Não podia estar mais próximo do Eos e, ao mesmo tempo, ser tão diferente do coupé-cabriolet fabricado em Palmela. A versão descapotável do Volkswagen Golf prima pelos reconhecidos atributos mecânicos do familiar compacto e acrescenta-lhe o charme de uma capota em lona. A motorização turbodiesel, quatro cilindros, 1.6 litros, com 105cv, não se mostra muito fogosa, mas o baixo consumo será um atributo a valorizar nos tempos que correm.
O Golf Cabriolet assenta sobre a plataforma da sexta geração do modelo mais bem-sucedido da marca alemã. No entanto, a nova versão "destapável" do Golf é ligeiramente mais curta do que o "primo" Eos, o descapotável de capota rígida fabricado, em Palmela, a partir da mesma plataforma. A estética exterior, em termos gerais, segue a mesma imagem das versões "tapadas", com excepção natural para a secção posterior.
A linha subida do topo da mala vinca um perfil mais baixo do tejadilho e uma inclinação mais pronunciada do pára-brisas. O que pode levar a que os ocupantes da frente mais altos sejam "despenteados" pela deslocação do ar. Já os de estatura mediana não terão muita razão de queixa, uma vez que o habitáculo se apresenta bem resguardado da intrusão do vento. Permite mesmo manter-se uma conversa acima dos 100 km/h. Em velocidades mais elevadas, pode-se sempre montar o deflector de vento, fornecido de origem, sob os lugares traseiros.
A capota em lona, de funcionamento electro-hidráulico, pode ser aberta ou fechada em andamento até 30 km/h. A operação demora apenas 9,5s e, para tal, basta accionar um comando sob o apoio de braços central, posicionado à semelhança do Eos. Não é dos locais mais práticos, mas facilmente cai no hábito. O que custa a aceitar é a teimosia em disponibilizar o comando do fecho centralizado apenas na porta do condutor. Os restantes ocupantes agradeciam ter a mesma faculdade mais à mão, quando o motorista sai por instantes do veículo. Um "pormaior" que se resolvia facilmente na consola central.
A capota apresenta-se bem isolada quanto a ruídos exteriores. A qualidade global dos revestimentos só aqui e ali maculada pelos plásticos mais rijos, possível fonte posterior de barulhos parasitas alinha pelos padrões exigentes ao nível da construção. O espaço revela-se adequado para quatro adultos, inclusivamente nos bancos traseiros. O acesso também se mostra facilitado, com a capota subida ou descida.
O turbodiesel 1.6 TDI, com 105cv, constitui a única motorização a gasóleo disponível no momento (para o ano surgirá o 2.0 TDI de 140cv). A tecnologia Bluemotion, com sistema automático startstop, que desliga e liga o motor nas imobilizações forçadas (desde que o ar condicionado não esteja a funcionar), garante consumos comedidos, mesmo numa utilização mais exigente.
O gasto médio, neste caso, ronda uns contidos seis litros por cada centena de quilómetros. Ainda assim, este bloco não exibe grande fulgor, principalmente no arranque, embora dê perfeitamente conta do recado numa toada mais descontraída, mais de acordo com o "espírito" de um modelo descapotável. A transmissão manual de cinco velocidades, com indicação ideal da mudança de relação, ajuda a poupar combustível e ajusta-se bem ao desempenho do motor.
A suspensão filtra com eficácia as irregularidades no piso e possui a firmeza adequada para responder a trajectórias mais caprichosas. Esta característica, aliada à direcção precisa, torna muito fácil a condução por percursos sinuosos, o que, aliás, faz justiça aos pergaminhos do modelo compacto alemão. O equipamento de origem inclui sete airbags frontais, laterais à frente, cortina e joelho do condutor, arcos de protecção de accionamento automático em caso de capotamento, alarme e cruise control. A unidade ensaiada acrescentava aos 32.378€ da motorização diesel, mais 4782€ de extras, entre os quais a pintura metalizada (375€), pacote Exclusive (2837€), ar condicionado automático Climatronic (332€), rádio com leitor de CD (214€) e jantes em liga leve de 17 polegadas (274€).
Equipado com rigor
O Golf Cabriolet permite desligar o programa electrónico de estabilidade (ESP) e o sistema start-stop incluído nas versões com tecnologia Bluemotion. Mas, para além deste equipamento de origem, existem outras mordomias só em opção, isoladamente ou em pacotes. O Exclusive, por exemplo, associa os estofos em couro (com regulações manuais do apoio lombar e aquecimento) e gavetas por baixo dos bancos dianteiros, com mais dois pacotes: faróis de xénon, com luzes diurnas em LED, farolins de nevoeiro com luzes de curva estáticas e lava-faróis, e Lights&Vision, composto por espelho interior anti-encadeamento e sensores de luzes e de chuva.
Paga-se também à parte o Park Pilot, sistema de ajuda ao estacionamento traseiro e dianteiro (do qual não se sentiu muito a falta), bem como o Light Assist, o assistente de luzes de máximos
Acessório estético
A capota em lona deste "cabrio" está dotada de um óculo traseiro em vidro e, quando "aberta", fica recolhida sobre a bagageira. Ao contrário das outras gerações só não houve descapotável de raiz no Golf II e V, a lona fica "arrumada" num plano liso, mas à vista, solução semelhante à adoptada pelo "primo" Audi A3. No entanto, quando comparado com o outro membro da família, o Eos, estranham-se as aberturas ao lado dos bancos posteriores. A razão é simples: no coupé-cabriolet de Palmela, o próprio mecanismo de recolhimento do tecto rígido na parte superior da bagageira incorpora uma tampa para vedar aquelas aberturas. No Golf, isso não acontece, tanto mais porque não terá efeito na deslocação do ar. Ainda assim, mais para a frente está prometido um acessório para tapar os buracos, de montagem manual, e que visam apenas responder às observações estéticas.
Aceitável, mas...
A bagageira do Golf Cabriolet, cuja primeira geração remonta a 1979, não sai prejudicada pela abertura da capota de lona, ao contrário de outros descapotáveis, pois o tejadilho amovível não entra no compartimento de carga. Assim, os 250 litros de capacidade anunciados são válidos com a carroçaria tapada ou destapada. O problema é que a configuração da tampa da mala, além de pouco prática para fechar, tem o desenho de uma "bocarra", mas limitada em termos de amplitude. Ou seja, quem precisar de transportar um "malão", só se não precisar dos bancos traseiros... Depois, o formato da mala também é irregular, por causa do espaço ocupado com os arcos de protecção dos encostos de cabeça, mas o rebatimento dos assentos posteriores possibilita o transporte de objectos mais compridos.
Escolha racional?
No lançamento, a quarta geração do Golf Cabriolet apenas dispõe de dois blocos a gasolina e um diesel. O 1.2 TSI Bluemotion, de 105cv, custa 28.998€, ao passo que o 1.4 TSI, de 160cv, se faz pagar por 31.512€. Os seja, ambos abaixo do valor do 1.6 TDI Bluemotion, de 105cv, a única opção a gasóleo, enquanto não chega o 2.0 TDI, com 140cv. Se é verdade que o turbodiesel, não possuindo um comportamento muito vivo, responde ao que se espera de um veículo para passear de capota aberta, com consumos muito contidos, as propostas a gasolina também podem e devem ser ponderadas.
Barómetro
+ Estética, dinâmica apurada, consumos, habitabilidade
- Motor com pouco fulgor, falta de fecho centralizado para passageiros, acesso à bagageira, preço
Ficha Técnica*
Mecânica