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Rita Marrafa de Carvalho: Trabant, um carinho especial

Por Mara Gonçalves

"Ele tem lá olhos para mim. Só pensa no cão e no carro. Põe-se na rua a lavar o carro e, vê tu bem, a aspirar os estofos. O carro nem sai da garagem!", escreve Rita Marrafa de Carvalho em "O Baile", um dos vários contos que integra "Folie à Deux", o recente livro da jornalista da RTP (escrito em parceria com Eduardo Águaboa). É a história caricata de uma mulher que, desesperada de amor, decide roubar o velho carro de Joaquim, só para que este comece a reparar nela.

Na vida real, ao contrário das personagens do livro, a jornalista, que se divide entre a condução de um smart e de uma carrinha, nunca roubou um carro nem teve grandes problemas com os que lhe passaram pelas mãos: contam-se apenas alguns pneus furados, um "pequeno toque" no veículo da frente (porque ia distraída e o semáforo ficou vermelho) e o primeiro carro que teve, o Fiat Panda da mãe, que teimava em não arrancar "quando chovia ou fazia muita humidade".

Quanto a gostos, Rita não é "adepta de carros muito caros, bonitos ou cheios de gadgets". Gosta de "apreciar os vintage". "São de uma beleza estética enorme... Obras de arte em quatro rodas." E há um pelo qual nutre um "carinho" especial: o Trabant. Viu-o pela primeira vez na Alemanha, onde eram produzidos, e não resistiu em tirar uma foto ao lado dele. Não regressou a Portugal num novo "companheiro de viagem" (significado de Trabant em alemão), mas trouxe uma miniatura azul, que ainda hoje ocupa um cantinho especial na estante.

Contudo, este gosto por carros antigos é quase uma espécie de amor platónico, que não tem efeitos práticos quando o assunto é comprar um novo automóvel. Aí os veículos tornam-se meros instrumentos ao dispor das necessidades do dia-a-dia e, por isso, nada melhor do que ter dois - um grande e um minúsculo. A carrinha, que comprou com o nascimento da filha, serve para levar a família, "a bicicleta, a lenha" e o smart é para os dias em que tem de ir aos "locais mais improváveis" ou de "estacionamento difícil".

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