Fugas - motores

Miguel Manso

A tecnologia deixou de ser capricho

Por Luis Filipe Sebastião

A nova geração do Focus aí está, determinada a prosseguir com o sucesso do seu antecessor. Eis os principais aspectos a ter em conta na carrinha.
Uma estética mais apelativa assente sobre uma nova plataforma e motorizações revistas para alcançar a actual demanda de todas as marcas automóveis: melhorar o desempenho mecânico a par de uma maior eficiência energética. A versão Station Wagon (SW) do Ford Focus, com o bloco de 1.6 litros, de 115cv, cumpre com estes objectivos e acrescenta uma panóplia de tecnologias inabituais neste segmento para facilitar a vida aos ocupantes.

As mudanças profundas a que foi sujeito o modelo mais popular da marca norte-americana começam, desde logo, pelo visual. As linhas da SW agradam à vista, pela linguagem moderna da secção dianteira e pelo novo formato posterior. A grelha dianteira activa permite controlar a entrada de ar no compartimento do motor para reduzir consumos. As ópticas traseiras, antes verticais, passaram a ter uma configuração horizontal e adoptaram tecnologia LED. A carrinha é mais comprida 20 centímetros do que a versão de cinco portas. A distância entre eixos é comum a ambas as carroçarias, que assentam na nova plataforma do grupo para o segmento C, prevista para mais uma dezena de futuros modelos e já usada pelo monovolume Ford C-Max.

O espaço interior revela-se desafogado para cinco adultos. Os materiais de revestimento apresentam-se bem combinados, conjugando borrachas e aplicações cromadas com plásticos de bom tacto, apesar de outros mais rugosos. No geral, a montagem aparenta rigor. Mas alguns painéis menos bem ajustados e um barulho que se presume ter origem algures na consola, persistente a baixa rotação do motor, denota um eventual problema de construção que deve ser aferido noutras unidades.

O conhecido motor turbodiesel Duratorq TDCi de 1.6 litros debita 115cv. Este bloco beneficiou de uma revisão do sistema de combustão, do sistema de injecção directa por conduta comum e do turbo de geometria variável. O resultado traduz-se num funcionamento suave e resposta desenvolta em baixos regimes. Mas, lotado ou carregado, obriga a recorrer à precisa transmissão manual de seis velocidades para efectuar ultrapassagens dentro de margens de segurança e de conforto aceitáveis.

O sistema start-stop, que desliga automaticamente o motor quando o carro pára, ajuda a conter os consumos para uma média em torno dos seis litros por cada centena de quilómetros percorridos. Esta função pode ser desligada e por vezes demora a funcionar, ou chega mesmo a não o fazer, com o ar condicionado a trabalhar. A suspensão proporciona bom apoio em curva e filtra com eficácia os pavimentos mais degradados. A direcção, precisa, permite uma boa "leitura" nos trajectos sinuosos e o programa electrónico de estabilidade (ESP), que pode ser desactivado, conta ainda com o auxílio de um sistema adicional de controlo em curva para compensar na falta de aderência de uma das rodas.

O completo equipamento de série é um dos argumentos que joga a favor desta nova geração Focus. Apesar de o nível de entrada (Trend) só estar disponível na motorização 1.6 TDCi (95 e 115cv), o nível Titanium inclui, entre outras mordomias, sensores de luzes e de chuva, cruise control e detector da pressão dos pneus. A unidade ensaiada acrescentava aos 27.460€ de preço base mais 3.070€ de equipamento opcional, nomeadamente a pintura metalizada especial (560€), barras de tejadilho (150€) e os pacotes Titanium X (400€), Driver II (700€) e LED (800€). O que, para além de possibilitar a personalização segundo as preferências e gostos pessoais, deixa uma margem de escolha mais de acordo com a disponibilidade financeira para satisfazer os caprichos familiares.

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