As mudanças profundas a que foi sujeito o modelo mais popular da marca norte-americana começam, desde logo, pelo visual. As linhas da SW agradam à vista, pela linguagem moderna da secção dianteira e pelo novo formato posterior. A grelha dianteira activa permite controlar a entrada de ar no compartimento do motor para reduzir consumos. As ópticas traseiras, antes verticais, passaram a ter uma configuração horizontal e adoptaram tecnologia LED. A carrinha é mais comprida 20 centímetros do que a versão de cinco portas. A distância entre eixos é comum a ambas as carroçarias, que assentam na nova plataforma do grupo para o segmento C, prevista para mais uma dezena de futuros modelos e já usada pelo monovolume Ford C-Max.
O espaço interior revela-se desafogado para cinco adultos. Os materiais de revestimento apresentam-se bem combinados, conjugando borrachas e aplicações cromadas com plásticos de bom tacto, apesar de outros mais rugosos. No geral, a montagem aparenta rigor. Mas alguns painéis menos bem ajustados e um barulho que se presume ter origem algures na consola, persistente a baixa rotação do motor, denota um eventual problema de construção que deve ser aferido noutras unidades.
O conhecido motor turbodiesel Duratorq TDCi de 1.6 litros debita 115cv. Este bloco beneficiou de uma revisão do sistema de combustão, do sistema de injecção directa por conduta comum e do turbo de geometria variável. O resultado traduz-se num funcionamento suave e resposta desenvolta em baixos regimes. Mas, lotado ou carregado, obriga a recorrer à precisa transmissão manual de seis velocidades para efectuar ultrapassagens dentro de margens de segurança e de conforto aceitáveis.
O sistema start-stop, que desliga automaticamente o motor quando o carro pára, ajuda a conter os consumos para uma média em torno dos seis litros por cada centena de quilómetros percorridos. Esta função pode ser desligada e por vezes demora a funcionar, ou chega mesmo a não o fazer, com o ar condicionado a trabalhar. A suspensão proporciona bom apoio em curva e filtra com eficácia os pavimentos mais degradados. A direcção, precisa, permite uma boa "leitura" nos trajectos sinuosos e o programa electrónico de estabilidade (ESP), que pode ser desactivado, conta ainda com o auxílio de um sistema adicional de controlo em curva para compensar na falta de aderência de uma das rodas.
O completo equipamento de série é um dos argumentos que joga a favor desta nova geração Focus. Apesar de o nível de entrada (Trend) só estar disponível na motorização 1.6 TDCi (95 e 115cv), o nível Titanium inclui, entre outras mordomias, sensores de luzes e de chuva, cruise control e detector da pressão dos pneus. A unidade ensaiada acrescentava aos 27.460€ de preço base mais 3.070€ de equipamento opcional, nomeadamente a pintura metalizada especial (560€), barras de tejadilho (150€) e os pacotes Titanium X (400€), Driver II (700€) e LED (800€). O que, para além de possibilitar a personalização segundo as preferências e gostos pessoais, deixa uma margem de escolha mais de acordo com a disponibilidade financeira para satisfazer os caprichos familiares.
Barómetro
+ Estética, comportamento dinâmico, equipamento, consumos
- Pormenores de construção, barulhos parasitas, suporte do capot
O protagonista
O bloco 1.6 TDCi, com 115cv, deverá assumir protagonismo na versão SW do Focus, uma vez que a variante de 95cv não deve diferir substancialmente em termos de preço. Na fasquia de potência superior, o 1.6 TDCi joga ainda com um valor de binário competente - 270 Nm, que são ampliados para 285 Nm com a função overboost em acelerações mais pronunciadas. As outras alternativas assentam no 2.0 TDCi, com 140 e 163cv, ambos passíveis de adoptar a caixa automática PowerShift de seis velocidades, ou no Ecoboost 1.6, de 150 e 182cv, estes últimos com injecção directa de gasolina. O que já não se usa, num veículo recheado de tecnologia, é uma vareta de suporte do capot no lugar do apoio hidráulico.
Escolhe por si
O pacote Driver II é composto pelo sistema automático de estacionamento, sensores de parqueamento à frente e atrás e sistema de segurança a baixa velocidade. O estacionamento automático assenta no princípio de outros construtores e, após detectar um espaço livre com mais 20 por cento da dimensão do veículo, assume o comando da direcção. O condutor só tem de seguir as instruções no monitor para acelerar, recuar e travar. Funciona sem complicar, mas requer habituação. Já o sistema de travagem activa em cidade (desenvolvido pela Volvo quando esta ainda pertencia ao grupo Ford) ajuda a evitar os pequenos toques urbanos. O pacote LED consiste em faróis bi-xénon com LED, tecnologia também usada nos farolins traseiros e na luz ambiente interior. O pacote Titanium X associa jantes de 17 polegadas à chave inteligente.
Confuso
O rádio Sony CD é opcional e faz-se pagar por 350 euros. A profusão de botões no tablier é tal que nos arriscamos a perder a atenção para o que se passa na estrada. No meio da confusão de botões - embora muitas funções estejam replicadas nos braços do volante - ficam os comandos dos "piscas" de emergência e do fecho centralizado (estes em formato minúsculo). Mas entre outras mordomias, opcionais e/ou integradas em pacotes, figuram ainda os sistemas de reconhecimento de sinais de trânsito, de alerta de mudança involuntária de faixa de rodagem, de aviso do ângulo morto nos espelhos, de assistência automática de luzes de máximos, de alerta de cansaço do condutor e de controlo automático de velocidade adaptativo.
Simples
A capacidade da bagageira pode ser expandida dos normais 476 litros até aos 1502 litros (com um pneu sobressalente temporário em alternativa ao kit de reparação de furos). Mas o sentido prático da Ford para a recolha da cobertura da mala também merece ser destacado pela positiva. Uma simples ranhura aberta na parede lateral do compartimento de carga serve como uma espécie de calha por onde corre a "tampa" que permite resguardar dos olhares estranhos o que se guarda na bagageira. Pelo habitáculo repartem-se ainda vários compartimentos para acomodar pequenos objectos sempre imprescindíveis num veículo de vocação mais familiar. O pacote fumador custa dez euros.
Ficha técnica
Mecânica
Cilindrada: 1560cc
Potência: 115cv às 3600 rpm
Binário: 270 Nm às 1750-2500 rpm
Cilindros: 4 em linha
Válvulas: 8
Alimentação: turbodiesel de injecção directa por conduta comum
Tracção: dianteira
Caixa: manual, de 6 velocidades
Suspensão: independente, tipo McPherson, com barra estabilizadora, à frente; independente, multibraços, com barra estabilizadora, atrás
Direcção: pinhão e cremalheira, assistida
Travões: discos ventilados, à frente; discos maciços, atrás
Dimensões
Comprimento: 455,6 cm
Largura: 201 cm
Altura: 150,5 cm
Peso: 1344 kg
Pneus: 205/55 R16
Capac. depósito: 53 litros
Capac. mala: 476 litros
Prestações
Velocidade máxima: 193 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h: 11,1s
Consumo misto: 4,2 litros/100 km
Emissões CO2: 109 g/km
Preço
27.460€ (versão ensaiada: 30.530€)
*Dados do construtor
Equipamento
Segurança
ABS: Sim, com assistência à travagem
Airbags frontais: Sim
Airbags laterais: Sim
Airbags laterais traseiros: Não
Airbags de cortina: Sim
Airbag de joelho para condutor: Não
Controlo de tracção: Sim
Programa Electrónico de Estabilidade: Sim
Vida a bordo
Vidros eléctricos: Sim
Fecho central: Sim
Comando à distância: Sim
Direcção assistida: Sim, eléctrica
Retrovisores eléctricos: Sim
Ar condicionado: Sim, automático
Abertura do depósito interior: Não
Abertura da mala interior: Sim
Bancos traseiros rebatíveis: Sim
Jantes em liga leve: Sim
Rádio CD: Sim
Comandos no volante: Sim
Volante regulável em altura: Sim
Volante regulável em profundidade: Sim
Computador de bordo: Sim
Alarme: Opção
Bancos dianteiros eléctricos: Opção
Estofos em pele: Opção
Bancos aquecidos: Opção
Tecto de abrir: Opção
Navegação por GPS: Opção
Telefone integrado: Sim
Regulador de velocidade: Sim
Sensores de chuva: Sim
Sensores de luminosidade: Sim
Sensores de parqueamento: Pack Driver (700€)
Faróis de nevoeiro: Sim
Faróis de xénon: Pack LED (800€)
Lava Faróis: Pack LED