A nova RS4 125 da Aprilia tem tudo para se tornar num objecto de desejo para os adolescentes. A presença arrasadora da marca em competição, com centenas de vitórias e 45 títulos mundiais conquistados nas duas últimas décadas, fazem dela uma referência incontornável e, como se isso não bastasse, a RS4 decalca ainda as formas da Superbike, campeã em título da categoria.
A RS4 marca um novo momento para a Aprilia. É a primeira moto de 125cc com motor a quatro tempos, e o desafio de substituir a versão anterior, que vendeu mais de 100.000 unidades em mais de 30 países, foi encarado com a responsabilidade merecida. O novo motor recorre assim à configuração própria das super-desportivas, com dupla árvore de cames à cabeça, quatro válvulas e injecção electrónica, estando no limite da potência para ser conduzido a partir dos 16 anos de idade. A ciclística é do mesmo calibre.
O quadro é perimetral em alumínio, a suspensão dianteira é invertida, atrás monta um monoamortecedor com sistema progressivo e a travagem na dianteira recorre a um disco de 300 mm, sendo a pinça de quatro êmbolos montada radialmente. Esteticamente é assombrosa e são muitos os detalhes que revelam qualidade de construção e rigor nos acabamentos.
Num primeiro olhar quase que se confunde com a super-desportiva da marca, tendo a redução das dimensões sido feita mantendo a proporcionalidade. O modelo ensaiado tem ainda a particularidade de ser uma edição especial, réplica da Aprilia com que Miguel Oliveira está a disputar o mundial de velocidade, usando a sua decoração e montando, sem agravamento do preço para as dez primeiras unidades, um quick-shifter.
A primeira surpresa surge assim que nos sentamos pois, mesmo sendo desportiva, não obriga a uma posição desconfortável. O corpo cai com naturalidade para a frente e as pernas não ficam demasiado flectidas. A condução em ambiente citadino sai assim beneficiada, tornando-se mais fácil serpentear entre os diferentes obstáculos.
O raio de viragem generoso, a afinação macia das suspensões e a sonoridade abafada do motor contribui também para este quadro de harmonia. Interessante também a leitura oferecida pelos retrovisores, que vibram pouco, e a boa iluminação proporcionada graças aos três faróis montados na frente da carenagem.
Os consumos registados rondam os 3,5 litros. A condução desportiva é também possível, senão mesmo obrigatória. A rapidez na mudança de direcção, a potência dos travões e a disponibilidade do motor, assim que passamos das 7.500 rpm, permitem que nos mudemos por instantes para um qualquer local distante, rodeado de escapatórias e bancadas. Os pneus Sava surpreendem pelo comportamento e previsibilidade em curva, sendo grande a aderência revelada quando o ritmo começa a depender da eficácia das diferentes partes.
A acção do quick-shifter é nesta altura fundamental, sendo rápida e precisa a troca de velocidades, sobretudo a partir de terceira. Não há nada que iguale a sensação de manter o acelerador a fundo e trocar de caixa sem se perder tempo, contribuindo decisivamente para o envolvimento emocional em redor do modelo. A protecção aerodinâmica é razoável. O motor corta por volta das 11.500 rpm, sendo impossível conseguir ler mais do que 130 km/h no painel digital, e apenas se sente algum vento nos ombros.