Um desportivo de dois lugares com motorização diesel? Coisa rara, para mais numa fase em que os modelos parecem querer quase sempre agradar a gregos e a troianos, servir à direita e à esquerda, ser muita coisa ao mesmo tempo. Não é, claramente, o caso do Mini Coupé SD, uma variação ainda mais especializada de um modelo que nunca quis ser universal ou gerador de consensos.
Desta vez, ainda muito menos. Se há carros que se adaptam às mais diferentes situações e contextos, este não é um deles. Ainda mais urbano do que os outros Mini, com um desenho exterior e uma motorização que denunciam a vocação desportiva, apenas dois lugares e uma lógica de utilização bastante restrita, este pequeno diabinho não quer sair do seu território. Mas também não tem de o dividir com ninguém. E talvez só mesmo essa aura de peça única possa ajudar a engolir um preço bastante indigesto.
Visualmente, também não há como confundi-lo. Ao princípio custa um bocadinho a absorver aquela silhueta de Mini só com dois lugares, o tejadilho de cor diferente, o puzzle em que se decompõe a traseira. Mas depois tudo ganha a sua lógica. Haverá quem o ache feio e quem o sinta irresistível. Mas ninguém deixará de reparar nele.
Lá dentro, dois bons lugares, com espaço e funcionalidade, e uma bagageira que, devido à configuração do carro, acaba por ser a maior da família Mini, exceptuando o Countryman. É uma curiosidade estatística, mas pouco mais do que isso, porque oferecer mais espaço para bagagem a menos passageiros não é propriamente um grande exemplo de funcionalidade... Ainda mais quando isso acontece num carro que é assumidamente urbano.
Adiante, que todos os Mini são criados a pensar no condutor e este ainda o é mais. Com apenas um passageiro a bordo, e sem ter de se preocupar com o conforto ou a funcionalidade dos lugares traseiros, quem se senta ao volante tem de assumir que conduzir nestas condições tem mesmo de ser um exercício de fruição pessoal. E aqui acontece algo estranho. Apesar de não hipotecar os níveis de excelência dinâmica que são apanágio da marca, este Mini Coupé parece menos equilibrado em curva, nomeadamente quando se apanha em pisos mais degradados.
Numa pista, e com um profissional ao volante, talvez fosse possível encontrar termos de comparação. Mas um amador num teste de estrada tem de fazer fé nas suas sensações imediatas em situações muito aquém dos limites e na memória de experiências anteriores. Neste figurino, e já com vários Mini no "currículo", ficou a ideia de que esta derivação do modelo é mais nervosa nas reacções, talvez um bocadinho menos previsível. A condução continua a ser tremendamente divertida, mas exige mais atenção.
Pode ser um factor negativo numa versão que aponta, claramente, ao horizonte feminino. O visual queridinho, o design interior, as dimensões reduzidas, as muletas electrónicas (num carro deste tamanho, a ajuda ao arranque em subida ou os sensores de parqueamento pouco se justificam...), tudo parece piscar o olho às jovens condutoras urbanas. Sem sexismos à mistura, poucas delas serão dadas a explorar os limites dinâmicos do carro, mas podem apanhar um susto num momento de distracção. E terão de dar aos braços em espaços restritos, porque a manobrabilidade é fraca.
Dito isto, saliente-se que estaremos sempre a falar de um público-alvo bastante restrito. Ter um carro de apenas dois lugares não é para toda a gente e os que costumamos ver nas ruas (menos vezes do que gostaríamos, há que confessá-lo...) exibem normalmente os símbolos de construtores míticos como a Ferrari, a Lotus ou a Lamborghini. Longe destes patamares de luxo e potência, o Mini Coupé sai muito mais barato, claro. Mas, ainda assim, custa bastante para cima de 30.000 euros nesta versão SD e os extras pagos à parte agravam ainda mais o "abuso".
BARÓMETRO
+Comportamento, prestações, consumos, espaço interior, visual personalizado
-Leque restrito de utilização, porta da bagageira pesada, potencial para ruídos parasitas, extras pagos à parte, preço
Interessante
Assim que passamos dos 80 km/h, um aileron de proporções discretas eleva-se na traseira do carro. Recolhe quando a velocidade baixa dos 60 km/h. Mas também pode ser accionado manualmente, através de um comando situado na zona superior do habitáculo, junto ao retrovisor. É funcional e ajuda a compor a silhueta bem personalizada do Coupé, um carro que quer ser jovem, irreverente e desportivo, mas sem nunca ceder à vulgaridade. Missão cumprida.
Prático
O gigantesco mostrador do conta-quilómetros, em posição central, continua a ser a vedeta do tablier, como é tradição no modelo. Mas agora esse espaço inclui um ecrã que pode servir para o sistema de navegação (em opção) e permite visualizar as funcionalidades disponíveis no computador de bordo. No entanto, é um pouco mais abaixo, na consola central, que está o comando, sob a forma de um pequeno joystick que se mostra bastante prático e eficaz.
Musculação
Este é um daqueles carros que aponta baterias ao universo feminino. E se para um homem de constituição mediana já não é tarefa simpática levantar o enorme portão da bagageira, imagina-se que as meninas não acharão mesmo graça nenhuma a esta verdadeira máquina de musculação. É pesado e a falta de um sistema hidráulico eficaz obriga a um movimento de grande amplitude. Lá dentro, na cobertura, há peças de plástico que prometem ser fonte de ruídos parasitas. O único ponto positivo é que este portão dá acesso à maior bagageira do universo Mini, sem contar com o hipertrofiado Countryman.
Impecável
Em algumas coisas, é bom não ter surpresas. A direcção deste Mini cumpre a tradição da marca, ou seja, mostra-se de uma qualidade e de um tacto a toda a prova. O volante, de espessura generosa, é de bom toque; a direcção, muito comunicativa, permite sentir o piso em quaisquer circunstâncias. Num carro feito a pensar no condutor, estes são dois predicados fundamentais, ainda por cima porque permitem uma boa primeira impressão a quem se senta ao volante. E essa empatia nunca mais se perde.
Ficha Técnica
MecânicaCilindrada: 1995cc
Potência: 143cv às 4000 rpm
Binário: 305 Nm entre as 1750 e as 2700 rpm
Cilindros: 4
Válvulas: 16
Alimentação: Turbodiesel de injecção directa por conduta comum, turbo de geometria variável
Tracção: Dianteira
Caixa: Manual, de seis velocidades
Suspensão: Tipo McPherson, à frente; triângulos sobrepostos, atrá
Direcção: Pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica
Diâmetro de viragem: 10,7m
Travões: Discos ventilados à frente, discos atrás
Dimensões
Comprimento: 373,4 cm
Largura: 168,3 cm
Altura: 138,4 cm
Distância entre eixos: 246,7 cm
Peso: 1250 kg
Pneus: 195/55 R16
Capac. depósito: 40 litros
Capac. mala: 280 litros
Prestações
Veloc. máxima: 216 km/h
Aceleração 0 a 100 km/h: 7,9s
Consumo misto: 4,3 litros/100 km
Emissões CO2: 114 g/km
Preço: 31.500€ (versão ensaiada: 39.270€)
EQUIPAMENTO
Segurança
ABS: Sim, com EBD
Airbags dianteiros: Sim
Airbags laterais: Sim
Airbags cortina: Não
Controlo de estabilidade:Sim
Controlo de tracção:Sim
Vida a bordo
Vidros eléctricos: Sim
Fecho central: Sim
Comando à distância: Sim
Direcção assistida: Sim
Retrovisores eléctricos: Sim
Ar condicionado: Sim (automático, em opção - Pack Chili, com volante multifunções, faróis bixénon, etc: 1886 €)
Abertura do depósito no interior: Não
Abertura da mala do interior: Não
Bancos desportivos: Sim
Jantes especiais: Sim
Rádio: Sim (com CD e Mp3)
Comandos no volante: Sim
Volante regulável em altura: Sim
Volante regulável em profundidade: Sim
Computador de bordo: Sim
Botão de ignição: Sim
Sistema Auto Start/Stop:Sim
Alarme: Opção (Pack City, com kit de espelhos e sensores de chuva e luz: 593,5 €)
Estofos em pele: Opção (675 €)
Navegação por GPS: Opção (Pack Wired, com Internet, voice control, apoio de braço, preparação Bluetooth e Interface USB, etc: 1268 €)
Regulador de velocidade: Sim
Ajuda ao arranque em subida: Sim
Sensor de pressão de pneus: Sim
Sensores de chuva: Opção (Pack City)
Sensores de luminosidade: Opção (Pack City)
Sensores de parqueamento: Sim (atrás)
Faróis de xénon: Opção (Pack Chili)