Todos os modelos da BMW têm boa relação preço/qualidade e má relação preço/equipamento. Isto é, a qualidade percebida (e não só...), a mecânica e o equipamento são sempre de um nível Premium. O pior é o facto de o preço-base de qualquer veículo da BMW cobrir pouco mais do que bancos, motor, volante e carroçaria, restando muitos itens para serem pagos à parte. O 520d com kit de potência que a Fugas conduziu não foge à regra: custa 51.780€, mas com os extras (quase todos indispensáveis) fica em 62.792€.
No BMW 520d com que andámos, pintura metalizada, bancos desportivos, volante em pele, jantes em liga leve de 18 polegadas, espelho interior anti-encadeamento, kit de fumadores, luz ambiente interior, sensores de estacionamento, climatizador de duas vias, sistema de navegação, conexão Bluetooth e áudio/USB tudo isto são extras que encarecem o preço inicial em quase 10 mil €. E poder-se-ia acrescentar muito mais de uma longa lista de equipamento opcional disponível.
A marca argumenta que, deste modo, o cliente pode obter uma configuração personalizada do veículo que adquire, mas a verdade é que há itens que, mesmo em carros de segmentos inferiores, já são de série.
No meio de tudo isto, o kit de potência BMW Performance que o carro trazia (também disponível para o 320d e 320xd) até tem um preço razoável 1300 euros mais custos de montagem (menos de 100€). Este kit inclui uma nova unidade de comando electrónico do motor com programação específica, um intercooler de maiores dimensões e com melhor refrigeração e novas condutas de admissão do ar.
O resultado é, em relação à motorização-base, um aumento de 16cv na potência e 40 Nm no binário, que se traduz em mais 7 km/h de velocidade máxima, -0,5s na aceleração dos 0 aos 100 km/h e melhores recuperações.
Tudo isto sem comprometer consumos e emissões, que, com médias de 4,9 l/100 km e 129 g/km de CO2 (dados do construtor), constituem uma referência para berlinas deste segmento. Para estas performances, contribuem as tecnologias BMW EfficientDynamics, como a recuperação da energia da travagem, a função Start & Stop de paragem e arranque automático do motor, o indicador do momento ideal para a mudança de velocidade, etc.
Na prática, obtivemos uma média de 6,5 l/100 km, mas também é verdade que os quilómetros percorridos incluíram muita condução em cidade e, em certas ocasiões, nomeadamente em estrada com subidas muito íngremes, para atestar a disponibilidade do motor, carregámos no acelerador. Por outro lado, num percurso de cerca de 50 km em auto-estrada, controlando o consumo instantâneo e fazendo uma condução económica, entre os 80 km/h e os 120 km/h, o computador de bordo indicou uma média de 5,0 l/100 km, o que, para um carro que pesa mais de 1700 kg, é digno de registo.
O BMW 520d é um estradista por excelência, com uma suspensão que absorve todas as irregularidades do piso e, graças ao seu peso e baixo centro de gravidade, é quase imperceptível o efeito de ventos laterais, mesmo fortes. Em curva, a estabilidade é excelente. A resposta do motor, já de si boa, com o kit de potência é ainda melhor e a caixa manual de 6 velocidades que equipava o carro que conduzimos está bem escalonada e é muito elástica.