Quando há muito dinheiro disponível e as economias crescem, as vendas de automóveis sobem e os compradores saltam para o patamar seguinte, adquirindo veículos maiores, mais caros e mais equipados. Portugal vive agora o cenário oposto, o que, como se tem verificado, contrai o consumo e afunda o negócio dos stands.
Os utilitários sempre tiveram um peso importante no mercado português, embora nos últimos anos algum desse protagonismo tenha sido cedido aos pequenos familiares, classe em que o Renault Mégane e o Volkswagen Golf têm dominado.
Desde 2009, no entanto, o chamado segmento B voltou ao lugar cimeiro. E é neste contexto que também se pode inserir o lançamento do novo Toyota Yaris, mais um utilitário que pode ganhar espaço nas vendas.
A terceira geração Yaris cresceu mais dez centímetros, aproximando-se dos quatro metros de comprimento. Um tamanho que não tem nada a ver com o que estes automóveis eram há uma década - o primeiro Yaris era quase 30 centímetros mais curto.
O aumento de tamanho e o aparecimento de pequenos motores mais potentes conferiram aos utilitários características que não tinham. Agora já não são apenas veículos interessantes em cidade, passaram também a apresentar bom comportamento em estrada. É o caso desta versão 1.4 D-4D, cujos 90cv respondem perfeitamente às necessidades, até em auto-estrada.
Este motor 1.4 a diesel, aliás, ajusta-se muito melhor a este Yaris do que ao modelo imediatamente acima da Toyota. É que se no Auris - um automóvel mais pesado -, os 90cv são curtos em algumas situações, no Yaris o motor responde às exigências, até mesmo em auto-estrada, onde a caixa de seis velocidades é uma vantagem extra.
O comportamento do carro em curva é bom e a posição de condução, embora sendo agora mais baixa, é confortável. No aspecto dinâmico, o defeito mais evidente deste modelo é alguma rigidez na suspensão (típica dos Toyota), que se torna mais evidente nos maus pisos citadinos.
Os consumos - que segundo os dados oficiais são de 4,1 litros por cada100 km percorridos - dependem logicamente da forma de condução. Só uma atitude hiper-ecológica (evitando acelerações e travagens bruscas, não acelerando nas descidas e circulando a velocidades reduzidas) permite atingir valores a rondar os 5 l/100km. Neste teste, e numa condução de acordo com os padrões normais, o consumo rondou os seis litros por cada 100 km.
Quanto ao interior, o espaço para os ocupantes é simpático (à frente e nos bancos traseiros), registando-se, no entanto, uma perda ao nível dos espaços de arrumação, que são poucos e todos abertos, à excepção do porta-luvas. Os materiais do tablier foram modificados e o painel de instrumentos aparece agora por trás do volante. Nada a dizer, a não ser dos acabamentos "trapalhões" nas laterais dos bancos da frente.
A bagageira tem capacidade para 286 litros, o que é bastante bom para este segmento, embora padeça de um defeito algo inexplicável. A mala integra uma prateleira que tapa o fundo, o que até pode ser mais estético, mas muito pouco prático. É que para se aproveitar toda a capacidade para colocar bagagem tem de se retirar a prateleira e obviamente não há onde a colocar - terá mesmo de ficar em casa.
Uma das grandes surpresas deste Yaris (e que pode funcionar como atractivo para determinadas faixas de compradores) é a componente tecnológica. Além de câmara de estacionamento (mais útil para uns do que para outros), este modelo inclui sistema de navegação integrado e permite a ligação, por Bluetooth, com o telefone. Torna-se, assim, fácil fazer e receber chamadas, bem como ouvir música - se a houver no telemóvel, claro. Um presente algo inesperado num utilitário.
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