cento das vendas em Portugal de utilitários).
E quais são os argumentos para atingir essa meta? O responsável da Kia avança com uma boa relação preço equipamento e motorizações económicas com performances razoáveis.
No que se refere a motores, o Rio pode dispor de quatro: dois a gasolina (1.2, 85cv e 1.4, 109cv) e dois a gasóleo (1.1, 75cv e 1.4, 90cv). Em Portugal, o motor 1.4 a gasolina não será comercializado. O outro motor, com 1248cc, 4 cilindros e duplo CVVT (comando de válvulas variável), acoplado a uma caixa manual de 5 velocidades, tem 85cv e um binário de 120 Nm às 4000 rpm.
Os dois propulsores a gasóleo têm por base o bloco U2 da Kia (usado no cee'd). O destaque vai para o tricilíndrico de 1120cc, com 75cv e 170 Nm entre as 1500 e as 2750 rpm. Na versão EcoDynamics, que não será vendida em Portugal, consome apenas 3,2 l/100 km e emite 85 g/km de CO2. Estes valores de referência são obtidos à custa de alguns sacrifícios: não tem ar condicionado, colunas de som, limpa-pára-brisas traseiro, vidros eléctricos, etc. Do lado positivo, tem sistema Start & Stop (paragem e arranque automático do motor), pneus de baixa resistência ao rolamento, grelha dianteira de baixo atrito, indicador de passagem de caixa e caixa manual de 6 velocidades. Para Portugal, optou-se por apresentar versões com os itens economizadores, mas mais equipada, pelo que o consumo sobe para 3,6 l/100 km e as emissões de CO2 para 94 g/km.
O outro motor a gasóleo apresenta 1396cc, 90cv e 220 Nm entre as 1750 e as 2750 rpm e, tal como o 1.1, traz uma caixa manual de 6 velocidades, Start & Stop e indicador de mudança de velocidade. A versão 1.2, a gasolina, por economia de custos, não dispõe de Start & Stop.
Com 4045 mm de comprimento, 1720 mm de largura e 1455 mm de altura, o visual do novo Kia é moderno e a silhueta em forma de coupé tem traços desportivos com a grelha no formato "tiger nose", característica da Kia, a linha de cintura alta, os painéis laterais vincados, o spoiler traseiro e as luzes em LED (em alguma versões).