A nova geração da série 1 da BMW destaca-se por ser maior do que a anterior (bastante por fora e alguma coisa por dentro) e apresentar consumos muito simpáticos. Como é que isto se encaixa na filosofia desportiva da marca? Eis uma pergunta que só encontra resposta quando nos sentamos atrás do volante. Em experiências anteriores, ficara a noção de que os novos predicados não substituíam os antigos; somavam-se. Ou seja, sem abdicar dos seus pergaminhos no apaixonante jogo da adrenalina, a BMW fizera um esforço para descer à Terra.
Mas essa conclusão foi tomada em relação a uma motorização mais exuberante, a 120d, de 184cv de potência. Junto com ela vinham as reservas relativas ao desempenho do eixo dianteiro, pouco dado a digerir os ímpetos das rodas traseiras e com apetência para oscilar em travagens fortes. Ora nada disto se aplica na versão agora ensaiada, a 116i, com 122cv, que se mostra tão imune a lampejos de brilhantismo como a defeitos óbvios (embora o sistema Stop&Go continue longe dos padrões de excelência da marca - ao contrário do que sucede noutros construtores, em que o motor de arranque quase não se faz sentir, na BMW há ruído e vibrações pouco "elegantes"). Este é um carro equilibrado, sensato, competente e aplicado.
Para muitos, esta sequência de adjectivos conduz de imediato à palavra "chato". Um bocado como aquele primo da família que nunca deu nas vistas e, portanto, ninguém quer ter ao lado durante o jantar de família. Erro. O primo calmo não é chato, é só discreto. Não fala alto, não interrompe os outros, evita o conflito e está-se nas tintas para essas coisas dos machos-alfa. E, no entanto...
E, no entanto, é muito bom no que faz. Este "primo" 116i pode ser um excelente companheiro de viagem - os bancos, passe a tremida impressão inicial, mostram-se bem confortáveis em trajectos longos. A condução é segura, fluida, agradável. Segura porque as ajudas electrónicas, os travões e toda a mecânica respiram qualidade. Fluida porque o motor desenvolve a potência de forma progressiva e a caixa - ultrapassadas as dificuldades para "encontrar" a 1.ª velocidade - se mostra fácil de utilizar (apesar de um toque algo seco) e bem escalonada. E, finalmente, agradável porque a todos estes argumentos mecânicos se junta um bom ambiente a bordo e uma suspensão muito competente.
O conforto é, aliás, um dos cavalos de batalha dos engenheiros da BMW para esta nova geração da série 1. Porque aos pergaminhos desportivos vinha, normalmente, associada a experiência de carros demasiado centrados no "piloto" e com pouca consideração por quem era transportado, o construtor alemão achou por bem "civilizar" o modelo. O condutor pode, naturalmente, optar por um dos três modos dinâmicos (Sport, Comfort e EcoPro), mas as diferenças apenas se notarão na dureza da direcção, na resposta do motor e na entrada em acção do controlo de estabilidade (bem como nas relações de caixa, quando esta é automática). Para alterar os dados do amortecimento será preciso ir ao leque de opções e pagar à parte a suspensão desportiva, ou a variável, algo que não parece muito razoável nesta motorização.