"O carro da minha vida é um táxi, adoro táxis, adoro pegar táxis, converso com os taxistas, ouço rádio, falo no telefone... É um dos lugares onde aproveito para descansar... Se tivesse de dizer qual o carro que vai acompanhar minha existência para sempre será o táxi. É o meu lugar sobre quatro rodas predilecto", diz a cantora.
Para além de ser um meio de transporte bastante prático para pessoas míopes que não conduzem, como Luanda Cozetti, o táxi pode ser um lugar divertido: "O taxista é um termómetro muito doido da sociedade (...) dá as opiniões, às vezes mais sensatas, às vezes mais estapafúrdias! É sempre um universo a descobrir", brinca Cozetti.
Num patamar mais afectivo está, porém, o Possante. Foi o "primeiro carrinho" que o casal teve quando deixou o Brasil e chegou a Portugal, há seis anos. Estava parado no Alentejo, era do pai de Luanda Cozetti, Alípio de Freitas, o ex-padre transmontano que foi para o Brasil, onde resistiu à ditadura brasileira e onde acabou preso - e a quem José Afonso dedicou uma canção.
"Era quadradinho, bonitinho e estava parado. Foi o carrinho do nosso primeiro ano, adoro-o. Hoje acho que não o teria vendido...", diz. Fez muitos quilómetros entre Portugal e Espanha: "O Possante andou por Portugal inteiro! E nunca deixou a gente na mão. Foi um carro muito companheiro. Só à Galiza foi e voltou umas três vezes, fez o Alentejo todo, para baixo, para cima, o Norte, Braga...", recorda. Quando havia concertos, avisavam a produção: "Não é preciso carrinha, a gente vai no Possante!". No Inverno, o carro "tinha mantinha". No Verão, enchiam-no de comida e iam parando na estrada para fazer piqueniques.